A costa-riquenha Rebeca Grynspan surgiu como favorita após a primeira votação informal do mês passado, em que os 15 membros do conselho, incluindo os cinco com poder de veto, avaliaram em segredo os candidatos.
O órgão mais poderoso das Nações Unidas, o Conselho de Segurança, reúne-se mais tarde, esta sexta-feira, para realizar uma nova votação indicativa destinada a avaliar o apoio a um número crescente de candidatos ao cargo de próximo secretário-geral da organização.
Rebeca Grynspan, da Costa Rica, surgiu como principal favorita após a primeira votação informal do mês passado, em que os 15 membros do Conselho, incluindo os cinco com direito de veto, se pronunciam em segredo sobre os candidatos.
Também é candidato o argentino Rafael Grossi, atual diretor-geral do organismo nuclear da ONU (AIEA), a par da chilena Michelle Bachelet, da equatoriana Maria Fernanda Espinosa, da guianense Carolyn Rodrigues-Birkett, do ugandês Olara Otunnu e do senegalês Macky Sall.
Concluída a primeira ronda, a equatoriana Ivonne A-Baki entrou na corrida para suceder a António Guterres, que termina o segundo mandato de cinco anos a 31 de dezembro.
“Enquanto a primeira votação indicativa serviu para enquadrar a corrida ao cargo de secretário-geral, a segunda poderá dar-nos alguma indicação sobre o rumo que está a tomar”, afirmou Daniel Forti, do International Crisis Group.
“Os diplomatas antecipam flutuações na distribuição de votos em comparação com a votação de julho. A maior parte estará atenta para perceber se os primeiros favoritos consolidam o apoio ou perdem terreno na classificação.”
“É pouco provável que qualquer candidato saia da votação de sexta-feira com uma vantagem decisiva”, advertiu.
Forti acrescentou que os países com direito de veto, França, Rússia, China, Reino Unido e Estados Unidos, podem esperar até mais tarde para exprimirem as suas preferências, podendo entretanto surgir novos candidatos.
O embaixador da Rússia junto da ONU, Vassily Nebenzia, afirmou na quinta-feira que não podia excluir essa possibilidade.
“Se, por exemplo – e estou a especular –, se houver um impasse em relação a qualquer um dos candidatos que vemos hoje, se nenhum… descolar, então penso que poderemos ver também outros candidatos”, afirmou Nebenzia.
Fim do caminho?
Mesmo que um candidato obtenha os nove votos necessários entre os 15 disponíveis no Conselho de Segurança, terá ainda de evitar o veto das cinco grandes potências, profundamente divididas.
Ultrapassados esses obstáculos, o nome segue para a Assembleia Geral de todos os Estados-membros da ONU para confirmação.
A votação indicativa no Conselho de Segurança foi criada no início da década de 1980, numa tentativa de ultrapassar o impasse entre dois candidatos bloqueados por vetos.
O mecanismo informal tem-se mantido, sob várias formas, apesar das críticas de países que contestam o caráter opaco do processo.
“Há uma forte probabilidade de alguns candidatos perceberem, após a votação de sexta-feira, que as respetivas campanhas chegaram ao fim do caminho”, acrescentou Forti.
Cada Estado-membro deve atribuir anonimamente a cada candidato uma de três menções: “incentivar”, “desencorajar” ou “sem opinião”.
Isso dá aos que não recolhem apoio a oportunidade de desistir, embora não sejam obrigados a fazê-lo.
Nas primeiras rondas do processo, que se prevê dure várias semanas, todos os boletins têm a mesma cor.
Mas, após um número não especificado de votações, os boletins dos cinco membros permanentes passam a ter uma cor diferente da dos membros eleitos, o que permite identificar potenciais vetos sem saber qual o país que bloqueou cada candidato.
Por tradição, o cargo máximo da ONU roda entre diferentes regiões.
Partindo desse princípio, o lugar deveria caber desta vez a um candidato da América Latina. A região está amplamente representada entre os candidatos, embora Sall e Otunnu sejam oriundos de África.