O residente dos Estados Unidosfez uma aparição inesperada na sala de imprensa da Casa Branca antes da sua viagem para Davos, numa altura em que aumentam as tensões sobre a Gronelândia e se perfilam ameaças de uma guerra comercial cada vez mais profunda entre Washington e a Europa.
"Vocês vão descobrir", afirmou o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, quando lhe perguntaram até onde estava disposto a ir para se apoderar da Gronelândia, durante uma aparição inesperada na sala de imprensa da Casa Branca, na terça-feira.
Ao mesmo tempo, Trump manteve-se confiante de que os aliados da NATO "vão encontrar uma solução", antes da sua partida para o Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça.
"Penso que vamos encontrar uma solução em que a NATO ficará muito satisfeita e em que nós ficaremos muito satisfeitos", afirmou, sem fornecer pormenores.
"Temos muitas reuniões agendadas sobre a Gronelândia e penso que as coisas vão correr muito bem", declarou Trump aos jornalistas sobre as suas reuniões em Davos.
Os comentários de Trump foram feitos apesar da firmeza dos líderes europeus na defesa do território dinamarquês nos últimos dias.
No fim de semana, o líder norte-americano impôs novas taxas aos países europeus, incluindo a Grã-Bretanha, França e Alemanha, que enviaram tropas para a Gronelândia em solidariedade.
Trump rejeitou a ideia de que estava a pôr em risco um acordo do ano passado com a União Europeia (UE), no qual os aliados prometeram aumentar o investimento nos Estados Unidos, dizendo: "Eles precisam muito desse acordo connosco".
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reagiu às ameaças de Trump, prometendo que a resposta da UE "será inabalável, unida e proporcional", enquanto falava em Davos na terça-feira.
A tomada de posições mais firmes desafia a abordagem que muitos líderes europeus têm oferecido desde que Trump regressou ao cargo, principalmente apaziguando o presidente norte-americano para tentar ficar nas suas boas graças, enquanto trabalham através de outras vias para encontrar um compromisso.
Trump diz que os EUA precisam da Gronelândia para dissuadir possíveis ameaças da China e da Rússia. Mas a sua insistência contínua nas últimas semanas de que tudo o que não seja a posse da Gronelândia pelos EUA é inaceitável está a testar os limites da estratégia mais suave.
Entretanto, o avião de Trump, Air Force One, regressou à Base Conjunta Andrews cerca de uma hora depois de ter partido para a Suíça, na terça-feira à noite.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que a decisão de regressar foi tomada após a descolagem, quando a tripulação a bordo do Air Force One identificou "um pequeno problema elétrico" e, por uma questão de precaução, decidiu dar meia volta.
Um jornalista a bordo disse que as luzes da cabina de imprensa do avião se apagaram por breves instantes após a descolagem, mas não foi dada qualquer explicação imediata. Cerca de meia hora depois da descolagem, os jornalistas foram informados de que o avião iria dar meia volta.
Trump viajará noutro avião e prosseguirá o seu trajeto para Davos, onde discursará no Fórum Económico Mundial.