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Irão: especialistas alertam para recuperação lenta do abastecimento de petróleo e gás

Cliente verifica o preço da gasolina antes de encher o depósito do carro numa bomba em Lincolnshire, Illinois, segunda-feira, 8 de junho de 2026. (AP Photo/Nam Y. Huh)
Uma cliente verifica o preço da gasolina antes de encher o depósito numa estação de serviço em Lincolnshire, Illinois, 8 de junho de 2026. (AP/Nam Y. Huh) Direitos de autor  AP Photo
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De Angela Barnes com AP
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Os preços elevados do petróleo e do gás e os problemas de abastecimento de energia não vão desaparecer de um dia para o outro, apesar do acordo de domingo para pôr fim à guerra no Irão e reabrir o Estreito de Ormuz.

Poderá demorar meses até as empresas de energia retomarem a atividade e conseguirem responder à procura global, segundo especialistas do setor. O ritmo lento do transporte marítimo e da refinação de petróleo bruto, aliado à incerteza quanto à segurança da passagem pelo estreito, significa que qualquer alívio não será imediato, afirmam.

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Navios carregados com petróleo bruto estão encalhados no Golfo Pérsico há mais de três meses, sem conseguirem atravessar em segurança a via marítima por onde, antes do início da guerra, passava cerca de um quinto do petróleo e da gasolina consumidos no mundo.

“Vai demorar tempo até as pessoas se sentirem seguras e até o seguro estar novamente em vigor... sobretudo para conseguir pôr equipas no terreno a reativar alguns destes ativos”, afirmou Daniel Evans, responsável global pela investigação em combustíveis e refinação na S&P Global Energy.

Ainda assim, os preços do petróleo recuaram no início da manhã de segunda-feira, após o anúncio do acordo.

O Brent, referência internacional, desceu 3,45 dólares, para 83,89 dólares por barril. O petróleo bruto de referência nos Estados Unidos caiu 4,03 dólares, para 80,85 dólares por barril.

Estes valores continuam, porém, bem acima dos cerca de 70 dólares por barril a que o petróleo era negociado antes do início da guerra.

À medida que os preços mais elevados forem sendo corrigidos, os navios que ficaram retidos terão de sair do estreito e, depois, novos petroleiros terão de entrar para serem carregados, explicou Evans.

“Para fazer entrar um navio, é preciso ter confiança de que existe uma janela de segurança suficientemente longa para o trazer, carregar e voltar a fazer sair”, acrescentou.

Os petroleiros deslocam-se também a um ritmo lento, explicou. São necessários meses para sair do estreito, chegar a países distantes, entregar o petróleo bruto a uma refinaria para processamento e, só depois, alcançar o destino final.

Além disso, alguns produtores no Médio Oriente interromperam a extração de petróleo, num processo conhecido como “shut-in”, quando ficaram sem capacidade de armazenamento. Retomar essas operações pode ser um processo demorado.

Países como a Arábia Saudita e os Emiratos Árabes Unidos, que dispõem de oleodutos ou rotas alternativas ao estreito de Ormuz para escoar petróleo, poderão estar entre os primeiros a retomar a produção, afirmou Alan Gelder, vice-presidente sénior para refinação, químicos e mercados de petróleo na consultora Wood Mackenzie.

“Mas países como o Iraque podem enfrentar muito mais dificuldades, porque tiveram uma suspensão de produção muito mais extensa, os seus campos são mais complexos... pode muito bem demorar cerca de um ano até regressarem aos níveis anteriores”, disse.

O investimento no sistema energético, cujo retorno pode demorar anos, ficou praticamente parado após o fecho do estreito, acrescentou Gelder. Por isso, vai levar tempo até que esse capital volte a ser mobilizado.

Os países que suspenderam a produção de petróleo não vão querer retomá-la até terem garantias de que a situação no estreito é estável e duradoura e de que o cessar-fogo vai durar mais de 30 ou 60 dias, afirmou Daniel Sternoff, investigador sénior no Center on Global Energy Policy da Universidade de Columbia.

“Não sabemos o que significa exatamente reabrir o estreito, nem a que ritmo será possível retirar a carga que ficou retida”, acrescentou.

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