O gigante chinês da fast-fashion abriu lojas em Limoges, Angers, Dijon, Grenoble e Reims. A abertura destas novas lojas foi adiada por vários meses, devido às várias polémicas que afetaram a marca.
Depois de Paris, o gigante do comércio eletrónico Shein abriu agora lojas em cinco novos locais em França. A marca inaugurou espaços físicos em Limoges, Angers, Dijon, Grenoble e Reims.
A Shein decidiu instalar-se nas lojas BHV (antigas Galeries Lafayette), numa tentativa de conquistar clientes nas cidades francesas de média dimensão. A inauguração foi tranquila, com muito menos gente do que o esperado. Em várias lojas, foram criadas filas de espera e um sistema de senhas, que acabaram por não ser necessárias.
Estas aberturas são cruciais para a nova estratégia da SGM. De acordo com o seu presidente Frédéric Merlin, o objetivo de transformação do grupo é fazer da BHV o primeiro mercado físico em França, passando cada loja a desenvolver "uma oferta local, adaptada ao seu território", mantendo "o ADN de uma empresa audaciosa, acessível e animada".
A abertura das lojas Shein faz parte integrante desta "oferta local". Perante os senadores franceses, o diretor da SGM explicou que "cerca de 95% dos clientes franceses da Shein vivem fora de Paris, Lyon e Marselha".
Abertura adiada por polémica
Embora a parceria com o operador BHV tenha sido revelada em novembro de 2025, a abertura das lojas regionais, inicialmente prevista para o final do ano, só teve lugar em fevereiro de 2026. As inaugurações foram adiadas por alfuns meses, devido às polémicas que afetavam a marca.
O anúncio das lojas físicas da marca, regularmente acusadas de concorrência desleal e de poluição ambiental, suscitou a indignação dos retalhistas e de alguns políticos.
A Ligue des droits de l'Homme (Liga dos Direitos do Homem) indignou-se com o anúncio, no outono passado, da abertura de lojas da marca, criticando, nomeadamente, as condições de fabrico dos produtos e as promoções "enganosas" sobre o respeito pelo ambiente. Doze federações do comércio e da indústria também levaram a plataforma a tribunal por "concorrência desleal".
Em desacordo com a estratégia da SGM, o grupo Galeries Lafayette rescindiu o contrato com a SGM relativamente a sete lojas, que entretanto passaram a chamar-se BHV.
No interior dos grandes armazéns parisienses, cerca de uma centena de marcas (Guerlain, Dior, Sandro, etc.) encerraram as suas lojas, em protesto contra a Shein ou contra os atrasos de pagamento.
A Comissão Europeiaabriu um processo contra a Shein ao abrigo da legislação sobre serviços digitais, devido ao seu design viciante, à falta de transparência dos seus sistemas de recomendação e à venda de produtos ilegais, incluindo pornografia infantil.
Em novembro, não foi apenas a abertura das lojas físicas da Shein que fez as manchetes, mas também a descoberta de alguns produtos particularmente sensíveis na plataforma: bonecas sexuaiscom aspeto infantil, armas e até medicamentos cuja venda é proibida.
Shein Paris, uma experiência mista
Foi neste contexto elétrico que a primeira loja física da Shein abriu as suas portas em Paris, a 5 de novembro.
Ao contrário das aberturas regionais, a inauguração foi muito concorrida, mas a multidão era composta tanto por manifestantes e curiosos.
Alguns meses depois, a calma regressou aos corredores do BHV Marais.
Em janeiro, Frédéric Merlin, diretor do grupo SGM, que detém os armazéns, admitiu perante o Senado francês que a"experiência" de Paris ainda não tinha dado frutos, apesar dos 5000 visitantes diários.