Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

Scandinavian Airlines: IA pode acelerar resposta a perturbações

CEO da Scandinavian Airlines, Anko van der Werff, fala à Euronews à margem do WGS 2026
CEO da Scandinavian Airlines, Anko van der Werff, fala à Euronews à margem do WGS 2026 Direitos de autor  Euronews. All rights reserved.
Direitos de autor Euronews. All rights reserved.
De Una Hajdari
Publicado a
Partilhar Comentários
Partilhar Close Button

O presidente executivo da companhia aérea diz que a inteligência artificial vai ajudar a refazer horários em tempestades e a tornar mais eficiente um sector em permanente incerteza

Num momento em que o setor da aviação europeu continua a consolidar-se e a adaptar-se a novas tecnologias, a Scandinavian Airlines prepara-se para uma nova fase de crescimento, enquanto aguarda que os reguladores deem luz verde ao próximo grande passo

A Euronews entrevistou, à margem da Cimeira dos Governos Mundiais em Dubai, o presidente e diretor-executivo da SAS, Anko van der Werff, para falar da integração prevista no grupo Air France-KLM, do papel da inteligência artificial e dos desafios que o setor enfrenta

À espera da luz verde

A SAS está atualmente em processo de integração no grupo Air France-KLM, um passo que ainda aguarda aprovação regulamentar das autoridades europeias

Van der Werff afirma que a empresa espera obter clareza ainda este ano, mas admite que a espera tem sido frustrante

“Esperamos obter a aprovação regulamentar na segunda metade do ano”, disse, sublinhando que o processo está a avançar mais lentamente do que gostaria. “Sou sempre um pouco impaciente… é um processo lento.”

A companhia aérea quer aproveitar rapidamente as vantagens de integrar uma rede global de maior dimensão, em especial através de joint ventures e de parcerias alargadas

“A velocidade é essencial…”, afirmou, acrescentando que muitas iniciativas estão, na prática, em pausa. “É para isso, no fundo, que estamos neste negócio… e isso está neste momento um pouco suspenso.”

CEO da Scandinavian Airlines, Anko van der Werff, fala à Euronews à margem da WGS em 2026
CEO da Scandinavian Airlines, Anko van der Werff, fala à Euronews à margem da WGS em 2026 Euronews. All rights reserved.

Planos de crescimento no grupo Air France-KLM

Apesar das preocupações com a consolidação no setor, Van der Werff está confiante de que a marca SAS não será ofuscada pelo novo grupo acionista. Argumenta que a geografia da rede abre, na realidade, espaço para crescer

“A marca vai, sem dúvida, sobreviver a este processo”, afirmou. “A marca será muito forte.”

Com limitações de capacidade nalguns dos hubs atuais do grupo, vê os países nórdicos, e Copenhaga em particular, como motor natural de crescimento

“Vai existir um potencial de crescimento muito real”, previu, antecipando que os passageiros “vão ver mais SAS no futuro do que veem hoje”.

IA como ferramenta prática, não apenas chavão

Para lá da consolidação, a companhia está também a explorar de que forma a inteligência artificial pode transformar as operações. Van der Werff conta que a equipa de gestão passou grande parte do último ano a analisar onde é que a tecnologia pode ter impacto concreto

“A IA não é apenas um chavão”, afirmou, explicando que a empresa definiu “cinco grandes apostas”, centradas sobretudo na melhoria da experiência do cliente

Uma das aplicações mais claras, diz, é a gestão de disrupções, um desafio familiar para uma transportadora nórdica que opera em condições de inverno rigorosas

“Por vezes somos atingidos por verdadeiras tempestades de neve”, referiu, descrevendo dias com “100 cancelamentos por dia” e aviões, tripulações e passageiros dispersos pela rede

Nesses cenários, a IA pode ajudar a reconstruir horários muito mais depressa do que equipas humanas sozinhas. “Acreditamos que a IA vai conseguir trabalhar com essas variáveis de forma incomparavelmente melhor.”

Do experimental à implementação

Van der Werff considera que o setor está a ultrapassar a fase inicial de experimentação com IA e a avançar para aplicações práticas que podem melhorar a eficiência

“Parte da caminhada já ficou para trás…”, afirmou. “Estamos agora a entrar realmente numa fase de corrida.”

Não espera ver aviões de passageiros totalmente autónomos tão cedo, mas vê muitas oportunidades em melhorias operacionais mais pequenas, desde prever melhor os consumíveis a bordo até reduzir o peso das aeronaves e o consumo de combustível

“O voo autónomo… vai demorar”, admitiu, mas ferramentas que otimizem recursos ou até executem tarefas básicas de programação podem chegar muito antes

“Há bastantes oportunidades… e muitas delas vão apoiar diretamente os clientes.”

CEO da Scandinavian Airlines, Anko van der Werff, fala à Euronews à margem da WGS em 2026
CEO da Scandinavian Airlines, Anko van der Werff, fala à Euronews à margem da WGS em 2026 Euronews. All rights reserved.

Transformar disrupções numa vantagem

Entre as prioridades de IA da companhia, Van der Werff destaca a gestão de disrupções como a mais urgente. Quando grandes números de passageiros e tripulações ficam fora de posição, os custos e a complexidade logística disparam rapidamente

“A gestão de disrupções é, naturalmente, a prioridade número um”, afirmou, descrevendo situações em que “dezenas de milhares, centenas de milhares de passageiros” têm de ser reencaminhados

Decisões mais rápidas e mais precisas podem reduzir estadias em hotéis, reposicionar aeronaves e tripulações mais depressa e limitar os efeitos em cadeia dos cancelamentos

“Como é que se volta a montar esse puzzle de forma mais rápida, mais eficiente?”, questionou, sugerindo que a IA pode resolver problemas demasiado complexos para os planeadores humanos sozinhos, e fazê-lo a um ritmo muito mais elevado

Setor moldado pelo imprevisto

Após mais de duas décadas na aviação, Van der Werff diz que a incerteza é uma constante

O setor atravessou crises de saúde pública, choques financeiros e perturbações geopolíticas, e o gestor espera mais surpresas no futuro

“Vai acontecer sempre qualquer coisa”, afirmou, recordando tudo, desde a SARS e a crise financeira até à COVID-19

Para lá dos choques súbitos, mantêm-se as pressões económicas habituais, dos preços do combustível às flutuações cambiais e às variações na procura

“Sem procura, não se consegue fazer nada”, disse, lembrando a rapidez com que as viagens pararam durante a pandemia

Ainda assim, vê motivos para algum otimismo, em especial no potencial de mais consolidação e de novos avanços tecnológicos

Europa instada a decidir mais depressa

Van der Werff considera também que a Europa precisa de agir mais depressa se quiser manter-se competitiva, sobretudo face a regiões mais favoráveis ao empreendedorismo

“A Europa tem de se mexer mais depressa”, defendeu, apelando a menos burocracia e a uma visão estratégica mais clara

Não é totalmente pessimista quanto às perspetivas do continente, mas argumenta que o excesso de regulação pode abrandar a inovação

“Reduzir a burocracia… voltar a colocar a velocidade no centro do jogo”, afirmou, acrescentando que a Europa beneficiaria de voltar a valorizar empreendedores e tomadores de risco

“A energia e a ambição que encontro nesta parte do mundo são sempre estimulantes”, concluiu, sugerindo que a Europa “perdeu ou deixou escapar parte desse espírito”.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários

Notícias relacionadas

Wall Street afunda com Alphabet da Google a arrastar ações

Nike discrimina brancos? Chefe dos direitos civis de Trump intima gigante do desporto

SpaceX atinge € 1,06 biliões após fusão com a xAI, enquanto Musk consolida o seu império