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Recurso judicial de Marine Le Pen: risco de interferência dos EUA?

Marine Le Pen em frente ao Museu do Louvre, sexta-feira, 24 de outubro de 2025, Paris.
Marine Le Pen em frente ao Museu do Louvre, sexta-feira, 24 de outubro de 2025, Paris. Direitos de autor  AP Photo/Thomas Padilla
Direitos de autor AP Photo/Thomas Padilla
De Euronews com AFP
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O presidente do Tribunal de Justiça de Paris está preocupado após informações divulgadas pela imprensa indicarem que a administração Trump teria considerado aplicar sanções aos magistrados que condenaram Marine Le Pen em primeira instância no caso de desvio de fundos europeus.

A poucos dias do arranque do julgamento do recurso do caso que envolve Marine Le Pen, o presidente do Tribunal de Justiça de Paris abordou o tema.

Peimane Ghaleh-Marzban advertiu contra uma possível "ingerência inaceitável e intolerável", na sequência de ameaças de sanções norte-americanas contra os juízes que condenaram a presidente do Rassemblement National (RN) em primeira instância.

No caso sobre os assistentes parlamentares europeus do FN (atual RN), Marine Le Pen foi condenada a cinco anos de inelegibilidade, com efeito imediato, quatro anos de prisão, dois dos quais suspensos, e uma multa de 100.000 euros. O julgamento do recurso que apresentou, bem como o de onze outros arguidos, tem início a 13 de janeiro.

O presidente do Tribunal de Justiça de Paris ficou preocupado depois de ler um artigo publicado no Der Spiegel, a 30 de dezembro.

Segundo fontes da revista semanal alemã, em março passado, a administração Trump considerou a possibilidade de impor sanções contra três juízes que conduziram o julgamento. A administração norte-americana terá criticado os juízes por "censurarem" a presidente do RN.

De acordo com o Der Spiegel, a administração Trump também considerou, há vários meses, a possibilidade de sancionar funcionários alemães por terem classificado o Alternativa para a Alemanha (AfD) como "partido de extrema-direita".

Poucos dias depois da condenação de Marine Le Pen em primeira instância, Donald Trump disse que a presidente da RN era vítima de uma "caça às bruxas" por parte de "esquerdistas europeus que estão a recorrer à arma judicial para silenciar a liberdade de expressão". Donald Trump não mencionou, nesse momento, nem o executivo nem a justiça francesa.

A administração norte-americana não confirmou nem negou ter considerado sanções contra magistrados franceses.

No entanto, o presidente do Tribunal Judicial de Paris lança, no entanto, um apelo para "nos insurgirmos contra a própria possibilidade de que tal possa ser imaginado".

Na hipótese de Washington ter considerado a possibilidade de impor sanções contra magistrados franceses, as recentes declarações de Marine Le Pen certamente incomodaram os seus defensores americanos.

A presidente do RN, que não tem o hábito de criticar Donald Trump, juntou-se ao coro de condenações relativamente à "Absolute Resolve", a operação dos EUA em Caracas. Segundo Marine Le Pen, mesmo que existissem "mil razões para condenar o regime de Nicolás Maduro [...], a soberania dos Estados nunca é negociável [...]. Renunciar a este princípio hoje pela Venezuela, por qualquer Estado, equivaleria a aceitar amanhã a nossa própria servidão".

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