Exposição solar e altas temperaturas em 2022 lançam novos desafios à Europa

Exposição solar e altas temperaturas em 2022 lançam novos desafios à Europa
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O ano de 2022 foi mais quente, seco e soalheiro que os anteriores. A Europa está mais exposta ao sol e o fenómeno traz cada vez mais riscos, mas também algumas oportunidades. O relatório anual do serviço Copernicus revela as principais tendências climáticas.

Existe a possibilidade de vagas de calor com uma extensão nunca antes vista na Europa
Nathalie Niddens
Médica
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A nível global, abril de 2023 foi 0,3 graus Celsius acima da média entre 1991 e 2020.

Na Europa, o cenário dividiu-se entre um clima mais frio do Reino Unido à Turquia, mas muito mais quente na Península Ibérica, com as temperaturas a atingir novos máximos para abril no Mediterrâneo ocidental.

Córdova, em Espanha, chegou aos 38,8°C, Mora, em Portugal, aos 36,9°C e Marakesh, em Marrocos, aos 41,3°C. 

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Temperaturas anómalas em abril de 2023CLIMATE NOW/EURONEWS

Como foi o clima em 2022?

O ano foi marcado por um calor extremo e uma seca generalizada.

Os indicadores para abril, julho e setembro, em que o vermelho corresponde a um estado mais severo de seca, mostram a amplitude do problema.

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Seca na Europa em abril, julho e setembro de 2022CLIMATE NOW/EURONEWS

O climatologista Julien Nicolas, climatologista do serviço Copernicus para as alterações climáticas, alerta para a alta probabilidade de o fenómeno se repetir este ano. 

"Estamos a ver isto a acontecer neste preciso momento em Espanha, onde temos temperaturas extremas, combinadas com condições muito secas, a levar a temperaturas muito acima da média. Este é um exemplo de como o cenário de 2022 se está a repetir"

O ano passado teve verão mais quente desde que há registo na Europa e contou com um aumento acentuado do número de dias com o chamado "stress térmico forte".

As cores mais escuras, no mapa abaixo mostram o nível mais elevado de stress.

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Stress térmico na Europa em 2022CLIMATE NOW/EURONEWS

Médicos preocupados com o calor

Os europeus vão ter de aprender a viver com o calor.

Em 2022, muitas partes da Europa registaram 40 dias por ano ou mais com temperaturas que se situam entre os 32 e os 38 graus, o que é calor suficiente para causar problemas de saúde.

Nathalie Niddens, médica da Aliança Alemã para as Alterações Climáticas e Saúde, diz que "pode provocar ataques cardíacos, acidentes vasculares cerebrais", bem como "levar à desidratação, à insuficiência renal."

As pessoas mais vulneráveis que vivam sob este clima devem procurar aconselhamento médico sobre como se adaptarem, uma vez que "étambém possível que certos medicamentos e restrições alimentares tenham de ser ajustados, porque alguns medicamentos podem, de facto, tornar-nos mais vulneráveis ao calor e, por conseguinte, representar um risco maior. Por isso, por vezes, as dosagens têm de ser ajustadas."

Europa com mais dias de sol

Para além do calor e da seca, outra tendência importante de 2022 é o facto de a Europa estar a ficar mais soalheira. No ano passado, o continente teve a maior duração de sol de que há registo.

No mapa abaixo, os locais a vermelho e rosa tiveram centenas de horas de sol extra no ano passado.

Source: SARAH-2.1 CDR/ICDR / EUMETSAT CM SAF
Duração solar anómala em 2022Source: SARAH-2.1 CDR/ICDR / EUMETSAT CM SAF

Há muitas razões complexas para a existência de mais sol na Europa, mas tudo se resume a uma mudança nos padrões climáticos e a um ar mais limpo.

"O que vemos num clima em aquecimento é que temos mais situações em que as áreas de alta pressão estão a bloquear o movimento das áreas de baixa pressão. E, por isso, uma área de alta pressão pode estar associada a condições mais soalheiras", afirma Rob Roebeling, especialista na área do clima, acrescentando que "esse é um lado da história. O outro é que temos menos poluição durante os últimos 20 anos."

Source: SARAH-2.1 CDR/ICDR / EUMETSAT CM SAF
Duração solar anómala entre 1982 e 2022Source: SARAH-2.1 CDR/ICDR / EUMETSAT CM SAF

Este gráfico das anomalias de duração da luz solar revela que a Europa está a ficar mais soalheira desde a década de 1980.

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Impulsionado pelas horas de sol, o setor da energia solar na Europa já está a crescer. 

Dries Acke, da empresa europeia de lóbi Solar Power Europe, confirma a tendência. "Podemos ver que os rendimentos e, por conseguinte, a economia das instalações solares aumentam drasticamente se a quantidade de dias de sol aumentar, seguramente nas estações intermédias. Portanto, isso terá um impacto positivo no negócio da energia solar".

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