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Milhares de professores romenos protestam contra medidas de austeridade planeadas pelo governo

Um homem segura um papel onde se lê "O ser humano instruído já não é procurado", enquanto professores e funcionários do sistema educativo participam num protesto contra as medidas de austeridade planeadas
Um homem segura um papel onde se lê "O ser humano instruído já não é procurado", enquanto professores e funcionários do sistema educativo participam num protesto contra as medidas de austeridade planeadas Direitos de autor  AP Photo
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De Silviu Jugaru
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Os professores deste país da Europa de Leste, com quase 19 milhões de habitantes, ameaçaram entrar em greve se o governo implementar as medidas.

Insatisfeitos com as medidas de austeridade previstas pelo governo para o setor da educação, milhares de professores e funcionários do ensino romeno saíram às ruas, esta semana, em protesto.

A manifestação em Bucareste, na quarta-feira, ocorreu depois de o governo de coligação liderado pelo primeiro-ministro Ilie Bolojan ter aprovado dois pacotes de austeridade para reduzir o défice orçamental no âmbito das reformas.

As novas medidas de austeridade impõem especificamente um corte de 10% no fundo salarial das instituições públicas. Os professores deste país da Europa de Leste, com cerca de 19 milhões de habitantes, ameaçaram entrar em greve se o governo puser em prática estas medidas.

"Os fundos afetados ao Ministério da Educação já foram reduzidos em 600 milhões de lei (117,8 milhões de euros). Já estão a ser aplicados; foi por isso que saímos às ruas para que o terceiro pacote de austeridade não pudesse ser posto em prática pelo governo de Bolojan", disse um dos manifestantes.

"A falta de financiamento e os cortes na educação continuam, embora, para ter um futuro, este país precise de mais dinheiro investido na educação", referiu outro manifestante.

Vários manifestantes argumentam que as novas decisões irão afetar as condições de trabalho nas escolas e universidades.

"Para o ensino superior, juntamente com o pré-universitário, no ano passado aumentaram as taxas [de acesso] e aplicaram algumas medidas, e agora vêm dizer que isso é igual a zero e que tem de ser cortado novamente em 10%", destacou um funcionário universitário em protesto.

"O que nos desagrada é o facto de terem suspendido os fundos e bloqueado as nossas receitas, que eram uma fonte de desenvolvimento para as universidades, especialmente as que se baseiam na investigação", acrescentou.

Uma mulher sopra uma vuvuzela enquanto professores e funcionários do sistema educativo participam num protesto contra as medidas de austeridade propostas
Uma mulher sopra uma vuvuzela enquanto professores e funcionários do sistema educativo participam num protesto contra as medidas de austeridade propostas Andreea Alexandru/AP

Liviu-George Maha, reitor da Universidade de Iași, também se manifestou.

"As universidades geram as suas próprias receitas, para além das propinas", disse Maha à Euronews.

"Quando até as receitas próprias da universidade, provenientes de várias fontes, não puderem ser utilizadas, incluindo para despesas salariais, a pressão recairá exclusivamente sobre o orçamento do Estado e, na ausência de recursos financeiros, será cada vez mais difícil financiar a educação", explicou Maha.

Sindicatos ameaçam entrar em greve

A situação também suscitou diálogos e comparações com a Ucrânia, onde os orçamentos para a educação foram aumentados.

"Se um país em guerra aumenta os salários dos professores e as bolsas de estudo dos estudantes, que outra explicação poderá ter qualquer outro país que não esteja em guerra?", afirmou Mihnea Costoiu, reitor da Universidade Politécnica de Bucareste.

"Um país que compreende que, no momento mais complicado da sua existência, precisa de investir naqueles que podem tirar o país da situação em que se encontra", afirmou Costoiu, em declarações à Euronews.

"Que explicação podemos ter quando dizemos às pessoas que estamos a cortar os recursos daqueles que realmente produzem conhecimento ou fazem o bem?"

Três sindicatos do setor da educação deverão anunciar este mês se vão fazer greve em março ou junho. Além disso, os sindicatos do setor da educação lançaram uma campanha de petição em apoio a uma iniciativa legislativa de cidadãos.

A ação, dizem, visa revogar o que os sindicatos descrevem como sendo medidas anti-educação adotadas pelo governo. Para que a proposta seja apresentada ao parlamento, são necessárias pelo menos 100 mil assinaturas.

O projeto de orçamento com as novas medidas será apresentado ao parlamento até 20 de fevereiro.

Editor de vídeo • Jerry Fisayo-Bambi

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