De acordo com Svitlana Taran, investigadora do Centro de Política Europeia, o risco de a UE levantar as sanções contra Moscovo, que são aprovadas por unanimidade de seis em seis meses, complicaria o reembolso do empréstimo.
A União Europeia (UE) deu luz verde para a concessão de um empréstimo à Ucrânia no valor de 35 mil milhões de euros.
Embora os 27 já tenham concedido financiamento a Kiev em várias ocasiões, o método de reembolso deste empréstimo não tem precedentes.
Será gradualmente reembolsado com os juros dos ativos russos congelados no início do conflito.
Estas reservas russas ascendem a cerca de 270 mil milhões de euros, dos quais 210 mil milhões estão congelados na UE. Os lucros gerados são estimados entre 2,5 e 3 mil milhões de euros por ano.
Svitlana Taran, investigadora do Centro de Política Europeia, congratula-se com o mecanismo "criativo" da UE para apoiar a Ucrânia.
Segundo um acordo inicial alcançado em junho, o G7 concederia coletivamente 45 mil milhões de euros a Kiev até ao final do ano. A UE e os EUA tencionavam contribuir com 18 mil milhões de euros cada um.
No final, a UE colocou mais dinheiro em cima da mesa porque Washington condicionou a sua participação a uma extensão das sanções da UE contra Moscovo.
Existe o risco de, a dada altura, as sanções contra os ativos russos não serem prolongadas", disse Svitlana Taran à Euronews. "Por isso, os futuros fluxos de rendimento dos ativos russos podem ser interrompidos".
Estas sanções são votadas por unanimidade de seis em seis meses, mas a UE gostaria de as renovar de três em três anos, para uma maior estabilidade.
Os Estados Unidos receiam também que qualquer Estado-Membro que bloqueie as sanções possa fazer descarrilar o plano.
Por seu lado, a Hungria já declarou que iria travar qualquer alteração ao regime de sanções até às eleições presidenciais americanas.
De acordo com Svitlana Taran, a Hungria poderia então utilizar este bloqueio como "um meio de negociação futura com os membros da UE e talvez também com o presidente dos EUA".
O valor de 35 mil milhões de euros não é definitivo. A UE poderá reduzir a sua participação se os outros países do G7 se mostrarem interessados.
"Os Estados Unidos, por exemplo, poderiam considerar um suplemento para a segunda metade do ano, após as eleições, mas nada está garantido", disse à Euronews Kristine Berzina, diretora-geral de geoestratégia do Norte do Fundo Marshall Alemão.
Berzina disse à Euronews que Kiev será livre de decidir como utilizar estes fundos.
"De acordo com o presidente ucraniano, este dinheiro será utilizado para cobrir as necessidades urgentes da Ucrânia para reconstruir a sua energia e outras infraestruturas essenciais, bem como para a defesa aérea e abrigos antibombas", explica Svitlana Taran.
A bola está agora no campo do Parlamento Europeu, que, por sua vez, tem de ratificar o acordo.