Coimbra está a preparar-se para uma possível cheia centenária, a A1 está cortada em dois locais, devido a colapso da via e risco de queda de placar, há escolas encerradas e ligações fluviais e ferroviárias suspensas. Eis o estado do país.
Esta sexta-feira vai ser mais um dia de muita chuva e vento, sobretudo nas regiões Norte e Centro do país. Coimbra, por exemplo, está a preparar-se agora para a eventualidade de uma cheia que, nas palavras da autarca, Ana Abrunhosa, poderá ser "centenária".
O IPMA colocou sete distritos do país sob aviso amarelo: Aveiro, Braga, Coimbra, Leiria, Porto, Viana do Castelo e Viseu. Há ainda previsão de vento forte no litoral e terras altas, com as rajadas a atingirem os 100km/h. Além disso, também toda a costa está sob aviso (laranja e amarelo) devido à agitação marítima.
Isto numa altura em que, segundo informou o instituto meteorológico na quinta-feira, Portugal continental está a ser atravessado por "um sistema frontal associado a uma região depressionária centrada a norte da Península Ibérica".
A depressão Oriana, assim intitulada, "não irá afetar Portugal continental diretamente", já que o seu desenvolvimento estava previsto "em território espanhol", mas os seus efeitos têm sido largamente sentidos um pouco por todo o país.
Acompanhe aqui as últimas atualizações sobre o impacto do mau tempo em Portugal:
${title}
Montemor-o-Velho mantém vigilância no rio Mondego
Em Montemor-o-Velho, um dos municípios mais afetados pelas consequências das condições meteorológicas adversas ao longo dos últimos dias, a situação permanecia calma esta manhã, com níveis de água semelhantes aos registados na quinta-feira, revelou à agência Lusa o presidente da Câmara, José Veríssimo.
No entanto, acrescentou que continuam a existir razões para preocupação, numa altura em que a localidade de Ereira continua completamente isolada, devido à subida do rio Mondego.
Deslizamentos de terras e inundações obrigam a evacuações
Outro dos principais impactos das chuvas fortes e persistentes que se têm registado ao longo dos últimos dias prende-se com a ocorrência de deslizamentos de terras em vários pontos do país.
Um incidente dessa natureza em Ponte da Barca, no distrito de Viana do Castelo, obrigou à retirada de três pessoas de casa durante a madrugada, informou o comandante dos Bombeiros Voluntários de Ponte de Lima à agência Lusa. Não há registo de feridos.
No concelho de Sobral de Monte Agraço, no distrito de Lisboa, de acordo com a mesma agência noticiosa, outras quatro pessoas tiveram de abandonar as suas habitações na localidade de Pé do Monte, na sequência de um deslizamento de terras. E em Casal da Barqueira, seis pessoas foram encaminhadas para um empreendimento de turismo rural devido ao risco de inundação.
Empenhados 3.198 militares para responder às intempéries
Em ponto de situação enviado às redações, a que a Euronews teve acesso, as Forças Armadas informaram ter empenhado "3.198 militares, 382 viaturas, 22 máquinas de engenharia, 67 embarcações e duas lanchas anfíbias de reabastecimento" durante o dia de quinta-feira, até às 17:00, no âmbito da Operação "Intempéries".
Durante esse período, foram mobilizados para desempenhar, principalmente, tarefas de "reforço da capacidade de contenção de caudais", "relocalização de pessoas e bens através de meios anfíbios", "reforço da capacidade de fornecimento de energia elétrica com recurso a geradores" e "da capacidade de remoção de escombros e desobstrução de vias".
Um novo ponto de situação, referente a esta sexta-feira, será emitido pelas Forças Armadas ao final do dia.
Já a Força Aérea Portuguesa, em publicação no Facebook esta manhã, informa que "mantém 560 militares empenhados no apoio às populações, realizando voos de reconhecimento e transporte de bens essenciais, bem como ações de apoio direto no terreno".
Número de clientes sem energia volta a subir devido a "novas avarias"
Em comunicado, a E-REDES informou que o número de clientes sem fornecimento de eletricidade voltou a aumentar, atingindo agora 45 mil em todo o país, de acordo com o balanço referente às 8:00 desta sexta-feira. Algo que se deve "ao surgimento de novas avarias e inundações".
Nas zonas mais impactadas pela passagem da depressão Kristin, cerca de 36 mil clientes permaneciam sem abastecimento energético.
Circulação condicionada em várias estradas do país
Também nas vias rodoviárias se fazem sentir os efeitos do mau tempo. No distrito de Porto, registavam-se hoje, pelas 9:30, condicionamentos em pelo menos duas dezenas de estradas, em oito concelhos, informou fonte da GNR à agência Lusa.
No distrito de Aveiro, por sua vez, a GNR avançou, em balanço divulgado à mesma agência noticiosa, que continuavam a existir, pelas 8:30, 49 vias interditas ou condicionadas, por motivos de inundação, desmoronamento e abatimento do piso. São, ainda assim, menos nove do que no dia anterior.
Já no concelho de Montemor-o-Velho, adiantou a autarquia em comunicado no seu site, a "subida das águas está a provocar vários constrangimentos à circulação rodoviária". Ao nível dos mais recentes cortes de vias, destaca-se que a antiga Estrada Nacional 111 "está cortada no troço entre o Parque de Negócios de Montemor-o-Velho e as Meãs do Campo, tal como entre Tentúgal e o limite do concelho". Além disso, também "a zona da Lavariz para a Carapinheira se encontra cortada à circulação rodoviária".
Apesar de noite "chuvosa e exigente", Tejo mantém caudais estabilizados
O rio Tejo mantém-se também em alerta vermelho, mas, apesar de uma última noite "chuvosa e exigente, com várias quedas de árvores e alguns movimentos de massa", os "caudais mantiveram-se ao nível do dia de ontem", revelou o comandante sub-regional da Proteção Civil do Médio Tejo, David Lobato, citado pela agência Lusa, esta sexta-feira.
O responsável fala de um cenário de "estabilização em valores elevados”, esperando-se que, durante o dia de hoje, possam existir algumas oscilações, tal como aconteceu ontem.
Isto numa altura em que continuam a ser realizadas descargas a montante, sendo esse o caso das barragens de Castelo do Bode, de Pracana e do Fratel.
Coimbra "em alerta máximo", mas ainda não foram ordenadas novas evacuações
Perante uma noite que "correu melhor do que o esperado", a autarca de Coimbra, Ana Abrunhosa, adiantou aos jornalistas que, por esse motivo, não foram emitidas novas ordens de evacuação nas últimas horas.
Ainda que se espere uma "manhã sem sobressaltos" para esta sexta-feira, a presidente da Câmara explicou que a zona permanece "em alerta máximo" e apelou, por isso, a que os cidadãos "estejam preparados para sair de casa a qualquer momento".
Ana Abrunhosa apontou ainda que os conimbricenses devem "proteger os seus bens, evitar deslocações desnecessárias e cumprir as orientações das autoridades". Isto numa altura em que, referiu também a autarca, se prevê um "dia complexo de acordo com a informação da APA [Agência Portuguesa do Ambiente]".
Face aos desenvolvimentos, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, irá para Coimbra ainda esta tarde.
Risco de queda de placar motivou corte de trânsito na A1, em Vila Franca de Xira
Um dia depois de ter ruído um troço da A1 na zona de Coimbra, na sequência da rutura do dique da Ponte dos Casais, no rio Mondego, a principal autoestrada do país, que faz a ligação entre Lisboa e Porto, registou novos constrangimentos na manhã desta sexta-feira, desta feita junto às portagens de Vila Franca de Xira.
Desde as 5:40, noticiou a agência Lusa com base em fonte da GNR, o trânsito foi cortado no sentido Sul-Norte, por prevenção, devido ao perigo de queda de um placar informativo.
Porém, segundo avançou posteriormente a Brisa à mesma agência noticiosa, esse troço de acesso à A1 a partir de Vila Franca de Xira, para quem faz a travessia no sentido Lisboa-Porto, foi reaberto pelas 9:00.
CP relata constrangimentos em alguns serviços ferroviários
As consequências do mau tempo têm motivado a interrupção de serviços de transporte público em vários pontos do país. Num balanço divulgado às 8:00 desta sexta-feira, a CP - Comboios de Portugal anunciou que, "devido ao agravamento do estado do tempo, com risco de cheias na região de Coimbra", estão atualmente "suspensos, sem previsão de retoma, os serviços de longo curso, na Linha do Norte", na ligação entre Porto e Lisboa.
A empresa ferroviária anunciou ainda que só "se realizam os serviços Regionais entre Entroncamento e Soure, Coimbra-Aveiro-Porto e entre Tomar e Lisboa".
No entanto, a CP relatou que "a circulação ferroviária na Linha do Sul já foi retomada", numa altura em que continuam a registar-se os seguintes constrangimentos em alguns serviços/linhas:
- "Linha do Alentejo - circulação suspensa entre Pegões e Bombel;
- Linha da Beira Baixa - continua suspensa, realizando-se apenas os comboios regionais entre Castelo Branco e Guarda e entre Entroncamento e Abrantes;
- Linha da Beira Alta - serviço Intercidades entre Coimbra e Guarda realiza-se com recurso a material circulante diferente do habitual;
- Linha de Cascais - comboios circulam com alterações nos horários;
- Linha do Douro - circulação suspensa entre Régua e Pocinho;
- Linha do Oeste - circulação suspensa;
- Urbanos de Coimbra - circulação suspensa."
Autarca de Coimbra alerta para possível cheia "centenária"
A presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, informou, na noite de quinta-feira, que a autarquia estava a preparar uma eventual retirada de nove mil pessoas de zonas de risco, especialmente em zonas urbanas, numa altura em que se considerava já a possibilidade de uma cheia "centenária" durante o dia de sexta-feira.
Estava previsto um pico de cheia entre as 8:00 e as 9:00, mas agora as autoridades mostram-se particularmente preocupadas com o que se segue, que deverá ocorrer por volta das 15:00.
O primeiro pico de cheia do rio Mondego foi menos severo do que se antecipava inicialmente, mas, neste momento, equipas da União de Freguesias de Coimbra estão na baixa da cidade com vista a recomendar aos moradores que salvaguardem os seus bens, reportou a agência Lusa, perante a possibilidade de inundações no local.