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"As crianças estão a morrer", denuncia Cuba, enquanto o bloqueio dos EUA dificulta ajuda da ONU

Fotografias do ex-presidente Raúl Castro e de Fidel Castro decoram uma porta de entrada em Havana, 3 de junho de 2026
Fotografias do antigo presidente Raúl Castro e de Fidel Castro decoram uma porta de entrada em Havana, 3 de junho de 2026 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Gavin Blackburn
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O bloqueio, juntamente com as sanções alargadas dos EUA que penalizam empresas que negoceiam com o Estado cubano, agravou a pior crise económica e energética na ilha em mais de uma geração.

O governo de Cuba afirmou esta quarta-feira que o bloqueio petrolífero imposto pelos Estados Unidos, que paralisou a ilha, está a impedir as Nações Unidas de distribuírem 170 contentores de ajuda humanitária.

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O presidente norte-americano, Donald Trump, quer pôr fim a mais de seis décadas de regime comunista em Cuba.

Em janeiro, cortou o fornecimento de petróleo ao principal inimigo de Washington, vindo do seu principal fornecedor, a Venezuela, e ameaçou com sanções outros países que tentassem acudir Cuba.

Desde então, apenas um petroleiro, vindo da Rússia, conseguiu chegar ao país.

O ministro dos Negócios Estrangeiros cubano, Bruno Rodríguez, afirmou que 170 contentores de ajuda da ONU, avaliados em 6,3 milhões de dólares (5,4 milhões de euros), “não estão a chegar aos beneficiários devido à escassez de combustível”.

Numa mensagem na rede social X, sublinhou que o bloqueio “não está apenas a travar o desempenho da economia cubana”, como também a afetar o trabalho das organizações internacionais.

Um triciclo elétrico transporta clientes durante um apagão em Havana, 21 de março de 2026
Um triciclo elétrico transporta clientes durante um apagão em Havana, 21 de março de 2026 AP Photo

O bloqueio, a par da expansão das sanções norte-americanas que punem empresas que fazem negócios com o Estado cubano, agravou a pior crise económica e energética na ilha em mais de uma geração.

Bairros de Havana têm estado sem eletricidade durante períodos de até 30 horas seguidas nos últimos dias e escasseiam cada vez mais alimentos, água canalizada e medicamentos.

Trump afirma que Cuba, situada a 150 quilómetros da costa da Florida, representa uma grande ameaça para a segurança nacional dos Estados Unidos e chegou a admitir uma “tomada de controlo amigável” da ilha, com 9,6 milhões de habitantes.

Na segunda-feira, o alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, apelou à “revogação imediata” das sanções norte-americanas.

“As crianças estão a morrer porque os médicos não têm acesso a material e medicamentos essenciais. Isto é inaceitável”, afirmou.

Pretexto para ação militar

As sanções recentes dos EUA que visam a liderança cubana e a acusação do antigo presidente Raúl Castro são um “pretexto” para a administração Trump convencer a população norte-americana a apoiar uma intervenção militar, afirmou na terça-feira a principal diplomata cubana nos Estados Unidos.

A embaixadora Lianys Torres Rivera reiterou as acusações contra a administração Trump feitas por outros responsáveis cubanos, incluindo o ministro dos Negócios Estrangeiros e o presidente, e queixou-se de que os EUA estão a atingir civis cubanos com o embargo em vigor há décadas e com o novo bloqueio aos carregamentos de energia para a ilha.

A encarregada de negócios da embaixada de Cuba, Lianys Torres Rivera, fala em Washington, 9 de junho de 2026
A encarregada de negócios da embaixada de Cuba, Lianys Torres Rivera, fala em Washington, 9 de junho de 2026 AP Photo

“As sanções contra os nossos líderes são, para nós, um pretexto para levar o povo norte-americano a pensar que somos uma ameaça”, afirmou na embaixada de Cuba em Washington.

“Não constituímos uma ameaça para os EUA e não queremos confronto.”

Torres Rivera, que tem o título formal de encarregada de negócios, descreveu a situação como “uma guerra sem bombas”.

Advertiu que qualquer tentativa de mudar o governo de Cuba por coerção ou pela força será enfrentada com forte resistência.

“O Raúl é sagrado”, disse, a propósito da acusação deduzida no mês passado por um grande júri federal contra Castro.

O antigo presidente, de 95 anos, está acusado de conspiração e homicídio relacionados com o abate, em 1996, de dois aviões civis desarmados operados pelo grupo de exilados com sede em Miami Brothers to the Rescue, quando exercia funções de ministro da Defesa de Cuba.

“O Raúl é um símbolo sagrado da revolução e vamos defendê-lo, tal como ao país, até ao fim”, afirmou Torres Rivera. “Se formos atacados, vamos responder e estamos preparados para isso. Mas não o queremos.”

Trump, o secretário de Estado Marco Rubio e outros membros da administração têm rejeitado repetidamente que as dificuldades económicas de Cuba sejam responsabilidade dos Estados Unidos, atribuindo-as antes às políticas socialistas do governo cubano.

Não excluem uma ação militar contra a ilha, mas afirmam estar dispostos a dar tempo às autoridades cubanas para fazerem reformas.

Outras fontes • AP, AFP

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