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Reino Unido: Banco de Inglaterra mantém taxa em 3,75% com inflação em máximo de cinco meses

ARQUIVO. Governador do Banco de Inglaterra, Andrew Bailey, fala na conferência de imprensa do Relatório de Política Monetária, em Londres, 30 julho 2026
ARQUIVO. Governador do Banco de Inglaterra, Andrew Bailey, fala na conferência de imprensa sobre o Relatório de Política Monetária, em Londres, em 30 de julho de 2026 Direitos de autor  Henry Nicholls/Pool Photo via AP
Direitos de autor Henry Nicholls/Pool Photo via AP
De Quirino Mealha
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O Banco de Inglaterra manteve a taxa de juro diretora em 3,75%, mas três dos nove responsáveis votaram uma subida, expondo divisões no comité, enquanto o choque energético da guerra no Irão empurra a inflação para o máximo de cinco meses, 3,1%

A “Velha Senhora de Threadneedle Street” decidiu esperar, embora sem unanimidade.

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O Comité de Política Monetária votou nesta quinta‑feira, por seis votos contra três, a manutenção dos custos de empréstimo, com a minoria a defender uma subida de um quarto de ponto, para 4%.

A decisão coloca o Banco de Inglaterra em contraciclo com a Reserva Federal dos EUA e o Banco Central Europeu, que reforçaram a política monetária na última semana.

Apesar de manter as taxas, o banco central espera que a situação piore antes de melhorar.

A inflação “deverá subir ainda mais nos próximos trimestres”, indicou o comité, apontando para os preços do petróleo bruto e dos produtos refinados, que voltaram a subir desde a última reunião e continuam “mais voláteis e mais altos do que antes do conflito”.

Acompanhar efeitos de segunda ordem

O argumento para não mexer nas taxas assenta no que ainda não aconteceu.

“Até agora há poucos indícios de efeitos de segunda ordem significativos na formação de preços e salários”, lê‑se no comunicado, o que significa que a energia cara ainda não está a alimentar de forma generalizada salários e preços.

No entanto, essa trégua pode ser temporária.

O risco desses efeitos “é maior quanto mais tempo durarem os preços altos da energia ou quanto mais voláteis forem”, alertou o comité, acrescentando que os riscos para a inflação “se inclinam para o lado da alta, e mais do que na altura do Relatório de Política Monetária de julho”.

O Brent e os preços grossistas do gás no Reino Unido subiram, respetivamente, 36% e 78% desde julho, com o Brent a 106 dólares por barril e o gás a 207 pence por termia em 14 de setembro.

As pressões sobre as refinarias mantiveram as ‘crack spreads’, a diferença entre os preços dos combustíveis refinados e do crude, bem acima dos níveis anteriores ao conflito.

A atividade económica tem resistido um pouco melhor do que o previsto, enquanto um mercado de trabalho mais fraco e os custos de financiamento mais altos enfrentados por famílias e empresas desde o início do conflito deverão fazer descer a inflação ao longo do tempo.

Semana cheia para bancos centrais

A Reserva Federal dos EUA elevou na quarta‑feira a sua taxa diretora para uma banda entre 3,75% e 4%, a primeira subida desde 2023, decidida por unanimidade, sinalizando que se podem seguir novos aumentos.

O BCE aumentou na semana passada a taxa de depósito para 2,5%.

A sequência conclui‑se na sexta‑feira com o Banco do Japão, onde os mercados esperam uma subida.

Isso deixaria o Banco de Inglaterra como o único grande banco central a ter ficado parado esta semana, ainda que, à luz da decisão de quinta‑feira, por pouco.

Outras fontes • AP

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