O interrogatório da líder do Rassemblement National, Marine Le Pen, deverá prolongar-se até quarta-feira à noite.
Marine Le Pen explicou-se perante o Tribunal de Recurso de Paris, na terça-feira, no primeiro dia de uma audiência dedicada ao seu papel no caso dos assistentes parlamentares do partido Frente Nacional, que se tornou Rassemblement National em 2018. Esta é uma audiência decisiva para a sua campanha presidencial de 2027.
Em primeira instância, Le Pen foi condenada a quatro anos de prisão, dois dos quais não suspensos, a uma multa de 100 mil euros e, sobretudo, a cinco anos de inelegibilidade provisória, que a impede atualmente de se candidatar às próximas eleições presidenciais.
No centro dos debates: a partilha dos assistentes parlamentares, um ponto-chave do processo.
Perante os magistrados, Marine Le Pen defendeu longamente este modo de funcionamento. "Há duas categorias de deputados. Os que estão num grupo e os não inscritos", declarou, assegurando que, durante dez anos, o Parlamento Europeu "não nos censurou" pelo facto de os assistentes trabalharem para vários eleitos. Segundo ela, esta organização nunca foi posta em causa pela instituição.
A antiga presidente da FN negou novamente qualquer intenção criminosa. "Sobre este aspeto do agrupamento, nunca nos colocámos a questão", afirmou, assegurando que a administração do Parlamento Europeu"nunca nos alertou" para uma eventual violação das regras.
Confrontada com várias mensagens de correio eletrónico que fazem referência a reuniões internas sobre o recrutamento de assistentes, Marine Le Pen afirma que essas escolhas justificam-se pela diversidade de tarefas a realizar para o partido. Reconheceu que alguns assistentes eram "partilhados" entre vários deputados eleitos por razões de organização.
Marine Le Pen também contestou a descrição de "sistema"utilizada contra ela. "Estes factos são uma sucessão de casos muito diferentes uns dos outros, que se arrastam há 12 anos. São situações muito diferentes", insistiu, rejeitando a ideia de uma organização estruturada para contornar as regras.
Questionada pelo juiz sobre se tinha admitido as acusações de que era alvo, não deu uma resposta clara.
Durante a audiência, o presidente referiu-se a uma mensagem eletrónica enviada pelo eurodeputado Jean-Luc Schaffhauser a Wallerand de Saint-Just, tesoureiro do partido na altura, na qual este citava os regulamentos europeus e alertava para o risco de "emprego fictício." Saint-Just respondeu: "acho que a Marine sabe tudo sobre isso."
Marine Le Pen afirmou que não tinha conhecimento desta troca de mensagens: "Não posso dizer nada sobre este e-mail, não fui informada", acrescentando que, se o tivesse recebido, não teria sido "tão casual" como o seu antigo tesoureiro.
A deputada acusou ainda vários ex-colaboradores de mentirem ou prestarem falsos testemunhos, alegando que estavam a procurar vingança depois de terem sido expulsos do partido.
Também tentou minimizar o seu papel na gestão do grupo parlamentar europeu, afirmando que "o controlo político foi exercido por Jean-Marie Le Pen(seu pai, falecido em 2025)até 2014", apesar de se ter tornado presidente da FN em 2011.
No primeiro dia do julgamento do recurso, a 13 de janeiro, Marine Le Pen já tinha mudado a sua linha de defesa, deixando de negar a existência de um crime e negando qualquer vontade de o cometer.
" O Parlamento Europeu não desempenhou o seu papel de denunciante como deveria ter feito, não escondemos absolutamente nada, nem nos contratos nem no organigrama_",_ afirmou.