Não foi só cinema: críticas à extrema-direita e pedidos de cessar-fogo em Gaza marcaram a Berlinale

Festival de cinema Berlinale ficou marcado por protestos antissemitistas
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Festival de Cinema de Berlim ficou marcado por vários atos simbólicos de protestos, desde cartazes com pedidos de cessar-fogo em Gaza a insultos à extrema-direita.

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A Berlinale é sempre muito mais do que cinema e, este ano, voltou a não ser exceção: durante a cerimónia de entrega de prémios, muitos dos artistas presentes não deixaram de acusar Israel de cometer genocídio em Gaza e criticaram a ofensiva terrestre israelita.

O cineasta norte-americano Ben Russel, premiado pelo filme "Ação Direta", realizado em colaboração com o francês Guillaume Cailleau, subiu ao palco com um keffiyeh, o lenço  que se tornou símbolo da resistência palestiniana. E também o documentarista palestiniano Basel Adra, que venceu na categoria de melhor documentário com "Nenhuma outra Terra", sobre a expulsão dos palestinianos da Cisjordânia, acusou Israel de “massacre” e criticou a venda de armas alemãs ao Estado judaico.

Helge Lindh, deputado do Partido Social-Democrata do chanceler alemão Olaf Scholz, reagiu às críticas, descrevendo-as como “chocantes”. "Tenho vergonha de ver pessoas no meu país a aplaudir acusações de genocídio contra Israel", disse Helge Lindh, citado pelas agências internacionais. 

Em comunicado enviado à Agence France-Presse, a Berlinale indicou que as críticas dos realizadores são independentes e "não representam de forma alguma" as opiniões da direção do festival.

Os diretores afirmaram, no entanto, "compreender a indignação" suscitada pelas declarações, que "foram consideradas demasiado unilaterais".

Para além dos protestos contra Israel, também se ouviram críticas ao partido de extrema-direita alemão, Alternativa para a Alemanha. E a maioria dos convidados do festival demonstrou, ainda, apoio aos realizadores iranianosMaryam Moghaddam e Behtash Sanaeeha**, que foram proibidos de sair do seu país** para participar na Berlinale apesar de terem uma longa-metragem a participar na competição.

"Sentimo-nos como pais que estão proibidos de olhar para o seu filho recém-nascido. Estamos tristes e cansados, mas não estamos sozinhos. Esta é a magia do cinema. O cinema aproxima-nos. É uma janela que abre um tempo e um lugar onde nos podemos encontrar", pode ler-se na declaração enviada pelos cineastas.

Os dois realizadores foram mesmo distinguidos pela Federação Internacional de Críticos de Cinema no festival de Berlim pelo filme "My Favorite Cake". A longa-metragem foi descrita pelo júri como uma "desarmante história de amor entre dois idosos solitários, contada com humor e empatia e ambientada numa atmosfera melancólica na atual sociedade iraniana”.

O Urso de Ouro deste ano foi atribuído ao documentário "Dahomey", realizado por Mati Diop. Já a atriz Emily Watson venceu um urso de prata, pela sua participação no filme "Pequenas coisas como estas”, bem como o realizador Nelson Carlos de Los Santos Arias, pelo filme "Pepe".

Martin Scorsese recebeu o Urso de Ouro honorário do festival internacional de cinema alemão, que premeia o percurso artístico do cineasta norte-americano.

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