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Pântanos capturam carbono 50 vezes mais depressa que as florestas tropicais

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Pântanos capturam carbono 50 vezes mais depressa que as florestas tropicais
Direitos de autor  euronews
De  Jeremy Wilks  & euronews

Os pântanos da lagoa de Veneza conseguem capturar carbono da atmosfera cinquenta vezes mais rapidamente do que uma floresta tropical.

Basta um número para compreender a importância das zonas húmidas para o combate às alterações climáticas: os 43 quilómetros quadrados de zonas húmidas na lagoa de Veneza podem sequestrar um quarto das emissões anuais do tráfego de barcos em Veneza.

Além disso, os pântanos de água salgada são paraísos de biodiversidade e funcionam como barreiras naturais contra tempestades.

"O papel dos pântanos é subestimado. É preciso que fique claro que eles são um recurso, e é essencial preservá-los. Há uma falta de consciência do potencial destes ecossistemas para armazenar carbono orgânico e ajudar a combater as alterações climáticas", disse à euronews Andrea D'Alpaos, professor de Hidrologia da Universidade de Pádua, em Itália.

Como é que os pântanos capturam CO2?

Um potencial que depende de um processo relativamente simples. As plantas capturam CO2 da atmosfera à medida que crescem, e, depois, são regularmente inundadas por marés que enterram a folhagem e as raízes na lama.

"Na parte mais alta do núcleo podemos distinguir vários elementos, incluindo raízes pequenas e raízes grandes como a que acabámos de cortar. Há muitos outros fragmentos de plantas, muito pequenos, como folhas ou pedaços de plantas. São eles que armazenam carbono nos sedimentos", explicou Massimiliano Ghinassi, especialista em sedimentos da Universidade de Pádua.

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Alice Puppin, estudante de doutoramento da Universidade de Páduaeuronews

As condições ideias para maximizar sequestro de CO2

Nos laboratórios da Universidade de Pádua, os cientistas calculam a origem e a quantidade de carbono armazenada em diferentes zonas húmidas. Já foi possível perceber que os níveis de armazenamento de carbono em toda a lagoa de Veneza variam fortemente.

"Há um valor médio de cerca de 270 toneladas de carbono por quilómetro quadrado por ano. Mas, a variabilidade é elevada: de um mínimo de cerca de 50 toneladas por quilómetro quadrado por ano a um máximo de mais de 500 toneladas por quilómetro quadrado por ano", referiu Alice Puppin, estudante de doutoramento da Universidade de Pádua.

As análises no laboratório deverão servir a determinar de forma exata as plantas, o tipo de solos e as condições ambientais ideais para sequestrar carbono.

"Temos de proteger as zonas húmidas da erosão, nas margens. E tentar favorecer o crescimento vertical, disponibilizar sedimentos que podem assentar na superfície dos bancos de areia, para que possam crescer verticalmente e, ao mesmo tempo, enterrar matéria orgânica nos solos durante centenas ou milhares de anos", concluiu Andrea D'Alpaos.

Os dados de Janeiro do Serviço de Alterações Climáticas Copernicus

A nível global, as temperaturas no mês passado estiveram 0,3 graus Celsius acima da média de 1991-2020. Devido à onda de calor, a Argentina bateu 75 novos recordes de temperaturas. No leste do Canadá e nos Estados Unidos esteve mais frio do que a média. Na Rússia até à península de Kamchatka, o mês passado foi mais quente do que a média.

Serviço de Alterações Climáticas do Copernicus (ECMWF)
Anomalia de Temperatura em janeiro de 2022Serviço de Alterações Climáticas do Copernicus (ECMWF)

Seca prolongada na Península Ibérica

Na Europa, em meados de janeiro, a cidade de Oslo atingiu um máximo histórico: 12,5 graus. Na maior parte da França e em partes de Espanha, o tempo esteve mais frio. Ainda em Espanha, é importante destacar que a península ibérica continua muito mais seca do que a média. Os dados sobre a humidade do solo em Janeiro mostram a continuação da tendência dos últimos 4 meses.

Serviço de Alterações Climáticas do Copernicus implementado pelo ECMWF
Humidade do solo em janeiro de 2022Serviço de Alterações Climáticas do Copernicus implementado pelo ECMWF