O primeiro-ministro britânico enfrenta uma intensa pressão sobre a nomeação, depois de documentos recentemente divulgados terem revelado mais pormenores sobre as ligações de Mandelson a Epstein, apontando para uma relação mais próxima do que Mandelson tinha revelado anteriormente.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, pediu desculpa às vítimas de Jeffrey Epstein por ter nomeado Peter Mandelson embaixador do Reino Unido em Washington.
Num discurso proferido na quinta-feira, Starmer disse que Mandelson "retratou Epstein como alguém que mal conhecia."
"Lamento (...) ter acreditado nas mentiras de Mandelson e tê-lo nomeado", declarou o primeiro-ministro britânico.
Starmer demitiu Mandelson em setembro, depois de terem sido publicados emails que mostravam que ele mantinha uma amizade com Epstein após a condenação do falecido financeiro, em 2008, por crimes sexuais envolvendo um menor.
O primeiro-ministro britânico nunca conheceu Epstein e não é acusado de qualquer irregularidade, no entanto, enfrenta uma intensa pressão sobre a nomeação, depois de documentos recentemente divulgados terem revelado pormenores sobre a relação de Mandelson com Epstein.
"Mentiram-me", disse Starmer. "Já há algum tempo que era do conhecimento público que Mandelson conhecia Epstein, mas nenhum de nós conhecia a profundidade e a obscuridade dessa relação."
A polícia britânica está a investigar Mandelson por potencial má conduta em cargos públicos. Não é acusado de qualquer crime sexual.
Epstein morreu por suicídio numa cela de prisão em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações federais dos EUA que o acusavam de abusar sexualmente de dezenas de raparigas.
Mandelson demasiado arriscado, Starmer ingénuo
Os documentos publicados na semana passada pelo Departamento de Justiça dos EUA contêm revelações que sugerem que Mandelson partilhou informações governamentais sensíveis com Epstein após a crise financeira global de 2008.
Os ficheiros também contêm mensagens que apontam para uma relação mais próxima do que Mandelson tinha revelado anteriormente.
A informação agora divulgada também sugere que, entre 2003 e 2004, Epstein enviou três pagamentos no valor total de 75 mil dólares (63 500 euros) para contas ligadas a Mandelson ou ao seu sócio Reinaldo Avila da Silva, atualmente seu marido.
Mandelson, 72 anos, tem sido uma figura importante e polémica no Partido Trabalhista desde a década de 1990. Demitiu-se duas vezes de altos cargos em administrações anteriores devido a escândalos envolvendo dinheiro ou ética.
Foi escolhido para embaixador porque a sua experiência comercial, a sua rede de contactos e o seu domínio das tácticas políticas foram considerados trunfos para lidar com a administração do presidente Donald Trump.
Os críticos afirmaram que os laços de Mandelson com Epstein tornavam a sua nomeação demasiado arriscada e que Starmer era ingénuo.
"Penso que o primeiro-ministro mostrou que o seu discernimento é questionável", disse a deputada trabalhista Paula Barker.
"Acho que ele tem perguntas a responder. Penso que tem um longo caminho a percorrer para reconstruir a confiança do público e a confiança do nosso partido."