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Venezuela regista 3.811 mortos no terramoto e pede a Carlos III que liberte ouro

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, visita um acampamento provisório da Proteção Civil em La Guaira, a 1 de julho de 2026, após os terramotos
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, visita um acampamento provisório da Proteção Civil em La Guaira, a 1 de julho de 2026, após os terramotos Direitos de autor  AP
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De Christina Thykjaer
Publicado a Últimas notícias
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As Nações Unidas pedem 296 milhões de dólares para apoiar 1,3 milhões de pessoas afetadas, enquanto Caracas reclama o desbloqueio de ativos congelados para financiar a reconstrução do país.

O duplo terramoto que devastou a Venezuela há duas semanas já provocou 3.811 mortos, mais de 16.700 feridos e milhares de desaparecidos. Dezenas de milhares de pessoas continuam envolvidas nos trabalhos de busca e o país procura mobilizar ajuda internacional para enfrentar a emergência.

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A Organização das Nações Unidas (ONU) lançou na quarta-feira um apelo urgente para angariar 296 milhões de dólares destinados a financiar as operações de emergência após o terramoto.

Segundo a ONU, estes fundos vão permitir prestar assistência a 1,3 milhões de pessoas nos próximos seis meses, num dos piores desastres naturais registados na América Latina nas últimas décadas. As autoridades venezuelanas estimam que 17.907 pessoas tenham perdido as suas habitações, tendo sido resgatadas com vida 6.462 pessoas desde que ocorreu o terramoto. Entre as vítimas mortais contam-se 36 cidadãos espanhóis, segundo o último balanço oficial.

Os trabalhos de busca prosseguem sem descanso, com cerca de 30.000 voluntários e equipas de emergência destacadas entre os escombros de as zonas mais afetadas. Em cidades como La Guaira, familiares das vítimas continuam a escavar entre edifícios destruídos na esperança de encontrar os seus entes queridos.

O responsável pelos Assuntos Humanitários da ONU, Tom Fletcher, agradeceu a resposta inicial da comunidade internacional e manifestou confiança em que novos doadores se juntem à operação para cobrir as necessidades mais urgentes da população.

Venezuela pede ao rei Carlos III a devolução de 30 toneladas de ouro

Durante a reunião extraordinária convocada pelas Nações Unidas, o Governo venezuelano reclamou a libertação de ativos estatais bloqueados no estrangeiro para os destinar à reconstrução do país.

"Pedimos a todos os países que mantêm congelados fundos pertencentes à Venezuela que iniciem um processo para os libertar, para que possam ser utilizados nas tarefas de recuperação", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Yván Gil, que denunciou que esses recursos permanecem imobilizados como consequência das sanções internacionais.

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou ainda que pediu ao rei Carlos III a devolução de cerca de 30 toneladas de ouro venezuelano depositadas no Banco de Inglaterra e bloqueadas pelas sanções britânicas. "Decidi enviar uma carta ao rei de Inglaterra para que o ouro retido no Banco de Inglaterra seja libertado. Esse ouro pertence ao nosso povo. Precisamos dele para fazer face às consequências do terramoto", declarou na televisão estatal.

Os Estados Unidos já suspenderam temporariamente parte das sanções económicas impostas ao país, para facilitar a chegada de ajuda humanitária e acelerar os trabalhos de recuperação. As restrições começaram a ser aliviadas após a queda do Governo de Nicolás Maduro, em janeiro, e o reconhecimento das novas autoridades venezuelanas por parte de Washington.

A ONU estima que o terramoto provocou danos materiais no valor de 6.700 milhões de dólares, uma quantia equivalente a cerca de 6% do produto interno bruto venezuelano. O aeroporto internacional que serve Caracas continua fechado aos voos comerciais devido aos danos sofridos durante o terramoto.

Outras fontes • AP

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