Alta tensão entre Londres e Atenas por causa dos mármores do Partenon

Primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis à chegada à BBC, 26 de novembro de 2023
Primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis à chegada à BBC, 26 de novembro de 2023 Direitos de autor Jordan Pettitt/AP
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As esculturas, que originalmente adornavam o templo do Partenon, na Acrópole, estão expostas no Museu Britânico, em Londres, há mais de dois séculos.

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Um incidente diplomático eclodiu na segunda-feira entre a Grécia e a Grã-Bretanha depois de o Reino Unido ter cancelado uma reunião dos primeiros-ministros dos dois países.

O incidente levou o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, a acusar seu homólogo britânico, Rishi Sunak de tentar evitar discutir os contestados mármores do Partenon.

Na segunda-feira à noite, Mitsotakis emitiu uma declaração para expressar  "aborrecimento" pelo facto de o primeiro-ministro britânico ter cancelado a reunião, apenas algumas horas antes da data prevista para a sua realização”.

“A Grécia e a Grã-Bretanha estão ligadas por laços tradicionais de amizade e o âmbito das nossas relações bilaterais é muito amplo”, disse Mitsotakis. “As posições da Grécia sobre a questão das esculturas do Partenon são bem conhecidas. Esperava ter a oportunidade de discuti-las com o meu homólogo britânico, juntamente com os atuais grandes desafios internacionais: Gaza, Ucrânia, alterações climáticas e imigração. Quem acredita que as suas posições são fundamentadas e justas nunca tem medo de entrar em debate.”

A Grã-Bretanha confirmou que os dois líderes não se encontrariam e disse que Mitsotakis manteria conversações com o vice-primeiro-ministro, Oliver Dowden, mas o líder grego recusou o convite.

“A relação entre o Reino Unido e a Grécia é extremamente importante”, afirmou o gabinete de Sunak num comunicado referido que “o vice-primeiro-ministro estava disponível para se reunir com o primeiro-ministro grego para discutir estas questões importantes.”

Atenas há muito exige a devolução das esculturas que foram removidas da Grécia pelo diplomata britânico Lord Elgin no início do século XIX. As esculturas, que originalmente adornavam o templo do Partenon, de 2.500 anos, na Acrópole, estão expostas no Museu Britânico, em Londres, há mais de dois séculos.

Cerca de metade das obras de mármore sobreviventes estão em Londres, e o restante num museu construído especificamente sob a Acrópole, em Atenas. Aparecendo na televisão britânica no domingo, Mitsotakis comparou a separação das esculturas ao corte da Mona Lisa ao meio – uma observação que irritou o governo britânico.

O porta-voz de Sunak assumiu uma posição dura na segunda-feira, dizendo que o governo do Reino Unido “não tinha planos" para mudar a sua abordagem, acrescentado: "certamente pensamos que o museu (britânico) é o lugar certo” para os mármores.

Max Blain justificou: “Eles foram adquiridos legalmente na época, são propriedade legal dos curadores do museu. Apoiamos essa posição e não há planos para mudar a lei que a rege” (...) “Cuidamos dos mármores há gerações e a nossa posição é que queremos que isso continue.”

Mitsotakis reuniu-se na segunda-feira com o chefe da oposição Trabalhista do Reino Unido, Keir Starmer, cujo partido lidera as sondagens para as próximas eleições legislativas.

Após o cancelamento da reunião de Sunak com o homólogo grego, os trabalhistas disseram: “Se o primeiro-ministro não é capaz de se reunir com um aliado europeu com quem a Grã-Bretanha tem laços económicos importantes, esta é mais uma prova de que ele não é capaz de fornecer soluções económicas sérias e a liderança que nosso país exige".

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