Mortos pelo menos 100 palestinianos que aguardavam entrega de comida na cidade de Gaza

Mais de 100 palestinianos mortos quando aguardavam entrega de ajuda humanitária
Mais de 100 palestinianos mortos quando aguardavam entrega de ajuda humanitária Direitos de autor AP Photo
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Há registo de 760 feridos. Palestinianos dizem que tropas israelitas abriram fogo contra a multidão. Israel afirma que civis morreram na debandada, atropelados pelos camiões de ajuda humanitária. Hamas alerta que os acontecimentos podem pôr fim às negociações para a libertação de reféns.

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Pelo menos 100 palestinianos foram mortos e 760 ficaram feridos no oeste da cidade de Gaza, esta quinta-feira, depois de uma multidão que aguardava a distribuição de comida ter fugido de ataques israelitas com tanques e drones, avança o Ministério da Saúde de Gaza.

Os civis estavam reunidos na rua al-Rashid, onde aguardavam que camiões de ajuda humanitária entregassem farinha.

O repórter da Al Jazeera, Ismail al-Ghoul, conta que, após abrirem fogo contra a multidão, os tanques israelitas avançaram e atropelaram muitos dos que acabaram mortos e feridos.

Há, no entanto, relatos contraditórios sobre os acontecimentos que conduziram às mortes. 

O Hamas acusa as forças israelitas de matarem os civis a tiro. Já o exército israelita afirma que "dezenas de pessoas foram mortas e feridas devido a empurrões e atropelamentos pelos camiões", descrevendo o incidente como uma "tragédia" e acrescentando que está a analisá-lo. As forças israelitas publicaram mesmo um vídeo da multidão, referindo que os palestinianos chegaram a atacar os camiões que distribuíam a comida.

Segundo o porta-voz do Crescente Vermelho Palestiniano, citado pela CNN,  o número de mortos e feridos deve aumentar, uma vez que muitos corpos ainda se encontram na rua. Além disso, as ambulâncias têm dificuldade em prestar auxílio aos civis porque os escombros estão a bloquear o caminho. 

Acordo para libertação de reféns pode estar em risco

Um membro sénior do Hamas avisou que as mortes dos palestinianos que esperavam pela entrega de comida  podem levar ao fracasso das conversações em curso com vista à libertação dos reféns e a um cessar-fogo.

"As negociações não são um processo aberto", sublinhou Ezzat Al-Risheq numa declaração publicada pelo Hamas no Telegram. "Não permitiremos que o caminho das negociações... [se torne] uma cobertura para os crimes contínuos do inimigo contra o nosso povo na Faixa de Gaza.", complementou.

O presidente dos Estados Unidos já deixou claro que o incidente mortal irá complicar as conversações sobre um cessar-fogo, adiantando que provavelmente já não se confirmarão as expetativas que tinha de um cessar-fogo temporário até à próxima segunda-feira.

 Joe Biden não deixou de ressalvar que ainda está a verificar os factos, tendo em conta que há "duas versões contraditórias" sobre o que aconteceu.

Mais de 30.000 mortos em Gaza desde o início da guerra

Mais de 30.000 pessoas foram mortas em Gaza desde o início da guerra entre Israel e o Hamas, em outubro, informou o Ministério da Saúde do enclave. 

Em concreto, avançam as autoridades de Gaza, 30.035 pessoas morreram até agora, sendo que o número de feridos é superior a 70.000.

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