Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

UE prepara artilharia pesada para atingir os EUA na guerra de tarifas

O Comissário Europeu para o Comércio, Maros Sefcovic, fala com a Ministra dos Assuntos Económicos da Alemanha, Katherina Reiche.
O Comissário Europeu para o Comércio, Maros Sefcovic, fala com a Ministra dos Assuntos Económicos da Alemanha, Katherina Reiche. Direitos de autor  Omar Havana/Copyright 2025 The AP. All rights reserved
Direitos de autor Omar Havana/Copyright 2025 The AP. All rights reserved
De Cynthia Kroet & Peggy Corlin
Publicado a
Partilhar Comentários
Partilhar Close Button

A Comissão Europeia e os Estados-membros estão a discutir a possível utilização do instrumento anti-coerção, que permitiria ao bloco visar os serviços digitais e financeiros no caso de não se conseguir chegar a um acordo com os EUA sobre as tarifas.

A Comissão Europeia está a preparar os Estados-membros para a possibilidade de recorrerem a medidas anti-coerção no diferendo tarifário entre a UE e os EUA, disseram duas fontes diplomáticas à Euronews.

Representantes da Comissão informaram os Estados-membros, na quarta-feira, sobre o andamento das negociações com os EUA, apresentando-lhes uma ficha informativa que descreve as várias etapas do processo de decisão necessário para acionar este instrumento de defesa comercial, considerado a opção nuclear. As medidas permitiriam à UE restringir o acesso a contratos públicos, licenças ou direitos de propriedade intelectual para serviços de um país terceiro.

Segundo uma das fontes, parece haver uma ampla maioria qualificada entre os Estados-membros para acionar o instrumento anti-coerção no caso de um cenário de ausência de acordo.

"O jantar desta noite entre Macron e Merz será decisivo para obter uma maioria qualificada", disse a segunda fonte.

O chanceler alemão Friedrich Merz vai receber o presidente francês Emmanuel Macron para conversações durante um jantar em Berlim, esta quarta-feira.

De acordo com a mesma fonte, a Comissão Europeia está a trabalhar em medidas de retaliação contra os serviços digitais e financeiros dos EUA, caso não se chegue a um acordo até 1 de agosto.

Ambos os diplomatas da UE confirmaram à Euronews que a Comissão e a administração norte-americana estavam a discutir uma tarifa de base de 15% sobre as importações da UE, com algumas isenções, mas disseram que as negociações estavam longe de estar concluídas.

Contramedidas

A UE e os EUA estão a negociar há vários meses para resolver o seu conflito comercial. Os EUA impõem atualmente direitos aduaneiros de 50% sobre o aço e o alumínio da UE, 25% sobre os automóveis e 10% sobre todas as outras importações.

As discussões pareciam estar a encaminhar-se para uma tarifa de base dos EUA de 10% sobre as importações da UE. No entanto, sectores estratégicos como os automóveis e a indústria farmacêutica continuaram a ser pontos de discórdia.

A 12 de julho, o presidente dos EUA, Donald Trump, aumentou a pressão sobre a UE, ameaçando impor direitos aduaneiros de 30% a partir de 1 de agosto, caso não fosse alcançado um acordo.

Para contrariar a imposição unilateral de direitos aduaneiros pelos EUA, a UE está a preparar contramedidas que visam duas listas de produtos americanos.

O porta-voz da Comissão, Olof Gill, anunciou na quarta-feira que as duas listas seriam fundidas, elevando o valor total das medidas de retaliação para 93 mil milhões de euros de importações americanas.

Uma das listas foi suspensa até 6 de agosto, enquanto a segunda ainda tem de ser adotada pelos Estados-membros.

"Embora a nossa prioridade sejam as negociações, continuamos paralelamente a preparar-nos para todos os resultados, incluindo potenciais contramedidas adicionais", afirmou Gill, acrescentando: "Para tornar as nossas contramedidas mais claras, mais simples e mais fortes, fundiremos as listas um e dois numa única lista (que só entrará em vigor a 07/08) e submetê-la-emos à aprovação dos Estados-membros".

O comissário europeu responsável pelo Comércio, Maroš Šefčovič, deverá ter uma conversa com o seu homólogo norte-americano, o secretário do Comércio Howard Lutnick, na quarta-feira à tarde, anunciou a Comissão.

"Estão em curso contactos intensivos a nível técnico e político", disse Gill.

"Precisamos de mudar o nosso método de negociação. Precisamos de ser capazes de retaliar e de colocar em cima da mesa qualquer opção que possa alterar o equilíbrio da negociação", disse o ministro francês da Indústria, Marc Ferracci, em Berlim, na segunda-feira.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou, em abril, que a UE está disposta a pressionar os EUA, ameaçando aplicar tarifas sobre os seus serviços, sector em que o país tem um excedente comercial com a UE, caso as negociações no âmbito da atual guerra comercial fracassem.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários

Notícias relacionadas

Direitos aduaneiros de retaliação: que países da UE poderão ser mais afetados?

Que economia europeia sofrerá mais com os direitos aduaneiros dos EUA?

Estados Unidos abrem investigação criminal ao presidente da Reserva Federal, Jerome Powell