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Espanha: comprar casa já exige mais de oito anos de salário bruto

Várias pessoas participam numa manifestação em Madrid, Espanha, no domingo, 24 de maio de 2026, contra o aumento dos preços da habitação.
Várias pessoas participam numa manifestação em Madrid, Espanha, no domingo, 24 de maio de 2026, contra o aumento dos preços da habitação. Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved.
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De Christina Thykjaer
Publicado a Últimas notícias
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O preço da habitação aumentou 20,5% em 2025, face a uma subida de 1% dos salários. Baleares e Madrid são as regiões onde é preciso maior esforço económico para aceder a uma casa.

Comprar uma casa em Espanha está cada vez mais difícil. Em 2025, um trabalhador teve de destinar na totalidade o equivalente a 8,4 anos de salário bruto para adquirir uma habitação em segunda mão de 80 metros quadrados, segundo um estudo elaborado por Fotocasa e InfoJobs.

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O número representa um forte agravamento da acessibilidade à habitação face ao ano anterior. Em apenas 12 meses, o esforço necessário para comprar casa aumentou em 16 meses de salário, ao passar de 7,1 anos em 2024 para 8,4 anos em 2025.

Este agravamento deve-se à crescente distância entre salários e preços da habitação. Enquanto os salários oferecidos aumentaram 1 % durante 2025, o preço da habitação em segunda mão disparou 20,5 %, até atingir uma média de 2 879 euros por metro quadrado.

«Espanha atravessa a pior crise de acessibilidade à habitação da sua história. Nunca os cidadãos tiveram de destinar tantos anos de salário para comprar uma habitação», afirma María Matos, diretora de Estudos e porta-voz da Fotocasa.

Madrid e Baleares concentram mercados mais inacessíveis

As diferenças regionais continuam muito marcadas. As Baleares são a comunidade autónoma onde é mais difícil aceder à habitação. Ali, um residente tem de dedicar 15,1 anos de salário bruto na íntegra para comprar uma habitação média, o equivalente a 181 meses de salário.

Muito perto surge Madrid, onde o esforço necessário chega aos 15 anos de salário. É também a região onde mais se agravou a situação em 2025: o tempo necessário para comprar uma habitação aumentou em 34 meses face ao ano anterior.

Também ultrapassam os dez anos de salário comunidades como as Canárias e o País Basco, enquanto a Catalunha se aproxima desse limiar, com 9,4 anos. No extremo oposto estão Castela-A Mancha e a Extremadura, onde a compra de uma habitação exige cerca de quatro anos de salário bruto.

Várias pessoas seguram uma faixa que diz: "Casas para quem nelas vive" durante um protesto em Madrid, Espanha, em 24 de maio de 2026.
Várias pessoas seguram uma faixa que diz: "Casas para quem nelas vive" durante um protesto em Madrid, Espanha, em 24 de maio de 2026. Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved.

Só 17 províncias permitem comprar casa com menos de cinco anos de salário

À escala provincial, as Baleares voltam a liderar a classificação, com 15,1 anos de salário necessários para adquirir uma habitação. Seguem-se Madrid (15 anos), Málaga (12,9 anos), Guipúscoa (11,7 anos), Santa Cruz de Tenerife (11,3 anos) e Barcelona (10,2 anos).

Por contraste, Jaén é a província mais acessível do país. Os residentes precisam de três anos de salário bruto na íntegra para comprar uma habitação de 80 metros quadrados. Destacam-se ainda Ciudad Real, Teruel, Toledo, Zamora e Ávila, onde o esforço se mantém abaixo dos quatro anos.

Segundo o estudo, apenas 17 províncias espanholas permitem adquirir uma habitação destinando menos de cinco anos de salário bruto na íntegra.

Aumenta fosso entre salários e habitação

As autoras do relatório alertam que o aumento dos salários não está a ser suficiente para compensar a escalada do mercado imobiliário. «O aumento de 1 % registado em 2025 fica muito aquém da subida do preço da habitação», assinala Mónica Pérez, diretora de Comunicação e Estudos da InfoJobs. Na sua opinião, este fosso obriga os cidadãos a dedicar cada vez mais anos de trabalho e poupança para acederem a uma casa própria.

O estudo conclui que a habitação se está a afastar progressivamente da capacidade de compra dos agregados familiares, sobretudo nos mercados mais pressionados, onde o esforço necessário para comprar uma habitação praticamente duplica a média nacional.

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