Yuri Ushakov, conselheiro do Kremlin, afirmou que Putin e Trump trataram da questão ucraniana numa chamada telefónica de uma hora e vinte e cinco minutos.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manteve no sábado contactos telefónicos com os líderes da Ucrânia e da Rússia, numa altura em que o país assinalava o 4 de Julho, anunciaram Kiev e Moscovo.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, afirmou ter tido uma «conversa telefónica muito positiva» com Trump, durante a qual felicitou os Estados Unidos pelo 250.º aniversário e abordou a situação atual nas linhas da frente da guerra na Ucrânia.
Zelenskyy acrescentou existir uma «perspetiva real» de pôr fim ao conflito e que ambos concordaram em prosseguir as conversações durante a próxima cimeira da NATO em Ancara, marcada para 7 e 8 de julho.
Zelenskyy e Trump têm mantido uma relação irregular desde o regresso do republicano à Casa Branca, marcada sobretudo por um aceso confronto no Gabinete Oval no início de 2025. No mês passado, porém, Trump teceu elogios ao presidente ucraniano, que descreveu como «corajoso», dizendo que se estava a «sair-se bastante bem» na guerra contra a Rússia.
O presidente russo, Vladimir Putin, também falou com Trump no sábado, anunciou o Kremlin.
Num comunicado, Yuri Ushakov, assessor presidencial, afirmou que Putin apresentou felicitações a Trump pelo feriado norte-americano numa chamada telefónica que durou uma hora e vinte e cinco minutos.
«Os presidentes abordaram naturalmente a questão da resolução do conflito na Ucrânia, incluindo à luz da próxima participação de Donald Trump na cimeira da NATO na Turquia, em 7 e 8 de julho», disse.
Acrescentou que Trump «reafirmou a disponibilidade para facilitar o fim, tão cedo quanto possível, das hostilidades e a busca de soluções pacíficas que permitam ultrapassar a crise».
O desenvolvimento surge depois de a Rússia ter lançado, no início da semana, um ataque de grande envergadura contra Kiev, que matou pelo menos 30 pessoas e feriu dezenas. Na noite de sexta-feira, as forças ucranianas realizaram ataques contra infraestruturas petrolíferas perto da cidade russa de São Petersburgo.
A cimeira da NATO de 2026 reunirá os aliados para discutir uma série de temas ligados à defesa, incluindo investimento, indústria e apoio a Kiev.
Os membros da NATO acordaram, em 2025, investir 5% do PIB na defesa até 2035, dos quais 3,5% para necessidades de defesa essenciais e 1,5% para investimentos mais amplos ligados à defesa e à segurança.
Trump critica há muito tempo a despesa dos aliados europeus com a defesa e tem repetidamente exigido que invistam mais na sua própria segurança.
Os aliados esperam utilizar a cimeira na Turquia para aliviar as tensões com Trump, que se agravaram com a guerra no Irão e com a intenção dos Estados Unidos de adquirir a Gronelândia.
Numa intervenção em Bruxelas, em junho, o secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que a Europa tem de assumir a liderança na construção de uma renovada «NATO 3.0» e na criação de «uma verdadeira aliança militar de linha dura».
«A NATO 3.0 é um reconhecimento do período pós-Guerra Fria que precisa de regressar a uma verdadeira aliança militar de linha dura, com capacidades militares reais, capazes de dissuadir aqui mesmo no continente e de assumir a liderança na defesa convencional da Europa», explicou Hegseth.