Glaciar do Ródano, na Suíça, perdeu mais de quatro metros de gelo num mês após duas vagas de calor extremo. Segundo o GLAMOS, derrete 10 cm por dia, com pouca neve no inverno a deixá-lo mais vulnerável.
O glaciar do Ródano, no sul da Suíça, perdeu mais de quatro metros de gelo num único mês após sucessivas vagas de calor terem varrido a Europa, evidenciando o impacto crescente da subida das temperaturas nos glaciares alpinos.
Segundo o Serviço Suíço de Monitorização de Glaciares (GLAMOS), o glaciar tem vindo a derreter a uma média de cerca de 10 centímetros por dia desde meados de junho. Glaciologistas explicam que a combinação de pouca neve no inverno e temperaturas invulgarmente altas deixou o gelo exposto e vulnerável, alimentando receios de que 2026 possa igualar as perdas recorde de gelo registadas em 2022.
Os investigadores que acompanham o local referem que o glaciar não está apenas a derreter à superfície, mas também por baixo, onde a água de fusão em escoamento abre grandes cavidades que enfraquecem o gelo a partir do interior.
Matthias Huss, glaciologista e diretor do GLAMOS, explicou:“Trata-se de uma cavidade em colapso. O curso de água que corre por baixo do glaciar escavou uma grande cavidade. Essa cavidade acabou por ceder. Nos últimos anos, temos observado cada vez mais casos de glaciares que derretem por baixo, além da fusão à superfície. Estes processos estão a corroer os glaciares a partir do interior. É um problema sério que está a acelerar ainda mais a perda de gelo.”
As medições realizadas no glaciar mostram até que ponto o gelo desapareceu nas últimas semanas. “Medimos a quantidade de gelo que se funde. Desde a minha última visita, há duas semanas, perdemos 1,40 metros. Isto corresponde a uma perda de 10 centímetros de gelo por dia. Desde meados de junho, quando visitei pela primeira vez este ano o glaciar do Ródano, a perda já ultrapassou a altura deste poste. Portanto, cerca de 4 metros desapareceram em apenas um mês, entre este ponto e aquele ponto. É uma quantidade de fusão muito significativa e, naturalmente, muito problemática para o glaciar.”
O recuo acelerado está a transformar a paisagem e, se a tendência se mantiver, as partes mais baixas do glaciar do Ródano poderão desaparecer dentro de poucos anos. “Com estas taxas de fusão tão elevadas, o glaciar está a recuar muito rapidamente. Penso que, nesta zona, deixará de haver gelo dentro de 5 a 10 anos. O glaciar só irá subsistir mais acima na montanha, onde é mais frio e há mais neve”, explicou o glaciologista.
Os cientistas explicam que as más condições deste ano começaram muito antes do calor do verão, já que a queda de neve abaixo da média deixou os glaciares sem a cobertura de neve protetora que normalmente abranda a fusão. Segundo o glaciologista, “até agora, 2026 tem sido um ano muito mau para os glaciares. Tivemos pouca neve este inverno, o que resultou num manto protetor fraco para o gelo. Enfrentámos vagas de calor precoces em maio, junho e agora em julho.”
Os glaciologistas vão continuar a monitorizar o glaciar do Ródano ao longo do verão, mas as medições mais recentes sublinham o ritmo cada vez mais rápido do recuo dos glaciares nos Alpes suíços.