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Canal do Panamá reduz tráfego marítimo com seca agravada pelo El Niño

Navio atravessa as eclusas Pedro Miguel do Canal do Panamá, na Cidade do Panamá, a 14 de agosto de 2026
Navio atravessa as eclusas de Pedro Miguel, no Canal do Panamá, na Cidade do Panamá, 14 de agosto de 2026 -  Direitos de autor  AP Photo
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De Gavin Blackburn
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Segundo a operadora, não estão excluídas novas restrições ao transporte marítimo, dependendo da chuva nas próximas semanas.

O Canal do Panamá vai reduzir, a partir do próximo mês, o número de navios que o atravessam, devido à seca provocada pelo fenómeno climático El Niño, informou o operador da via marítima estratégica que liga o Atlântico ao Pacífico.

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A partir de 3 de setembro, o número de embarcações autorizadas a passar por dia desce de 36 para 34, devido à redução do nível da água em dois lagos artificiais que alimentam o canal, explicou a Autoridade do Canal do Panamá.

Segundo a agência, a partir de 15 de setembro esse número baixará para 32.

A América Central atravessa uma seca grave impulsionada pelo El Niño, um padrão meteorológico que aquece a superfície das águas no Pacífico equatorial central e oriental, provocando alterações globais nos ventos, na pressão atmosférica e na precipitação.

Na área do canal, a precipitação entre maio e agosto foi 34% inferior à média histórica, acrescentou a autoridade, advertindo que o El Niño poderá reduzi-la ainda mais.

O Canal do Panamá assegura 5% do comércio marítimo mundial e cerca de 40% do tráfego de contentores dos Estados Unidos.

O operador do canal afirmou que a “precipitação inferior ao previsto na bacia hidrográfica do canal” torna necessárias medidas para reforçar a “sustentabilidade a longo prazo” da via navegável.

Já aplicou outras medidas de poupança de água, como a redução do calado máximo, a profundidade do navio na água, para os maiores navios.

Em 2023, o nível da água nos lagos que abastecem o canal desceu tanto que os operadores reduziram o número diário de travessias de navios de 38 para 22.

Segundo a entidade, com a nova redução os tempos de espera dos navios que tentam passar sem reserva prévia vão aumentar.

Nove em cada dez navios que utilizam o canal fazem-no com reserva, e as vagas restantes são leiloadas.

Antes da guerra com o Irão, a oferta média vencedora nesses leilões rondava os 135 mil dólares (115 mil euros). Em abril, porém, uma empresa de transporte marítimo particularmente interessada em usar o canal pagou cerca de 4 milhões de dólares (3,4 milhões de euros).

Navio de carga atravessa as eclusas de Cocolí, no Canal do Panamá, 9 de agosto de 2026
Navio de carga atravessa as eclusas de Cocolí, no Canal do Panamá, 9 de agosto de 2026 AP Photo

O operador do canal admite não excluir novas restrições à navegação, consoante a quantidade de chuva nas próximas semanas.

Os principais utilizadores do canal construído pelos Estados Unidos são os Estados Unidos, a China, o Japão, o Chile e a Coreia do Sul.

A questão da água é sensível no Panamá, porque os lagos que alimentam o canal também abastecem metade da população, de 4,2 milhões de pessoas.

O El Niño ocorre, em média, de dois em dois a sete em sete anos, e o fenómeno deste ano está a perfilar-se como um dos mais fortes de que há registo.

Outras fontes • AFP

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