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Qatar: estafetas anónimos mantêm o país a funcionar durante a guerra com o Irão

Estafeta da Snoonu entrega encomendas em Doha, no Qatar
Estafeta da Snoonu entrega encomendas em Doha, no Qatar Direitos de autor  Snoonu
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De Gregory Ward
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Enquanto mísseis ameaçavam o Golfo e os residentes permaneciam em casa, estafetas continuaram a entregar comida e medicamentos em Doha, sendo vistos como heróis por muitos

Nos primeiros dias da guerra com o Irão, quando mísseis e drones ameaçavam o Golfo, instalou-se a incerteza e o quotidiano foi abalado. No Catar, enquanto muitos ficavam em casa, outros continuaram a trabalhar.

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Entre eles estavam condutores da empresa local Snoonu, que entregavam refeições, medicamentos e outros bens essenciais em toda a Doha.

“O primeiro dia do conflito foi muito difícil”, recorda Abdulaziz AlQahtani, diretor-geral da Snoonu.

“É responsável por um negócio que serve a comunidade. Por isso, acompanhávamos de perto as orientações transmitidas nos anúncios do governo para garantir que tudo corria bem”, acrescenta AlQahtani.

À medida que mais pessoas permaneciam em casa, a procura por entregas aumentou e a empresa teve de se adaptar rapidamente.

Nos bastidores, as equipas operacionais trabalhavam 24 horas por dia, a coordenar pedidos, a acompanhar entregas e a responder a alertas de segurança.

“O desafio passava por garantir, acima de tudo, a segurança dos condutores, e ao mesmo tempo manter a operação a funcionar e ajudar a comunidade”, explica AlQahtani.

Os condutores tiveram a possibilidade de ficar em casa, mas muitos optaram por continuar a entregar bens em todo o país, apesar dos riscos.

“Somos estafetas e condutores, e toda a comunidade depende de nós para levar comida e medicamentos nestas situações”, afirma o estafeta Muhammad Rehan Butt.

Vários cafés e outros negócios mantiveram-se abertos, mas, com menos gente na rua, os estafetas tornaram-se um elo vital. Para quem continuava na estrada, os riscos eram bem reais.

O estafeta Muhammad Saad Muhammad Ayub, natural do Paquistão, diz sentir orgulho por ter apoiado o Catar durante a crise.

“Sinto-me feliz por poder servir a comunidade, porque esta comunidade me dá muito”, afirma.

Mark Coffie, condutor do Gana, acrescenta: “Sinto-me muito orgulhoso, porque não imaginava que o nosso papel fosse tão grande assim.”

Para muitos no Catar, isto mudou a forma como os estafetas são vistos. Quando o dia a dia esteve ameaçado, ajudaram a manter o país a funcionar, garantindo que as pessoas recebiam o que precisavam.

“São os nossos campeões, são os nossos heróis daqueles dias. Vimos esses condutores corajosos sair para apoiar a nossa comunidade… e estamos muito orgulhosos deles”, sublinha AlQahtani.

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