EUA vão apresentar projeto de resolução de cessar-fogo ao Conselho de Segurança da ONU

Blinken disse que seria "um erro" avançar com uma grande operação militar em Rafah
Blinken disse que seria "um erro" avançar com uma grande operação militar em Rafah Direitos de autor Amr Nabil/Copyright 2024 The AP. All rights reserved
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Estados Unidos elaboraram resolução própria para um cessar-fogo imediato em Gaza. Embaixadora norte-americana espera que proposta seja votada esta sexta-feira no Conselho de Segurança da ONU.

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Os Estados Unidos vão apresentar um projeto de resolução próprio ao Conselho de Segurança da ONU, exigindo um cessar-fogo imediato em Gaza, bem como a libertação incondicional de reféns, sem relacionar diretamente esses dois aspetos. A Embaixadora dos Estados Unidos nas Nações Unidas Linda Thomas-Greenfiled espera que o projeto vá a votação o mais rápido possível, provavelmente ainda esta sexta-feira.

Os Estados Unidos vetaram vários projetos de outros países no Conselho de Segurança da ONU. Há um mês bloqueram a aprovação da proposta argelina, justificando que "não permitiria que a paz sustentável fosse alcançada e, de facto, poderia ter o efeito oposto".

Um dos principais obstáculos nesta discussão é a classificação do Hamas enquanto grupo terrorista e a perceção dos ataques de 7 de outubro do ano passado no sul de Israel.

Ao mesmo tempo, outros 10 países estão a elaborar rascunhos próprios para chegar a uma resolução de cessar-fogo. De acordo com o Embaixador francês Nicolas de Rivière, este texto pode servir como um "plano B" no caso da proposta norte-americana falhar.

Os EUA têm aumentado o envolvimento diplomático e a pressão sobre Israel. O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, visitou os países do Médio Oriente para discutir tréguas e questões humanitárias: depois da Arábia Saudita e do Egito, deverá deslocar-se a Israel esta sexta-feira para dialogar com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Washington já se manifestou contra uma operação israelita em Rafah, onde se concentram mais de um milhão de refugiados palestinianos de toda a Faixa de Gaza. 

Blinken disse que seria "um erro" avançar com uma operação terrestre nesta cidade do sul de Gaza e que, de qualquer das formas, não servirá para derrotar o Hamas. 

O secretário de Estado norte-americano insinuou que na próxima semana, uma delegação de diplomatas vai ter oportunidade para expor a opinião dos Estados Unidos sobre a situação aos homólogos israelitas. Se tiverem sucesso, podem conseguir que a operação em Rafah seja adiada, pelo menos durante algum tempo.

"Uma grande operação militar em Rafah seria um erro. Algo que não apoiamos. E também não é necessário para negociar com o Hamas, o que é necessário. Vamos ter uma oportunidade na próxima semana de partilhar em pormenor essa visão com os nossos homólogos israelitas e de expor os nossos pontos de vista sobre como lidar com o problema de forma diferente", afirmou.

Em todo o caso, os detalhes práticos para uma possível trégua e troca de reféns serão negociados em Doha. Esta sexta-feira, responsáveis dos serviços secretos dos EUA e Israel partirão para o Qatar para retomar o processo mais do que uma vez fracassado no formato Egito-Israel-EUA. 

Há cerca de uma semana, o Hamas propôs outro plano de troca de reféns, aparentemente levando em consideração as críticas israelitas. Netanyahu considerou a nova proposta "irrealista", mas concordou em enviar outra delegação ao Qatar.

Perante este cenário, a ONU e as organizações humanitárias continuam preocupadas com a fome iminente em Gaza. Na quinta-feira, o chefe da Organização Mundial de Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, saudou o recente aumento das rotas de abastecimento aéreo e marítimo, mas sublinhou que apenas mais corredores terrestres podem ajudar a evitar a fome.

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