As autoridades espanholas reforçaram a presença na cidade autónoma, perante um cenário de novo êxodo em massa este sábado, dia 15 de agosto.
Ceuta está a reforçar a sua fronteira face ao risco de uma nova entrada em massa de migrantes provenientes de Marrocos este sábado. Os apelos divulgados nas redes sociais para tentar atravessar a fronteira em direção à cidade autónoma espanhola ativaram os dispositivos de segurança de ambos os países, apenas duas semanas após a entrada em massa registada a 30 de julho.
Espanha aumentou a presença policial e militar na cidade. Atualmente, encontram-se mobilizados 880 agentes da Polícia Nacional e 714 guardas civis, tendo o Ministério do Interior anunciado a incorporação de mais 45 agentes. O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, defendeu a coordenação com Marrocos e classificou como "excecional" a crise ocorrida no passado dia 30 de julho.
As autoridades espanholas mantêm um dispositivo reforçado para evitar que se repitam as cenas do final de julho. A situação continua sob vigilância à medida que se aproxima o dia de sábado, data indicada nas mensagens divulgadas através das redes sociais.
O presidente do Senado, Pedro Rollán, e o presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, exigem um novo quadro jurídico que permita agir com maior rapidez perante futuras entradas em massa e facilite os regressos com garantias. Vivas insiste que "a cidade precisa de instrumentos para responder de forma imediata a situações desta magnitude".
Marrocos reforça a sua parte da fronteira
Do outro lado, Marrocos mobilizou cerca de 3 mil polícias, com controlos nas estradas e nos acessos à fronteira. A vigilância estendeu-se também às zonas próximas da costa, onde foram mobilizadas forças de intervenção, veículos com canhões de água e embarcações da Marinha Real.
O governo marroquino afirma ter detetado publicações de origem desconhecida que incitam à organização de novas travessias em massa para Ceuta e Melilha. Por isso, anunciou medidas para impedir qualquer tentativa de entrada irregular.
Ceuta continua a enfrentar as consequências
A cidade ainda não recuperou totalmente a normalidade após a chegada em massa no final de julho. O Ministério do Interior estima que cerca de 5000 pessoas permaneçam atualmente em Ceuta, enquanto Juan Jesús Vivas aponta para um número superior.
Vivas exigiu uma resposta mais firme por parte do governo central e solicitou o regresso a Marrocos daqueles que entraram de forma irregular. O PP também criticou a gestão do Governo de Pedro Sánchez e exigiu mais informações sobre o dispositivo preparado para este sábado.
Pedro Rollán alertou também para a possibilidade de ainda existirem em Ceuta milhares de pessoas não identificadas e apelou a uma regulamentação «abrangente, completa e sólida» para evitar que uma situação semelhante volte a sobrecarregar a cidade.
A preocupação chegou também a outros países europeus. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, apelou a que se "redobrasse a vigilância face a uma possível nova onda migratória".
Enquanto Ceuta e Marrocos mantêm as suas fronteiras sob vigilância máxima, a cidade enfrenta um sábado marcado pela incerteza e pelo receio de que os acontecimentos de 30 de julho se repitam.