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Jorge Jesus é o novo selecionador de Portugal: "Ronaldo nunca será problema para a seleção"

Jorge Jesus e jogo dos oitavos de final da Liga Europa entre Fenerbahçe e Sevilla em Istambul, 2023
Jorge Jesus e jogo dos oitavos de final da Liga Europa entre Fenerbahçe e Sevilla em Istambul, 2023 Direitos de autor  AP Photo
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De João Azevedo
Publicado a Últimas notícias
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O ex-técnico do Benfica e do Sporting disse sentir "um grande orgulho" por treinar Portugal. Perante os jornalistas, afirmou que, com ele, a seleção vai ter de jogar o dobro e que não será necessário fazer qualquer "remodelação". Garantiu ainda não ter qualquer problema aberto com Bernardo Silva.

Na semana que ditou a eliminação do Mundial 2026, e no dia em que se assinalam dez anos desde a conquista do Europeu em França, Portugal pôs em marcha um novo ciclo com a apresentação de Jorge Jesus como selecionador até 2030.

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"Viemos para vencer" foi o slogan apresentado pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF) no ecrã da sala de imprensa antes mesmo da chegada de Jesus, que fez questão de o verbalizar para vincar a ambição com que assume este desafio.

"O nosso caminho é ganhar. Não vamos facilitar em nada, não vamos ter receio de confrontar quem quer que seja. Estou preparado para um desafio difícil, mas convencido de que vou vencer", afirmou o técnico, que deixou clara a ligação emocional ao cargo.

"É um grande orgulho poder trabalhar numa das maiores seleções do mundo que é a minha seleção. Tenho um grande orgulho de ser português", reforçou.

Jesus garantiu que se preparou para comandar a equipa nacional, sublinhando que em Portugal há muito talento, mas frisando, por outro lado, que não pretende fazer uma "remodelação".

"Só há seis jogadores acima dos 30 e dois são guarda-redes. A média de idades é 28. É uma equipa jovem e não é por aí que haverá problemas", declarou.

"Ronaldo nunca vai ser um problema para a seleção"

Uma das grandes questões em cima da mesa é a gestão de Cristiano Ronaldo, que, aos 41 anos, e depois de um Mundial em que as suas exibições receberam muitas críticas, não clarificou se está disponível para continuar a jogar de quinas ao peito.

"Ainda não falei com o Cris. Nunca será um problema para a seleção nem para mim. Vou falar com o Cris e com todos individualmente. O Cris é um símbolo de Portugal e tive um grande prazer em trabalhar com ele. É facílimo trabalhar com ele, desde que ele perceba até onde pode chegar", explicou.

O anterior selecionador teve sempre em conta o estatuto de Cristiano Ronaldo nas decisões tomadas e, no Campeonato do Mundo, apenas o substituiu uma vez em cinco jogos, apesar de o rendimento do madeirense não ter sido elevado. Jorge Jesus disse que conta com Ronaldo, jogador que treinou na última época no Al Nassr, mas deu a entender que não se vai autolimitar no que toca ao tratamento dado ao capitão.

"Ele fez 31 jogos em 50 no ano passado. Substituí-o 16 vezes e nunca houve problemas. Nunca confundimos a relação. Se um atleta não está a render, é substituído", salientou.

Jesus afirmou ter treinado "dois dos três melhores jogadores do mundo" numa referência a Cristiano Ronaldo e Neymar, e até recuperou uma conversa que teve com o brasileiro quando o treinou no Al Hilal da Arábia Saudita: "Ao Neymar disse-lhe: 'Finish'".

"O ego existe em todas as seleções, é muito mais difícil trabalhar com jogadores que julgam ser grandes jogadores do que com os que são grandes jogadores. Na seleção é só grandes jogadores", acrescentou.

Sobre Bernardo Silva, que mostrou resistência depois de Jesus o ter tentado adaptar a lateral-esquerdo no Benfica, o selecionador também desdramatizou.

"Era um menino que confiava muito nele e queria ser jogador. Foi mais o que se falou do que aquilo aconteceu num treino. Falou-se que eu queria pô-lo a lateral-esquerdo. O Pep (Guardiola) também o meteu lá mais tarde. Mas não há problema nenhum", observou.

Ideia de jogo diferente

Quando foi apresentado como treinador do Benfica, pela primeira vez, em 2009, Jesus causou impacto, ao prometer que o encarnados iriam "jogar o dobro". Questionado sobre se também entra com esse pensamento na seleção, manteve a bitola.

"Tem de jogar. Se não jogar fica tudo igual. Acredito muito na capacidade dos jogadores", destacou.

Jesus adiantou ainda que irá implementar um estilo de futebol totalmente oposto ao que era praticado pela seleção sob orientação de Roberto Martínez.

"Quero que todos os jogadores percebam que se querem ganhar têm de pagar o preço. A minha ideia do jogo não tem nada que ver com o que era a ideia da seleção. Zero", notou.

Aos 71 anos, Jorge Jesus concretiza o sonho de treinar a seleção do próprio país. O último compromisso profissional do técnico foi ao serviço do Al Nassr, clube que deixou em maio após garantir a conquista do campeonato saudita, numa equipa em que atuavam os internacionais Cristiano Ronaldo e João Félix.

Na época 2023/24, o português já tinha conduzido a outra grande equipa de Riade, o Al Hilal, ao título de campeão saudita.

Numa carreira com quase quarenta anos, orientou, em Portugal, o Sporting e o Benfica, tendo vencido três campeonatos nacionais no comando dos encarnados. Destaca-se ainda a passagem pelo Flamengo do Brasil. Em duas temporadas no "Mengão", ganhou, entre outros troféus, um "Brasileirão" (liga nacional) e uma Taça dos Libertadores.

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