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Hungria: Ursula von der Leyen "não se incomoda" com cartazes críticos

Posters que criticam a suposta ligação priveligiada entre a Comissão Europeia e a Fundação Soros
Posters que criticam a suposta ligação priveligiada entre a Comissão Europeia e a Fundação Soros Direitos de autor Euronews Hungria
Direitos de autor Euronews Hungria
De  Jorge LiboreiroSandor Sziros, Isabel Marques da Silva (Trad.)
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A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, é alvo de uma nova campanha lançada pelo primeiro-ministro da Hungria,Viktor Orbán, no âmbito de uma consulta nacional que faz acusações de interferência de grupos de interesses na agenda política da União Europeia (UE).

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Os cartazes, espalhados pelas ruas da Hungria, mostram a presidente da Comissão Europeia ao lado de Alexander Soros, o filho do bilionário George Soros e atual presidente da Fundação Open Society, com a fase: "Não vamos dançar ao som da música que eles assobiam!"

Apesar de a família Soros e a fundação, que apoia organizações da sociedade civil em todo o mundo através de subsídios, terem sido criticados pelo Governo húngaro no passado, esta é a primeira vez que von der Leyen é alvo de uma campanha dirigida pelo Estado.

Os cartazes antecedem uma consulta que o governo vai fazer aos cidadãos húngaros através de inquéritos serão enviados, por correio, na altura do Natal, e deverão ser devolvidos até 10 de janeiro, estando disponível uma versão na Internet.

A consulta, não vinculativa, baseia-se numa série de 11 afirmações sobre diferentes políticas da UE e é pedido aos cidadãos para escolherem se estão contra ou a favor. 

A maioria dos tópicos inclui informações enganosas, tais como as afirmações de que "o apoio financeiro de Bruxelas à organização palestiniana também chegou ao Hamas", algo que não foi provado, e que "Bruxelas quer criar guetos de migrantes na Hungria", que não consta em parte alguma da reforma da migração do bloco.

Outras questões centram-se no apoio militar e financeiro da UE à Ucrânia, ao qual Orbán prometeu opor-se, e no pedido de adesão do país devastado pela guerra.

A presidente confia plenamente na capacidade do público húngaro para tomar as suas próprias decisões com base em informações objetivas e factuais sobre o que fazemo.
Eric Mamer
Porta-voz, Comissão Europeia

Em reação ao lançamento dos cartazes, Eric Mamer, porta-voz da Comissão Europeia, afirmou que von der Leyen, ao ver as imagens, ficou "completamente imperturbável" e não pestanejou.

A presidente "confia plenamente na capacidade do público húngaro para tomar as suas próprias decisões com base em informações objetivas e factuais sobre o que fazemos", disse Mamer, segunda-feira, em conferência de imprensa.

"Sejamos claros. Sabemos que esta não é a primeira vez. Provavelmente não será a última vez. Temos coisas a fazer. Temos crises para gerir. Temos políticas a implementar", acrescentou.

Em relação às afirmações contidas no inquérito, Mamer recusou-se a fazer uma repreensão à verificação dos factos e remeteu os potenciais inquiridos para os canais oficiais da Comissão Europeia. O funcionário também evitou dizer se a utilização da imagem de Soros, uma pessoa de ascendência judaica, equivalia a antissemitismo.

"Estas afirmações são completamente falsas", disse Mamer. "Podemos dar-vos as nossas posições sobre todas as políticas que são mencionadas, mas não vamos entrar num debate sobre declarações que são colocadas numa consulta apenas para as autoridades húngaras", referiu.

"Francamente, não temos qualquer interesse em perder tempo com esse tipo de questões no atual contexto internacional", acrescentou.

O caso com Juncker em 2019

Recorrer a ataques contra um presidente da Comissão Europeia em funções não é território desconhecido para Viktor Orbán, que é conhecido por bloquear e fazer descarrilar a ação coletiva da UE.

Em 2019, o seu governo lançou cartazes que visavam Jean-Claude Juncker, o então chefe do executivo, e George Soros. "Todos têm o direito de saber o que Bruxelas está a planear!", diziam os cartazes. 

Essa campanha, cujo design gráfico é muito semelhante ao da iniciativa de 2023, promoveu afirmações inexactas sobre a política de migração da UE e suscitou acusações de antissemitismo.

O mais recente confronto entre Bruxelas e Budapeste surge pouco antes da Comissão Europeia rever a decisão de congelar 22 mil milhões de euros em fundos da UE atribuídos à Hungria. O país deverá cumprir uma série de "marcos" como condição para obter o dinheiro, paralisado devido a preocupações de longa data com o Estado de direito.

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