Agência de apoio aos refugiados da Palestina diz que a fome "está por todo o lado" em Gaza

Palestinianos juntam-se para o primeiro dia do Ramadão em Rafah, na Faixa de Gaza
Palestinianos juntam-se para o primeiro dia do Ramadão em Rafah, na Faixa de Gaza Direitos de autor AP Photo
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Famílias marcaram o início do Ramadão em Rafah, no sul de Gaza, com escassas reservas de comida e por entre os destroços causados pelos bombardeamentos israelitas. Agência de apoio aos refugiados da Palestina diz que a fome "está por todo o lado" em Gaza. Egito lança comida para o norte do enclave.

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Com as negociações de cessar-fogo estagnadas, os palestinianos reuniram-se esta segunda-feira para dar as boas-vindas a um Ramadão que, este ano, será muito mais duro.

O mês sagrado para os muçulmanos, tipicamente um período de alegria e reflexão comunitária, é ensombrado por um conflito que já custou dezenas de milhares de vidas palestinianas e deixou vastas áreas de Gaza em ruínas.

Os ataques de Israel são constantes e, segundo a Al Jazeera, nove pessoas foram mortas enquanto aguardavam por ajuda junto à rotunda do Kuwait, na cidade de Gaza.

Pelo menos 20 pessoas ficaram feridas no quarto ataque deste género contra pessoas que esperavam para receber apoio humanitário.

Muitos deram início às orações do Ramadão por entre os destroços das mais de mil mesquitas destruídas pelos bombardeamentos israelitas. Na Faixa de Gaza, havia cerca de 1.200 mesquitas.

O conflito também tirou a vida a mais de 100 imãs, afetando ainda mais a vida religiosa de Gaza e marcando uma perda significativa para a comunidade muçulmana local.

Jawdat Breka, deslocado de Khan Younis, assinalou o grande contraste entre este Ramadão e o anterior.

"Graças a Deus, temos este Iftar aqui nas ruínas. Não temos casas, nem móveis", disse Breka, afirmando que ele e a sua família vieram a pé para Rafah em busca de refúgio.

"No último Ramadão, estava em minha casa, estávamos a preparar-nos com os nossos vizinhos e os nossos filhos, e estávamos felizes. Hoje, temos ruínas e lixo", acrescentou.

As famílias palestinianas, incluindo crianças e mulheres, prepararam o Iftar, refeição com a qual os muçulmanos quebram o jejum diário durante o Ramadão, com os poucos alimentos disponíveis.

"Fome está por todo o lado"

 A agência da ONu de apoio aos refugiados da Palestina (UNRWA) afirma que "a fome está por todo o lado em Gaza" no início do Ramadão e reitera os apelos a um "cessar-fogo imediato" durante o mês sagrado.

O diretor da UNRWA denunciou na rede social X que "um camião carregado de ajuda humanitária foi mandado para trás porque tinha tesouras utilizadas em kits médicos para crianças".

"As tesouras médicas são agora acrescentadas a uma longa lista de artigos proibidos que as autoridades israelitas classificam como 'de dupla utilização'", escreve Philippe Lazzarini, que sublinha que Israel proíbe "artigos básicos e que salvam vidas", como "anestésicos, luzes solares, garrafas de oxigénio e ventiladores, pastilhas para limpeza de água, medicamentos para o cancro e kits de maternidade".

"A vida de 2 milhões de pessoas depende disso, não há tempo a perder.", insiste.

O Ministério da Defesa do Egipto publicou um vídeo esta segunda-feira ilustrando o lançamento de comida sobre o norte da Faixa de Gaza.

O Egipto é um dos vários países que têm estado a enviar ajuda para Gaza perante o agravamento da crise humanitária que deixou quase um quarto da população à beira da fome.

Mais de 31 mil mortos desde o início da guerra

O Ministério da Saúde de Gaza informou na segunda-feira que o número de mortos desde o início do conflito atingiu os 31.112, com 67 vítimas mortais só nas últimas 24 horas. Há registo de mais de 72.000 feridos.

A ofensiva aérea e terrestre de Israel devastou grande parte da Faixa de Gaza e, dos 2,3 milhões de palestinianos do território, cerca de 80% corresponde a deslocados.

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O número de mortos em Israel, na sequência dos ataques de 7 de outubro do Hamas, ascende a 1.139 e dezenas de pessoas continuam em cativeiro na Faixa de Gaza.

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