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A história por detrás de "Nothing Compares 2 U" de Sinéad O'Connor

A cantora irlandesa Sinead O'Connor atua no Akvarium Klub em Budapeste, na Hungria, em 2019.
A cantora irlandesa Sinead O'Connor atua no Akvarium Klub em Budapeste, na Hungria, em 2019. Direitos de autor Marton Monus/MTI - Media Service Support and Asset Management Fund
Direitos de autor Marton Monus/MTI - Media Service Support and Asset Management Fund
De  Jonny Walfisz
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Artigo publicado originalmente em inglês

Descubra porque nada se compara a "Nothing Compares 2 U"

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Os sintetizadores por trás. A gola alta preta. A cabeça rapada. As lágrimas que caem no momento certo. Mas, acima de tudo, a voz.

A artista irlandesa Shuhada' Sadaqat, conhecida profissionalmente como Sinéad O'Connor, morreu aos 56 anos. O óbito foi anunciado esta quarta-feira.

Vamos recordar a sua canção mais famosa e o que a tournou tão única.

Original de Prince

A história de "Nothing Compares 2 U" começa com Prince. O cantor e compositor de "Purple Rain" escreveu a versão original numa curta sessão de estúdio, em 1984.

Num ímpeto, Prince criou toda a canção a partir do zero, escrevendo a letra num quarto adjacente ao estúdio. 

Existem duas teorias sobre a quem se refere a música. Ou se trata de Sandy Scipioni, a empregada doméstica de Prince que se despediu repentinamente. Ou pode ser sobre o seu amigo Jerome Benton, que tinha acabado de terminar a relação com a sua noiva.

Embora provavelmente nunca venhamos a saber quem foi a verdadeira fonte de inspiração, a escrita genial de Prince era evidente desde a demo

Apesar de despida de todo o glamour característico da estrela, a versão original de "Nothing Compares 2 U" apresenta todas as outras marcas do estilo Princiano. As guitarras são intermitentes, os saxofones solam e o vibrar camaleónico da voz do artista funciona mais como uma distração do que uma ênfase.

Tal como a obra-prima de Leonard Cohen, "Hallelujah", que só se tornou proeminente depois da cover assombrosa de Jeff Buckley, o original de Prince não marcou logo posição. 

Na verdade, Prince estava a desfrutar tanto do sucesso do recente hit "Purple Rain" que pensou que a música não funcionaria como um lançamento a solo. 

Então, passou-a para The Family, uma banda que ele tinha formado e para a qual tinha escrito canções, sem fornecer os vocais. St. Paul assumia essa função, como vocalista da banda. 

Desta vez, a música é mais despojada e conta com Susannah Melvoin na voz de fundo.

Lançada no único álbum dos The Family em 1985, "Nothing Compares 2 U" não foi bem recebida e o projeto fracassou. Noutro mundo, este teria sido o fim da canção.

Entra Sinéad O'Connor

Sinéad O'Connor estava a viver uma onda de sucesso depois de o seu primeiro álbum, "The Lion and The Cobra", ter sido aclamado internacionalmente. Para o seu segundo trabalho, o seu agente Fachtna O'Ceallaigh sugeriu uma cover de "Nothing Compares 2 U".

Mais uma vez, é difícil saber exatamente quem é o sujeito por detrás da mensagem agridoce da música. Na altura, O'Connor e O'Ceallaigh estavam numa relação que se estava a desmoronar. 

Ao mesmo tempo, presume-se que as letras que se referem a uma mãe se relacionam com a relação complicada da cantora com a sua própria mãe, que morreu em 1985.

Tal como Prince, O'Connor não demorou muito tempo a aperfeiçoar a canção. Gravada num só take, a artista conseguiu fazer os vocais com uma seriedade intransigente.

Ouvindo a múscia, fica claro porque é que esta é a sua versão definitiva. "Nothing Compares 2 U" foi reduzida apenas às partes essenciais, permitindo que os vocais assombrosos de O'Connor ecoem sobre tudo o resto.

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Enquanto os homens se voltaram para o enfático, O'Connor toca com contenção. A sua autenticidade absoluta - que define a sua carreira - é notável. 

A cantora é calma e moderada em linhas reflexivas, eleva-se em força de auto-conhecimento para momentos de poder e finalmente, ressoa com absoluta convicção quando chega ao refrão.

O vídeo é igualmente espantoso. Realizado por John Maybury, há imagens de O'Connor a vaguear por Paris, mas estão subordinadas ao evento principal. Numa gola alta preta, a artista com o cabelo rapado é a única coisa iluminada contra um fundo preto. 

Tal como os lábios descomprometidos destacados na peça "Not I" do seu compatriota Samuel Beckett, a cantora não tem onde se esconder no vídeo enquanto olha fixamente para a câmara.

É um clássico de O'Connor. O seu belo rosto penetra na nossa alma enquanto a vemos refletir sobre a relação perdida de que trata a canção. 

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Quando a música atinge o clímax, como se fosse uma deixa, duas lágrimas rolam pelas suas bochechas. Não há qualquer artifício. Cantar os versos sobre a mãe fez com que ela se desmanchasse em tempo real.

Pode não ter sido O'Connor a escrever a canção, mas a emoção era real para ela. E continua a ser para nós também.

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