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Marrocos nega envolvimento na entrada de migrantes em Ceuta e recusa ser “bode expiatório”

Algumas pessoas caminham numa praia depois de tentarem atravessar da localidade marroquina de Fnideq, no norte, até ao enclave espanhol de Ceuta, a 31 de julho de 2026
Algumas pessoas caminham numa praia depois de tentarem atravessar da localidade marroquina de Fnideq, no norte do país, até ao enclave espanhol de Ceuta, em 31 de julho de 2026 Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved
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De Rafael Salido & AFP
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Rabat rejeita relatórios que acusam as suas forças de segurança de permissividade na chegada em massa de migrantes a Ceuta em julho e questiona a gestão espanhola das repatrições.

Marrocos negou esta quinta-feira qualquer envolvimento das suas autoridades na entrada de migrantes em Ceuta nos dias 30 e 31 de julho e pôs em causa a gestão espanhola da crise, que deixou dezenas de mortos e provocou tensões políticas na União Europeia.

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O Ministério dos Negócios Estrangeiros marroquino afirmou que não existem “factos ou relatórios que demonstrem qualquer envolvimento das autoridades marroquinas” e rejeitou transformar-se no “bode expiatório em ajustes de contas políticos” em Espanha.

A declaração constitui a primeira reação oficial do reino a um relatório da polícia espanhola que acusava as forças de segurança marroquinas de “permissividade total” durante a vaga migratória. O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, evitou responsabilizar Marrocos e sublinhou que não existiam “provas sólidas” de que o país tivesse organizado a chegada de migrantes.

Rabat também questionou a gestão espanhola das devoluções. “Porque é que não se repatriam os migrantes irregulares quando o governo marroquino acordou oficialmente readmiti-los?”, questionou o Ministério dos Negócios Estrangeiros. A instituição interrogou-se ainda sobre porque é que se mantém afastados das suas famílias os menores não acompanhados, apesar dos pedidos urgentes de Marrocos para o seu regresso.

O governo marroquino qualificou a crise de “lamentável” e exigiu um “exame exaustivo” das circunstâncias para garantir que não se repita. Ao mesmo tempo, sublinhou a importância das relações com Madrid, assentes na “boa vizinhança, no entendimento político, na parceria económica e na cooperação em matéria de segurança”.

A maioria dos migrantes que entrou em Ceuta regressou a Marrocos, embora centenas permaneçam em condições precárias, o que aumentou as tensões na cidade e a pressão política sobre o Governo espanhol. A União Europeia anunciou na quarta-feira uma ajuda de emergência de 115 milhões de euros para reforçar a segurança fronteiriça e facilitar os regressos.

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