Milhares de pessoas fogem de territórios ocupados pela Rússia

Mulheres carregam as suas bagagens após terem atravessado a fronteira com a Rússia, na região ucraniana de Sumy, a 22 de novembro.
Mulheres carregam as suas bagagens após terem atravessado a fronteira com a Rússia, na região ucraniana de Sumy, a 22 de novembro. Direitos de autor Hanna Arhirova/Copyright 2023 The AP. All rights reserved.
De  Verónica Romano com AP
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Fugitivos percorrem a pé corredor de dois quilómetros ao longo da linha da frente de combates.

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Milhares de pessoas regressam à Ucrânia vindas de territórios ocupados pela Rússia, no meio de uma guerra brutal.

Submetidas a buscas minuciosas de ambos os lados, as pessoas percorrem a pé um corredor de dois quilómetros ao longo da linha da frente dos combates. Essa "zona cinzenta" - tal como os ucranianos lhe chamam - é uma terra de ninguém, entre as regiões russa de Belgorod e ucraniana de Sumy.

De acordo com um relatório divulgado pelo Laboratório de Investigação Humanitária da Escola de Saúde Pública da Universidade de Yale, novas leis exigem que os residentes das zonas ocupadas adquiram a cidadania russa até julho do próximo ano. 

Caso não o façam, poderão ser detidos ou enviados para zonas remotas da Rússia, disse o diretor executivo do laboratório, Nathaniel Raymond. Este é, portanto, o motivo da fuga de muitos.

Além disso,segundo a agência noticiosa norte-americana Associated Press, civis nos territórios ocupados são detidos por razões menores, como falar ucraniano, ou por fatores que escapam ao seu controlo, nomeadamente ser jovem.

As pessoas partem, então, de várias regiões: de Zaporíjia e Kherson, no sudeste, a Donetsk e Luhansk, no nordeste, bem como da Crimeia, a península a sul da Ucrânia que os russos anexaram em 2014.

Com as temperaturas numa descida constante, alguns viajam com crianças ou pais idosos. Quando chegam a Sumy, estão exaustos - mal têm forças para carregar os poucos pertences que conseguiram juntar antes de fugir. 

É aí que os voluntários ucranianos os recebem. Dão-lhes comida e transporte gratuito para a capital, Kiev, e outros locais. 

Kateryna Arisoi é a diretora da organização não-governamental Pluriton, que gere um abrigo no lado do corredor controlado pelos ucranianos. Mais de 15.500 pessoas passaram por lá desde a abertura em março, disse Arisoi. 

Chegam, em média, entre 80 a 120 pessoas por dia.

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