Presidente dos EUA disse que tarifas alfandegárias sobre exportações sul-coreanas para os EUA subirão de 15% para 25%, criticando o país pela falta de avanços no acordo comercial alcançado pelos dois países no ano passado
Donald Trump afirmou na segunda-feira que vai aumentar de 15% para 25% as tarifas sobre bens sul-coreanos, porque a Assembleia Nacional do país ainda não aprovou o quadro comercial anunciado no ano passado.
Numa publicação nas redes sociais, o presidente afirmou que a nova taxa se aplicaria a automóveis, madeira de construção, medicamentos e “todas as outras tarifas recíprocas”.
“Os nossos acordos comerciais são muito importantes para os Estados Unidos. Em cada um destes acordos, agimos rapidamente para reduzir as nossas tarifas em linha com o que foi acordado”, disse Trump. “Esperamos, naturalmente, que os nossos parceiros comerciais façam o mesmo.”
Antes, Trump impôs as tarifas ao declarar uma emergência económica e contornar o Congresso. Já a Coreia do Sul precisava de aprovação parlamentar para o quadro anunciado em julho e confirmado durante a visita de Trump ao país, em outubro.
Gabinete presidencial da Coreia do Sul respondeu na terça-feira às ameaças de Trump, sublinhando o compromisso com o acordo do ano passado.
O gabinete presidencial adiantou que o ministro da Indústria, Kim Jung-Kwan, viajará para os Estados Unidos para reuniões com o secretário do Comércio, Howard Lutnick, enquanto o ministro do Comércio, Yeo Han-koo, seguirá em separado para se encontrar com o Representante Comercial, Jamieson Greer. Kim estava de visita ao Canadá.
Compromisso de investimento
O acordo alcançado no ano passado ficou ligado a um compromisso da Coreia do Sul de investir 350 mil milhões de dólares (€295 mil milhões) na economia dos Estados Unidos ao longo de vários anos, incluindo esforços para revitalizar estaleiros navais americanos.
Deputados sul-coreanos apresentaram cinco propostas de lei para implementar o pacote de investimento à Assembleia Nacional. As propostas estão atualmente na comissão de Finanças.
Kim Hyun-jung, porta-voz do Partido Democrático no poder, disse que o partido irá coordenar com o governo para organizar um debate e uma decisão rápidos sobre as propostas.
Responsáveis da Assembleia adiantaram que as cinco propostas deverão ser incorporadas numa única lei, que terá de obter aprovação nas comissões de Finanças e de Justiça antes de ir a votação em plenário.
Apesar do compromisso de investimento, relações entre os Estados Unidos e a Coreia do Sul têm sido por vezes tensas, em particular após uma operação no ano passado de agentes de imigração numa fábrica da Hyundai na Geórgia, onde 475 pessoas foram detidas.
Centenas de trabalhadores sul-coreanos ficaram detidos por mais de uma semana antes de serem repatriados, após o governo de Seul encetar conversações urgentes com os Estados Unidos.
Novo ano de ameaças tarifárias
Avisos de Washington lembram que o drama das tarifas desencadeado no ano passado deverá repetir-se ao longo deste ano, com Trump a usar as tarifas como tática de intimidação.
Na semana passada, o presidente ameaçou impor tarifas a oito países europeus caso os Estados Unidos não obtivessem controlo da Gronelândia, recuando no ultimato após reuniões no Fórum Económico Mundial, em Davos, Suíça.
No sábado, Trump disse que aplicaria um imposto de 100% sobre bens do Canadá se o país avançasse com planos para reforçar o comércio com a China.
Trump tem alardeado que os seus quadros comerciais estão a atrair novo investimento para os Estados Unidos, mas muitos dos acordos ainda não foram finalizados.
O Parlamento Europeu ainda não aprovou um acordo comercial promovido por Trump que aplicaria uma taxa de 15% à maioria dos bens exportados pelos 27 da UE.
Estados Unidos preparam-se este ano para renegociar o pacto comercial de 2020, já alterado, com Canadá e México.
Prosseguem ainda investigações ao abrigo da Secção 232 da Lei de Expansão do Comércio de 1962, bem como uma decisão iminente do Supremo Tribunal dos EUA sobre se Trump excedeu a sua autoridade ao decretar tarifas ao abrigo da Lei dos Poderes Económicos de Emergência Internacional de 1977.