Guerra vai demorar vários meses, diz governo de Israel

Guerra na Faixa de Gaza começou com os ataques do Hamas a 7 de outubro
Guerra na Faixa de Gaza começou com os ataques do Hamas a 7 de outubro Direitos de autor Bilal Hussein/AP
De  Ricardo FigueiraAgências
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Estados Unidos apelam a que Israel termine a guera "o mais depressa possível" e poupe vidas civis "sem deixar de perseguir o Hamas".

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A guerra contra o Hamas vai demorar vários meses, é o que disse o ministro israelita da Defesa, Yoav Gallant, ao conselheiro de segurança nacional dos EUA, Jake Sullivan, que visitou Telavive na quinta-feira. Segundo Gallant, "o Hamas esteve a fortalecer-se ao longo de uma década" e "não é fácil destruí-lo". O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu reafirmou que a guerra vai continuar até à eliminação definitiva do Hamas.

Os EUA têm insistido para que Israel termine a guerra o mais rapidamente possível. Na quinta-feira, o presidente Joe Biden disse que queria que Israel "se concentrasse em salvar vidas civis, não deixando de combater o Hamas, mas tendo mais cuidado com os civis". Os responsáveis norte-americanos sublinham que Israel tem o direito de se defender, que foi o Hamas quem começou a guerra e que, em última análise, são os líderes do Hamas que podem pôr-lhe termo, baixando as armas.

Disse John Kirby, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional: "A guerra poderia terminar hoje se o líder do Hamas, Yahya Sinwar, fizesse a coisa certa: depusesse as armas, se rendesse e devolvesse os reféns. Isso não parece provável neste momento, nesta guerra que o Hamas iniciou. Israel tem o direito e a responsabilidade de continuar a conduzir esta guerra para proteger o seu povo e a sua nação".

A guerra poderia terminar hoje se o líder do Hamas, Yahya Sinwar, fizesse a coisa certa: depusesse as armas, se rendesse e devolvesse os reféns.
John Kirby
Porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos EUA

Os combates intensos prosseguem em várias zonas da Faixa de Gaza, apesar de o exército de Israel dizer que os combatentes do Hamas se estão a render em grande número. As forças israelitas voltaram a atacar Khan Younis nas primeiras horas desta sexta-feira, fazendo dezenas de mortos e feridos, segundo o Hamas.

O exército israelita anunciou na quinta-feira "novos métodos" para combater o Hamas nos seus túneis, para que "os terroristas não estejam seguros debaixo da terra". De acordo com o porta-voz Almirante Daniel Hagari, "entraremos, colocaremos explosivos em locais que sabemos que os terroristas frequentam e esperaremos pelo momento certo para os matar debaixo da terra".

Situação humanitária desesperante

No terreno, a situação humanitária é desesperante, segundo as organizações internacionais presentes. O Programa Alimentar Mundial (PAM) apela à abertura de mais passagens de ajuda para Gaza: 

"A operação humanitária está à beira do colapso. Não é possível fazer entregas de forma ordenada, nestas condições. Precisamos de aumentar os volumes e, para isso, precisamos de mais pontos de passagem", diz Carl Skau, vice-diretor executivo do PAM. 

De acordo com as conclusões do PAM, cerca de 90% dos habitantes de Gaza não comem o suficiente, enquanto cerca de metade da população está a passar fome. Os combates intensos e os bombardeamentos (menos frequentes ultimamente) continuam a representar um enorme sofrimento para a população civil e as organizações humanitárias afirmam que não podem fazer muito, não só devido aos combates, mas também devido ao colapso das instituições e ao caos na Faixa de Gaza., uma vez que o único ponto de passagem aberto constitui um grave estrangulamento.

Segundo o Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, controlado pelo Hamas, a guerra fez já cerca de 18.800 mortos, na maioria mulheres, crianças e adolescentes, mortos nos bombardeamentos israelitas.

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