“Os consumidores perceberam como as baterias são úteis e rentáveis, sobretudo quando combinadas com sistemas solares, bombas de calor e veículos elétricos.”
As famílias alemãs estão a proteger-se do choque de preços dos combustíveis fósseis ao combinarem o seu gosto pela energia solar com sistemas de armazenamento em baterias.
No ano passado, a Alemanha gerou mais eletricidade a partir de energia eólica e solar do que qualquer outro Estado-membro da UE. Segundo o think tank energético Ember, isso representou mais de um quarto da produção total de eólica e solar do bloco.
Além dos seus 182 projetos eólicos offshore e do maior parque solar em operação na Europa – que ocupa mais de 500 hectares de painéis numa antiga mina de carvão –, o país é também líder mundial em sistemas solares plug-in.
Alemanha aposta em energia solar plug-in
Mais de um milhão de kits plug-in foram instalados na Alemanha entre 2022 e 2025, na sequência de incentivos governamentais que oferecem às famílias tarifas de injeção na rede. Estas medidas permitem aos agregados familiares garantir um preço fixo para cada unidade de eletricidade que vendem à rede.
A eliminação do IVA também reduziu o preço dos painéis plug-in, que hoje podem ser comprados a partir de 200 euros, desencadeando um boom em todo o país.
A energia solar plug-in tornou-se uma alternativa popular aos tradicionais painéis de telhado, já que estes sistemas podem ser pendurados nas varandas sem custos elevados de instalação. São muitas vezes utilizados em habitações arrendadas ou em casas inadequadas para painéis de telhado.
Especialistas estimam que estes dispositivos possam cobrir até 2 % da procura de eletricidade até 2045, ano em que a Alemanha pretende alcançar a neutralidade climática.
Alemanha enfrenta dilema nas renováveis
Mas o boom das renováveis na Alemanha está ameaçado pela rede europeia desatualizada, que provoca estrangulamentos em todo o continente. Um relatório recente da Ember alerta que mais de 120 GW de renováveis previstas estão em risco se as infraestruturas não forem significativamente reforçadas.
O país desperdiça igualmente grandes quantidades de energia solar quando a produção supera a procura em dias claros e soalheiros, o que pode levar a que os preços da eletricidade se tornem negativos.
Na Alemanha, os períodos com preços abaixo de zero já aumentaram 50 % face ao ano passado, à medida que os produtores baixam sucessivamente as ofertas para evitarem ser desligados da rede, prática conhecida como corte de produção.
Segundo os especialistas, os sistemas de armazenamento em baterias são hoje a forma mais eficaz de enfrentar ambos os problemas.
Alemanha: baterias reforçam independência energética
Como a energia solar depende da luz do sol, a eletricidade só é gerada durante o dia. No entanto, o consumo tende a ser mais baixo nessas horas, porque muitas pessoas estão fora de casa, a trabalhar ou na escola.
À noite, quando os painéis solares já não produzem eletricidade, a procura de energia aumenta, à medida que as pessoas regressam a casa.
Baterias ajudam a equilibrar esta oferta e procura irregulares, armazenando a energia solar produzida durante o dia e permitindo que as famílias a utilizem à noite. Assim evita-se o desperdício da produção diurna e reduz-se a pressão sobre a rede.
«Com a expansão da rede a ficar atrás do ritmo das renováveis, a flexibilidade tornou-se o fator essencial para permitir novos avanços», afirma a Solar Power Europe, associação empresarial liderada pelos seus membros e dedicada ao setor solar europeu.
Segundo a startup cleantech 1KOMMA5°, a capacidade de armazenamento em baterias na Alemanha aumentou de 21,8 gigawatt hora (GWh) para 29,83 GWh desde junho de 2025 – um crescimento de 37 %.
Para ter uma ideia, 30 GWh são suficientes para carregar totalmente 500 000 veículos elétricos.
Cerca de três quartos da capacidade de armazenamento em baterias da Alemanha, quase 22 GWh, dizem respeito a sistemas domésticos; o restante está instalado em grandes sistemas de armazenamento.
«Com o início da guerra no Irão e os subsequentes saltos nos preços dos combustíveis fósseis, o interesse na independência energética voltou a crescer», afirma Jannik Schall, da 1KOMMA5°.
«Quem quer proteger-se dos choques de preços nos mercados de combustíveis fósseis aposta na combinação entre controlo e armazenamento. Os consumidores perceberam quão úteis e rentáveis são as baterias, sobretudo em conjunto com sistemas solares, bombas de calor e veículos elétricos.»
No ano passado, a UE instalou 27,1 GWh de novos sistemas de armazenamento de energia em baterias, somando 12 anos consecutivos de crescimento recorde.
De acordo com um relatório da Solar Power Europe (fonte em inglês) de 2026, apesar de a frota de baterias da UE ter decuplicado desde 2021, alcançando hoje mais de 77 GWh, a Europa continua «muito aquém do nível necessário».