Eleições em Portugal com todos os candidatos a apelarem ao voto

Portugal vai às urnas no domingo, 10 de março
Portugal vai às urnas no domingo, 10 de março Direitos de autor AP Photo
De  Manuel Ribeiro Euronews com AP
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Artigo publicado originalmente em inglês

As eleições legislativas portuguesas estão a decorrer sob o fantasma da abstenção, que quase chegou aos 50% nas últimas eleições, e com os moderados a tentarem manter os populistas à distância.

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As urnas abriram oficialmente às 8 horas de domingo para as eleições legislativas em Portugal, com os candidatos a demonstrarem confiança, mas preocupados com a abstenção.

Rui Rocha, da Iniciativa Liberal (IL) foi o primeiro candidato partidário a votar. O líder liberal lembrou abril e afirmou a importância de se poder "escolher em quem queremos" votar, disse ao jornalistas em Braga. Rocha escusou-se a "cenários", mas tem confiança num bom resultado para o lado dos liberais, "as expetativas são as melhores", disse o candidato que espera ver reduzida a taxa de abstenção.

Paulo Raimundo também lembrou abril, dizendo que este "é o momento do direito ao voto", afirmou o líder comunista depois de votar na Moita. 

Vinte minutos depois, foi a vez de Rui Tavares exercer o seu direito de voto, em Lisboa, lembrando que é neste dia que as pessoas são todas iguais. "Neste dia somos todos iguais, o voto vale o mesmo de quem quer que seja", afirmou o dirigente do Livre depois de votar.

Já Mariana Mortágua voltou a lembrar abril: "As pessoas vão votar por convicção, a melhor forma para celebrar a democracia que conquistámos há 50 anos", disse a candidata do Bloco de Esquerda depois de votar em Arroios, Lisboa.

Candidato da Aliança Democrática (PSD/CDS/PPM) Luís Montenegro votou esta manhã
Candidato da Aliança Democrática (PSD/CDS/PPM) Luís Montenegro votou esta manhãAP Photo

Luís Montenegro votou em Espinho naquele que foi um "voto com tranquilidade", disse o candidato da AD à saída das urnas. Montenegro espera que a participação do povo seja alta. "Esta eleição é importante para o futuro de Portugal", disse. "Fizemos um esforço para que a nossa campanha fosse esclarecedora", afirmou o candidato da Aliança Democrata.

O líder social-democrata Luís Montenegro, 51 anos, que provavelmente se tornaria primeiro-ministro se a Aliança Democrática ganhasse, diz que vai recrutar para o seu governo figuras não filiadas no partido - pessoas a quem chama "fazedores".

"Este é o dia maior das nossas democracias, o mais importante das nossas vidas, o dia de avançar e construir o futuro. As pessoas devem participar neste dia", disse Pedro Nuno Santos, depois de votar em Lisboa.

O candidato socialista revelou esta manhã que "não está preocupado" com o resultado das eleições, disse "estar contente" com a campanha e apelou aos portugueses que votem em massa, "mesmo com adversidades, não tenho a menor dúvida que as pessoas vão votar", afirmou o ex-ministro das Infraestruturas.

O líder socialista Pedro Nuno Santos, de 46 anos, candidato a primeiro-ministro pelo seu partido, promete uma mudança com aquilo a que chama vagamente "um novo impulso". Mas não rompeu com os membros mais antigos do partido que serviram em governos anteriores.

Candidato do Partido Socialista Pedro Nuno Santos vota em Lisboa
Candidato do Partido Socialista Pedro Nuno Santos vota em LisboaAP Photo

André Ventura foi o último dos candidatos partidários com assento parlamentar a votar nestas eleições. O candidato do Chega exerceu o seu direito de voto no Parque nas Nações por volta das 12h30 e disse estar "muito otimista, com muita confiança" sobre o resultado de logo à noite. "Hoje é o dia em que todos, em pé de igualdade, têm a força de mudar o país e dizerem aquilo que querem para o futuro do país", declarou.

Questionado sobre a importância para a ascensão da extrema-direita em Portugal, por um jornalista estrangeiro, André Ventura respondeu que o seu partido "não é da extrema-direita" e por isso "não sabe que importância é essa" e acrescentou que aguarda por um bom resultado para logo à noite.

O líder do partido Chega soube aproveitar a insatisfação das pessoas e conquistou seguidores entre os jovens nas redes sociais. Com apenas cinco anos de existência, o Chega conquistou o seu primeiro lugar no Parlamento português de 230 lugares em 2019. Em 2022, o número de lugares aumentou para 12 e as sondagens sugerem que, desta vez, poderá mais do que duplicar.

Ventura diz estar preparado para abandonar algumas das propostas mais controversas do seu partido - como a castração química para alguns criminosos sexuais e a introdução de penas de prisão perpétua - se isso abrir a porta à sua inclusão numa possível aliança de governo com outros partidos de centro-direita.

A sua insistência na soberania nacional em vez de uma maior integração na União Europeia e o seu plano para conceder à polícia o direito à greve são outras questões que podem frustrar as suas ambições de entrar numa coligação governamental.

Casos de corrupção mancharam a reputação dos dois principais partidos

A eleição, com 10,8 milhões de eleitores inscritos, tem como pano de fundo a corrupção e as dificuldades económicas que corroeram a confiança nos partidos moderados e podem empurrar um número significativo de eleitores para os braços de um partido populista de direita radical.

Uma série de escândalos de corrupção recentes manchou os dois partidos que se alternam no poder há décadas - o Partido Socialista, de centro-esquerda, e o Partido Social Democrata, de centro-direita, que concorre com dois pequenos aliados numa coligação a que chama Aliança Democrática. Espera-se que estes partidos tradicionais continuem a recolher a maioria dos votos.

A frustração da opinião pública com a política do costume já se fazia sentir antes dos protestos sobre a corrupção. Os baixos salários e o elevado custo de vida - agravados no ano passado pela subida da inflação e das taxas de juro - juntamente com a crise da habitação e as falhas nos cuidados de saúde públicos contribuíram para o descontentamento.

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Este descontentamento foi ainda mais estimulado pelo Chega, um partido populista que potencialmente poderá tirar o máximo partido do atual estado de espírito da população.

Espera-se que o Chega seja o terceiro partido mais votado, numa mudança política para a direita que já se verificou noutras partes da Europa. A Espanha e a França registaram tendências semelhantes nos últimos anos.

O Chega pode mesmo vir a desempenhar o papel de _kingmake_r se um partido maior precisar do apoio de rivais mais pequenos para formar governo.

A votação começou às 8 horas da manhã e a maioria dos resultados era esperada poucas horas depois de as assembleias de voto encerrarem às 20 horas.

Presidente votou antecipadamente para incentivar voto em mobilidade

O presidente da República, que votou na semana passada através da modalidade voto antecipado, apelou ao voto porque os tempos de incerteza nos assuntos mundiais ameaçavam o bem-estar do país. Nas últimas eleições, em 2022, a taxa de participação foi de 51%.

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Num discurso televisivo à nação no sábado à noite, Rebelo de Sousa disse que o resultado imprevisível das eleições no final deste ano para o Parlamento Europeu e nos Estados Unidos, bem como a guerra na Ucrânia e os conflitos no Médio Oriente, poderiam trazer mais dificuldades económicas.

"É em momentos difíceis como este que o voto se torna mais importante", afirmou.

Governo caíu em novembro

As eleições realizam-se porque o líder socialista António Costa se demitiu em novembro, após oito anos como primeiro-ministro, no meio de uma investigação de corrupção envolvendo o seu chefe de gabinete. Costa não foi acusado de qualquer crime.

Também os sociais-democratas ficaram comprometidos, pouco antes da campanha, por um escândalo de corrupção que levou à demissão de dois importantes dirigentes do partido.

Entretanto, os eleitores manifestaram-se preocupados com o nível de vida em Portugal, à medida que as pressões financeiras aumentam.

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O afluxo de investidores imobiliários estrangeiros e de turistas que procuram alugueres de curta duração provocou um aumento dos preços das casas, especialmente em grandes cidades como a capital Lisboa, onde muitos habitantes locais estão a ser excluídos do mercado.

A economia parece estar presa a uma velocidade baixa. Os portugueses, que há muito se encontram entre os que ganham menos na Europa Ocidental, receberam, no ano passado, um salário médio mensal, antes de impostos, de cerca de 1500 euros, o que mal dá para alugar um apartamento com um quarto em Lisboa. Cerca de 3 milhões de trabalhadores portugueses ganham menos de 1000 euros por mês.

Entretanto, o número de pessoas sem médico de família atribuído subiu para 1,7 milhões no ano passado, o número mais elevado de sempre e acima dos 1,4 milhões registados em 2022.

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