Netanyahu rejeita proposta do Hamas para cessar-fogo de 135 dias

Ministério da Saúde de Gaza diz que morreram pelo menos 27.708 palestinianos desde 7 de outubro
Ministério da Saúde de Gaza diz que morreram pelo menos 27.708 palestinianos desde 7 de outubro Direitos de autor Hatem Ali/Copyright 2024 The AP. All rights reserved.
De  Joana Mourão Carvalho
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Primeiro-ministro israelitas diz que que não haverá acordo de paz sem "vencer o Hamas" e rejeita proposta de cessar-fogo de 135 dias para a libertação de reféns israelitas e um acordo para pôr fim à guerra em Gaza.

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O Hamas propôs um plano de cessar-fogo com a duração de quatro meses e meio (135 dias), tendo em vista a libertação de reféns e um acordo para pôr fim à guerra na Faixa de Gaza.

A proposta foi avançada pela Reuters e surge em resposta a uma proposta enviada na semana passada mediada pelo Qatar e pelo Egipto, com a aprovação dos Estados Unidos e de Israel.

O plano do Hamas prevê um cessar-fogo dividido em três fases, com duração de 45 dias cada. Nos termos da proposta, o Hamas compromete-se a trocar os reféns israelitas capturados em 7 de outubro por prisioneiros palestinianos.

De acordo com um documento provisório a que a Reuters teve acesso, durante a primeira fase, todas as mulheres e crianças israelitas reféns, todos os homens com menos de 19 anos e, ainda, os idosos e doentes seriam libertados. Em troca, Israel deveria libertar cerca de 1500 palestinianos detidos em prisões israelitas.

Segundo a Al Jazeera, que revela mais detalhes, o Hamas exige igualmente pelo menos 500 comboios humanitários com combustível e ajuda a entrar diariamente na Faixa de Gaza, o regresso dos palestinianos deslocados às suas casas, assim como a garantia de liberdade para deslocações entre o norte e o sul do território sitiado.

A contraproposta do movimento palestiniano reivindica ainda a construção de pelo menos 60 mil casas temporárias e 200 mil abrigos e a elaboração de um plano para a reconstrução de casas e infraestruturas ao longo de três anos.

Enquanto isso, Israel teria de retirar as suas tropas das regiões povoadas. A implementação da segunda fase não começaria até que as partes concluíssem "negociações indiretas sobre os requisitos necessários para acabar com as operações militares" em Gaza.

Numa segunda fase, o plano prevê a libertação dos restantes reféns homens e a retirada de todas as tropas israelitas do território.

Depois, na terceira fase, seria feita a troca dos restos mortais das vítimas dos combates.

Uma fonte próxima das negociações, cita a Reuters, adiantou que a contraproposta do Hamas não exigia uma garantia de um cessar-fogo permanente no início, mas que o fim da guerra teria que ser acordado durante a trégua antes de os últimos reféns serem libertados. 

Uma segunda fonte revelou também à Reuters que o Hamas exige a garantia do Qatar, Egito e de outros Estados aliados de que o cessar-fogo será mantido e não será violado assim que os reféns forem libertados.

Em declarações à Al Jazeera, um dirigente do gabinete político do Hamas, Muhhamad Nazzal, avisou que nenhum dos pontos da proposta é discutível. "Desejamos que as forças de ocupação israelitas saiam da Faixa de Gaza completamente. A nossa resposta é realista e os nossos pedidos são razoáveis", vincou.

Israel considera vários pontos da proposta de acordo do Hamas inaceitáveis

Israel considera que vários pontos da proposta do Hamas são completamente inaceitáveis, segundo adiantou uma fonte não-identificada do governo ao Canal 13.

De acordo com a estação televisiva israelita, neste momento, há duas opções em cima da mesa: rejeitar por completo a proposta do Hamas ou tentar negociar alterações.

O primeiro-ministro israelita esteve reunido esta quarta-feira com o secretário de Estado norte-americano Antony Blinken para conhecer os termos da proposta do Hamas.

Após o encontro, Benjamin Netanyahu decidiu marcar uma conferência de imprensa para esta tarde. A expectativa é que revele qual vai ser a resposta à proposta do Hamas.

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