Apesar da evidente fragilidade do cessar-fogo alcançado entre os EUA e o Irão, evidenciada pelos recentes ataques de Israel ao Líbano, o governo espanhol anunciou que vai retomar a sua missão diplomática em Teerão.
O ministro dos Negócios Estrangeiros**,** José Manuel Albares, anunciou esta quinta-feira a reabertura da embaixada espanhola no Irão, após o seu encerramento a 7 de março, na sequência da retirada de todo o seu pessoal diplomático devido à ofensiva desencadeada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão.
"Dei hoje instruções ao nosso embaixador em Teerão para que regresse, reabra a embaixada espanhola em Teerão e se junte, de todos os vetores possíveis, incluindo a capital iraniana, a este esforço de paz", revelou Albares em declarações à imprensa.
A embaixada, chefiada pelo embaixador Antonio Sánchez-Benedito, que teve de ser evacuada devido à escalada das hostilidades, será reaberta agora que foi anunciado um cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão, que inclui a cessação das hostilidades durante duas semanas e a reabertura do Estreito de Ormuz, que permanece praticamente fechado desde o início do conflito.
No entanto, a escalada da ofensiva israelita no sul do Líbano, que há semanas visa punir duramente a presença do grupo Hezbollah, pôs em evidência a fragilidade do acordo alcançado entre Washington e Teerão. O Irão garantiu que voltou a fechar o estreito devido aos últimos ataques das tropas israelitas.
"Temos duas semanas pela frente, nas quais esperamos que todos estejam empenhados em negociar, como a Espanha tem estado desde o primeiro dia", disse Albares, à chegada ao Congresso dos Deputados para comparecer perante a Comissão dos Assuntos Externos e explicar a posição do governo espanhol sobre o conflito no Médio Oriente.
Tensão entre Espanha e Israel estende-se agora ao Líbano
A decisão do Ministério dos Negócios Estrangeiros faz parte de uma campanha do governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez para defender a desescalada na região, continuando a distanciar-se do conflito iniciado por Donald Trump e Benjamin Netanyahu.
"O governo espanhol não vai aplaudir aqueles que incendeiam o mundo porque aparecem com um balde", disse o próprio Sánchez na quarta-feira numa mensagem (fonte em espanhol) no X. "O que precisamos agora é de diplomacia, legalidade internacional e paz".
Também ontem, a ministra da Defesa, Margarita Robles, reuniu-se com o embaixador libanês em Espanha, Hani Chemaitelly, a quem reiterou o compromisso "firme" do governo espanhol com a estabilidade do seu país e com os valores democráticos na região.
Robles apelou à prossecução dos trabalhos para alcançar uma paz duradoura no Médio Oriente, na sequência do acordo de cessar-fogo provisório, e sublinhou que qualquer solução deve incluir o Líbano, algo que tanto os EUA como Israel excluíram de momento.
A ministra espanhola descreveu como "positiva" a trégua provisória alcançada nas últimas horas entre os EUA e o Irão, mas manifestou preocupação com a oposição de Israel ao alargamento do cessar-fogo ao território libanês. "A comunidade internacional não pode aceitar declarações que deixem o Líbano de fora destas negociações", disse Robles, que também destacou o trabalho dos cerca de 700 soldados espanhóis destacados na missão da ONU, obrigados a atuar em condições extremamente difíceis.
Mais tarde, o ministro reuniu-se com o embaixador da Indonésia em Espanha para apresentar as suas condolências pela morte de três soldados indonésios durante o seu serviço no Líbano, onde se encontram sob comando espanhol na missão UNIFIL. Robles insistiu que tanto o Hezbollah como Israel devem cessar os ataques contra os mais de 10.000 capacetes azuis destacados, "que estão a trabalhar pela paz e estabilidade numa das zonas mais tensas do mundo".