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Morreu o cineasta Jean-Luc Godard

Jean-Luc Godard
Jean-Luc Godard   -   Direitos de autor  MIGUEL MEDINA/MIG2
De  Euronews

Jean-Luc Godard, uma das maiores figuras do cinema mundial das últimas seis décadas, morreu esta terça-feira aos 91 anos.

Autor de dezenas de filmes, foi um dos principais impulsionadores do movimento "Nouvelle Vague", que revolucionou o cinema francês e europeu nos anos 1960. "Viver a sua vida", "O acossado", "O desprezo" ou ainda "Pedro o louco" são algumas das suas obras mais conhecidas.

Com talentos reconhecidos em todas as áreas da sétima arte, Godard foi com frequência realizador, cenarista e guionista dos seus próprios filmes, participando também na montagem.

Para além disso, era produtor, escritor, crítico e teórico do cinema.

Deixa mais de cem filmes em quase sessenta anos de carreira pelos quais recebeu prémios em todos os grandes festivais de cinema, para além de um Oscar pelo conjunto da sua carreira.

Em 1959 realiza "À bout de souffle", a sua primeira longa-metragem, um enorme sucesso, que se torna um dos filmes fundadores da chamada "Nova Vaga".

Os anos 60 do século passado foram o expoente máximo da criatividade de Godard, com inúmeros filmes, como o "Le Mépris", uma obra sobre o universo do cinema e "Pierrot le Fou", um road movie, que os especialistas apontam como a sua melhor obra.

Tornou-se nessa década um grande cineasta e uma figura de proa no mundo da arte e da intelectualidade.

Em 1968, os acontecimentos de maio, prefigurados por alguns dos seus filmes anteriores, foram a ocasião para uma rutura com o sistema cinematográfico. Godard radicalizou-se politicamente e marginalizou-se. Com Jean-Pierre Gorin, tentou fazer um cinema político e assinou os seus filmes sob o pseudónimo coletivo do "grupo Dziga Vertov".

Durante este período, os seus filmes não foram amplamente distribuídos. A partir de 1974, experimentou o vídeo com a sua parceira Anne-Marie Miéville, trabalhou para a televisão e afastou-se do cinema.

Jean-Luc Godard partiu aos 91 anos, deixando uma herança incomensurável.

As homenagens não tardaram a surgir, logo que foi anunciada a sua morte. O presidente francês, Emmanuel Macron, escreveu no Twitter: "(...) perdemos um tesouro nacional, um olhar de génio".