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Dívida estabiliza: França com custo recorde e juros britânicos acima de 6%

Foto de arquivo. Christopher Lagana trabalha no piso da Bolsa de Nova Iorque, 14 set. 2026
ARQUIVO. Christopher Lagana trabalha na sala de negociações da bolsa de Nova Iorque, 14 set. 2026 -  Direitos de autor  AP Photo/Seth Wenig
Direitos de autor AP Photo/Seth Wenig
De Quirino Mealha
Publicado a •Últimas notícias
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Mercados de dívida pública estabilizam na sexta-feira de manhã após onda de vendas que levou juros franceses a 10 anos ao máximo desde 2002, yields britânicas a 30 anos acima de 6% e yields dos EUA a 10 anos a pico de 24 anos

Mercados obrigacionistas globais recuperaram algum fôlego na sexta-feira de manhã, com os rendimentos a recuarem após uma quinta-feira turbulenta em que os custos de financiamento dos Estados na Europa e nos Estados Unidos atingiram máximos de várias décadas.

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Os rendimentos, que sobem quando o preço das obrigações desce, recuaram à medida que o Brent caía cerca de 2% para perto de 99,95 dólares por barril, atenuando os receios de que o choque energético mantenha a inflação elevada e obrigue os bancos centrais a novas subidas de juros.

No Reino Unido, o rendimento das obrigações do Estado a 30 anos, ou gilts, desceu para cerca de 5,92% depois de ter ultrapassado 6% na quinta-feira pela primeira vez desde 1998. O juro a dez anos recuou para cerca de 5,37%, abaixo do máximo de 19 anos atingido no início da semana, enquanto o juro a dois anos caiu mais de seis pontos base, para cerca de 4,77%.

A correção de quinta-feira atingiu também as ações dos bancos britânicos, com NatWest, Lloyds, HSBC e Barclays a caírem entre 4% e 5%.

As perdas agravaram-se depois de a Sky News ter noticiado que o ministro das Finanças, John Healey, convocou os presidentes dos bancos para uma reunião antes do orçamento de 28 de outubro, alimentando a especulação sobre novos impostos sobre o setor.

França sob pressão dos mercados

O juro das obrigações francesas a dez anos atingiu 4,96% na quinta-feira, o valor mais alto desde julho de 2002, antes de aliviar para cerca de 4,92% esta sexta-feira, por volta das 11h CEST. O prémio que os investidores exigem para deter dívida francesa em vez de alemã ultrapassou esta semana os 140 pontos base, o maior diferencial desde 2012.

Esse diferencial aumentou 13,9 pontos base na quinta-feira, a maior subida diária desde março de 2020, segundo o estratega do Deutsche Bank Jim Reid.

“Em muitos aspetos, os movimentos diários fizeram lembrar a crise do euro, com o risco de contágio na dívida pública a dominar a conversa”, escreveu Reid numa nota enviada a clientes.

A vaga de vendas surgiu quando Paris apresentou um plano orçamental até 2027 que visa encontrar 43 mil milhões de euros em novas poupanças, para reduzir o défice de 5,4% do PIB este ano para 5% no próximo ano. A dívida pública situa-se num máximo do pós-guerra, 119% do PIB, e França prevê endividar-se em 340 mil milhões de euros, um valor recorde, no próximo ano.

“Aqui e ali oiço os profetas da desgraça a anunciar tempos ainda piores. Quero reiterar que a assinatura de França é sólida”, afirmou o ministro francês das Finanças, Roland Lescure.

O organismo de fiscalização orçamental francês, o Alto Conselho das Finanças Públicas, mostrou-se menos otimista, considerando a previsão de crescimento de 1% para 2027 ambiciosa e um regresso do défice abaixo do limite de 3% da União Europeia até 2029 muito improvável.

“Com um processo político difícil pela frente, é provável que as obrigações francesas se mantenham sob pressão, enquanto o limiar para uma intervenção do BCE continua elevado”, escreveram os analistas do ING.

A líder da extrema-direita, Marine Le Pen, lidera as sondagens antes das eleições presidenciais da próxima primavera.

Novos dadosvieram aumentar as preocupações com a inflação por detrás da correção, já que a inflação na zona euro subiu para 3,8% em setembro, o valor mais alto em três anos, face aos 3,2% em agosto, segundo a estimativa rápida do Eurostat divulgada esta sexta-feira.

Os economistas esperavam 3,6% e a taxa anual em Espanha atingiu 5%.

Foi o sétimo mês consecutivo acima da meta de 2% do Banco Central Europeu, numa altura em que os mercados antecipam que o BCE, que já aumentou as taxas em junho e setembro, volte a subir a taxa de depósito em mais um quarto de ponto, para 2,75%, até ao final do ano.

Estados Unidos: juros dos Treasuries recuam de máximos de 24 anos

Nos Estados Unidos, o juro das obrigações do Tesouro a dez anos (Treasuries) subiu para 5,34% na quinta-feira, o nível mais alto desde 2002, antes de recuar para cerca de 5,26%.

A escalada dos preços da energia continua a alimentar a inflação, enquanto o boom da inteligência artificial e dos centros de dados disputa capital. Após a subida de juros em setembro, os mercados antecipam pelo menos mais três aumentos da Reserva Federal até meados de 2027.

“À medida que os rendimentos sobem, as condições financeiras vão apertar e isso pode aumentar o risco de desaceleração”, afirmou Danny Zaid, gestor de carteiras na TwentyFour Asset Management.

No conjunto, a fatura não pára de crescer.

As economias avançadas pagaram mais de 3,3 biliões de dólares (2,9 biliões de euros) em juros sobre obrigações soberanas transacionadas nos mercados internacionais no último ano, segundo o Instituto de Finanças Internacionais, sediado em Washington. É um valor superior ao gasto global estimado em defesa ou em inteligência artificial.

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