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Navalny diz que "está bem" depois de ter sido localizado numa colónia penal no Ártico

Navalny detido numa prisão no Ártico
Navalny detido numa prisão no Ártico Direitos de autor The Russian Federal Penitentiary Service via AP
Direitos de autor The Russian Federal Penitentiary Service via AP
De  Euronews com agências
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Opositor russo detalhou nas redes sociais a demorada viagem até Kharp, onde está detido numa colónia penal para condenados considerados muito perigosos.

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O opositor russo Alexei Navalny garantiu esta terça-feira que está bem, mas cansado, depois de ter sido transferido para uma penitenciária no Ártico, no norte da Rússia.

"Não se preocupem comigo. Estou bem. Estou aliviado por finalmente estar aqui", escreveu Navalny no X (antigo Twitter), acrescentando que a viagem até ao Ártico foi "cansativa".

"Os 20 dias do meu transporte foram bastante cansativos, mas estou bem disposto, como deve estar um Pai Natal", ironizou. "Trouxeram-me para aqui no sábado à noite. E fui trazido com tanto cuidado e por uma rota tão estranha (Vladimir - Moscovo - Chelyabinsk - Ekaterimburgo - Kirov - Vorkuta - Kharp) que não esperava que me encontrassem antes de meados de janeiro", escreveu ainda Navalny. "É por isso que fiquei muito surpreendido quando a porta da cela se abriu ontem com as palavras: 'Um advogado está aqui para o ver'. Ele disse-me que me tinham perdido e que alguns de vocês até estavam preocupados. Muito obrigado pelo vosso apoio", lê-se na publicação do opositor russo.

Os colaboradores de Navalny acreditam que a transferência para uma prisão numa zona remota do Ártico, reservada a condenados a prisão perpétua ou considerados perigosos, está relacionada com a aproximação das eleições presidenciais russas, previstas para março de 2024, e nas quais Vladimir Putin se recandidata à presidência.

Navalny, de 47 anos, é considerado o inimigo número um de Putin. Foi detido em 2021 - após regressar à Rússia depois de ter recebido tratamento na Alemanha para um envenenamento - e condenado a uma pena de 19 anos de prisão por "extremismo".

Os colaboradores de Navalny não tinham notícias dele desde o início de dezembro, altura em que os serviços penitenciários russos confirmaram apenas que fora transferido da prisão onde cumpria pena, na região de Vladimir, a 250 quilómetros de Moscovo.

A colónia penal para onde foi agora transportado, na localidade de Kharp, no Círculo Polar Ártico, é conhecida como "Lobo Polar" por ser uma das mais remotas, perto da cordilheira dos Urais e numa zona de gelos perpétuos.

Kharp, uma pequena cidade com uma população de cerca de 5.000 habitantes, situa-se em Yamalo-Nenetsia, uma região remota do norte da Rússia, a norte do Círculo Polar Ártico, e alberga várias colónias penitenciárias.

Acusado de extremismo, segundo a sentença do tribunal, Navalny deverá cumprir a sua pena numa colónia de "regime especial", uma categoria de estabelecimentos onde as condições de detenção são as mais duras e que são normalmente reservadas a presos a cumprir pena de prisão perpétua e aos detidos mais perigosos - o que, segundo Moscovo, justifica a sua transferência de prisão.

Estados Unidos e França manifestam preocupação

Os Estados Unidos disseram esta segunda-feira estarem "profundamente inquietos" com as "condições de detenção" de Navalny.

"Congratulamo-nos com as informações pelas quais Navalny foi localizado", declarou um porta-voz do Departamento de Estado. "No entanto, permanecemos profundamente inquietos sobre o destino de Navalny e as suas injustas condições de detenção", indica um comunicado do Departamento de Estado dos Estados Unidos da América.

No passado sábado, o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, tinha já manifestado preocupação pelo desconhecimento do paradeiro de Alexei Navalny. "Estamos profundamente preocupados com o paradeiro de Alexei Navalny, que há quase três semanas está desaparecido no sistema penitenciário da Rússia", afirmou na ocasião o chefe da diplomacia dos Estados Unidos nas redes sociais.

Na mesma mensagem, Blinken exigiu "mais uma vez" a "libertação imediata" do opositor russo e que o Governo do Presidente Vladimir Putin deixe de "reprimir as vozes independentes na Rússia".

Também a diplomacia francesa reagiu à notícia da localização de Navalny no Ártico: "O segredo mantido por quase dez dias pela Rússia sobre a situação de Alexei Navaly e a sua transferência para um local de detenção particularmente isolado, isolando-o ainda mais dos seus familiares com o seu estado de de saúde a deteriorar-se desde a detenção, constitui um desenvolvimento inaceitável e uma clara violação dos direitos humanos", referiu uma porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês.

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