Protesto dos agricultores franceses abranda, mas vai continuar

Protestos dos agricultores franceses abrandam mas vão continuar
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Em França, os agricultores continuam com o protesto, embora tenham abrandado. O sindicato dos agricultores diz que o protesto "está a transformar-se e que se vai manter vivo".

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Os agricultores franceses decidiram continuar com o protesto, emboram estes tenham abrandado, após o desbloqueio de estradas na sequência das últimas concessões do governo francês. O desbloqueio foi solicitado pelos sindicatos dos agricultores, que o qualificaram como "um progresso tangível". 

O presidente da Federação Nacional dos Sindicatos dos Agricultores explicou que o movimento "não acabou" e que, em vez disso, "está a transformar-se e que se vai manter vivo", de acordo com as agências internacionais. 

No entanto, os dirigentes sindicais mantêm a prudência e exigem esclarecimentos escritos que especifiquem os planos anunciados pelo Governo, face às aparentes discrepâncias entre as observações feitas pelo primeiro-ministro Gabriel Attal e outros membros do seu gabinete. 

Muitos dos manifestantes que bloquearam ou condicionaram o trânsito nas principais autoestradas em torno de Paris disseram que iam permanecer no local, pelo menos mais um dia, para verem os compromissos do Governo por escrito. Para além disto, ambos os sindicatos indicaram que vão acompanhar de perto a implementação das medidas prometidas pelo Executivo.

"Não queremos ouvir palavras de amor. O que queremos é uma prova de amor", disse um membro do sindicato dos agricultores, à agência AP Thierry Desforges, durante o bloqueio da autoestrada A6 em Chilly-Mazarin, no sul de Paris.

Governo francês anuncia novas medidas

Milhares de agricultores franceses manifestaram-se durante duas semanas, em todo o país, contra os baixos rendimentos, as fortes regulamentações e aquilo a que chamam de concorrência desleal do estrangeiro.

Os protestos espalharam-se também por toda a Europa, inclusivamente na sede da União Europeia na capital belga, Bruxelas

O  primeiro-ministro francês anunciou, na passada quinta-feira, um pacote adicional de medidas que inclui mais subvenções, autorizações para a utilização de pesticidas - usados noutros países da UE - e a proibição da importação de alimentos de países terceiros que utilizem produtos químicos vetados dentro do bloco.

Attal voltou a dizer que a França continua a opor-se à assinatura, por parte da União Europeia, de um acordo de comércio livre com o grupo comercial Mercosul.

Com as medidas recentemente anunciadas, o Governo espera "devolver aos alimentos o  seu valor", "aumentar os rendimentos dos agricultores, protegê-los contra a concorrência desleal e simplificar sua vida diária", segundo as agências internacionais. 

Attal anunciou, ainda, que o Governo vai fornecer um pacote de 150 milhões de euros aos criadores de gado, e que vai reduzir os impostos sobre as explorações que são transferidas entre gerações. Já em Bruxelas, o presidente francês Emmanuel Macron disse que tinha obtido importantes concessões da UE.

Durante a cimeira da UE, realizada na capital belga na passada quinta-feira, a Comissão Europeia obteve um amplo apoio dos Estados-membros à sua proposta de proteger os agricultores contra as importações baratas da Ucrânia no contexto da agressão russa, e de lhes permitir utilizar algumas terras forçadas a permanecer em pousio por razões ambientais.

A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, prometeu ainda, na passada quinta-feira, que vai preparar novos planos para reduzir a carga administrativa dos agricultores. 

Os manifestantes querem obter melhores preços para os seus produtos, proteções contra os crescentes custos e a concorrência de importações baratas, bem como reduzir o que consideram ser uma excessiva regulamentação que dificulta os seus trabalhos, entre outras reivindicações.

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