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Papa recebe figuras do cinema: "Preciso pôr a esperança em movimento"

Papa Leão XIV
Papa Leão XIV Direitos de autor  Alessandra Tarantino/Copyright 2025 The AP. All rights reserved.
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De Euronews
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O Papa Leão encontrou-se com representantes do mundo do cinema no Vaticano. O Pontífice recordou o papel fundamental do cinema e dos teatros para as comunidades e a importância do trabalho de todas as figuras deste mundo. Spike Lee ofereceu ao Papa uma camisola da NBA com o seu nome.

O Papa Leão XIV recebeu este sábado, na Sala Clementina do Palácio Apostólico, no Vaticano, representantes do mundo do cinema.

"O Pontífice expressou o seu desejo de aprofundar o diálogo com o mundo do cinema e, em particular, com os atores e realizadores, explorando as possibilidades que a criatividade artística oferece à missão da Igreja e à promoção dos valores humanos", explicou o Vaticano numa nota. Nos últimos dias, antes da audiência, o Papa tinha revelado quais são os seus quatro filmes preferidos.

"Conforta-me pensar que o cinema não é apenas imagens em movimento_,_ é pôr a esperança em movimento", disse o Papa aos presentes, entre os quais Spike Lee, Cate Blanchett, Monica Bellucci, Marco Bellocchio, Stefania Sandrelli e Greta Gerwig.

"Um dos contributos mais preciosos do cinema é precisamente o de ajudar o espetador a regressar a si mesmo, a olhar com olhos novos a complexidade da sua própria experiência, a rever o mundo como se fosse a primeira vez e a redescobrir, neste exercício, uma parte daquela esperança sem a qual a nossa existência não é plena", sublinhou o Pontífice.

'Os cinemas e os teatros são os corações pulsantes dos territórios'

Leão XIV sublinhou ainda a crise que afeta a indústria cinematográfica, que qualificou de "em perigo". "Convido as instituições a não se resignarem e a cooperarem para afirmar o valor social e cultural desta atividade", disse Leão XIV, acrescentando: "As estruturas culturais, como os cinemas e os teatros, são o coração palpitante dos nossos territórios, porque contribuem para a sua humanização. Se uma cidade está viva, é também graças aos seus espaços culturais: devemos habitá-los, construir relações com eles, dia após dia".

Segundo o Papa, o cinema não deve ter medo de se confrontar com as feridas do mundo. "A violência, a pobreza, o exílio, a solidão, as dependências, as guerras esquecidas são feridas que pedem para ser vistas e contadas", disse aos presentes na Sala Clementina.

"O grande cinema não explora a dor: acompanha-a, investiga-a. É isso que todos os grandes realizadores fizeram. Dar voz aos sentimentos complexos, contraditórios, por vezes obscuros, que habitam o coração do ser humano é um ato de amor", sublinhou Robert Prevost, recordando que "o cinema, sem ser didático, tem em si, nas suas formas autenticamente artísticas, a possibilidade de educar o olhar".

Leão XIV: "Que o cinema nunca perca a sua capacidade de surpreender".

O Papa agradeceu depois a todas as figuras do cinema, não só aos actores e aos realizadores, mas também aos operadores de câmara, aos assistentes, aos técnicos de som, aos maquilhadores, aos figurinistas, tentando mencioná-los a todos e pedindo desculpa pelos que não foram lembrados. "Que o vosso cinema seja sempre um ponto de encontro, uma casa para aqueles que procuram um sentido, uma linguagem de paz. Que nunca perca a capacidade de surpreender, continuando a mostrar-nos nem que seja um fragmento do mistério de Deus", disse o Papa, alertando que "A lógica do algoritmo tende a repetir o que 'funciona', mas a arte abre-se ao possível".

"Nem tudo tem de ser imediato ou previsível: defender a lentidão quando serve, o silêncio quando fala, a diferença quando provoca. A beleza não é apenas evasão, mas sobretudo invocação", acrescentou.

"Precisamos de testemunhas da esperança"

Para concluir, o Papa citou o grande realizador norte-americano David W. Griffith: "O que falta ao cinema moderno é a beleza, a beleza do vento que se move nas árvores", disse o Papa e explicou: "Como não pensar, ouvindo Griffith falar do vento nas árvores, naquela passagem do Evangelho de João: 'O vento sopra onde quer e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem nem para onde vai: assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito'". "Caros antigos e novos mestres", concluiu o Papa, "fazei do cinema uma arte do Espírito. A nossa época tem necessidade de testemunhas de esperança, de beleza, de verdade: vós, com a vossa obra artística, podeis sê-lo".

No final da missa, após a audiência, os presentes saudaram o Papa e alguns levaram-lhe presentes. O realizador Spike Lee ofereceu ao Papa uma camisola dos New York Knicks (equipa da NBA)com as palavras "Papa Leão" e o número 14, enquanto Cate Blanchett ofereceu a Prevost uma pulseira.

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