EventsEventosPodcasts
Loader

Find Us

PUBLICIDADE

Níveis de metano na atmosfera aumentam rapidamente e ninguém sabe ao certo porquê

Níveis de metano na atmosfera aumentam rapidamente e ninguém sabe ao certo porquê
Direitos de autor euronews
Direitos de autor euronews
De  Jeremy Wilks
Partilhe esta notícia
Partilhe esta notíciaClose Button
Copiar/colar o link embed do vídeo:Copy to clipboardCopied

As concentrações de metano na atmosfera estão a aumentar. Um motivo de preocupação para os cientistas porque o metano é um poderoso gás com efeito de estufa.

PUBLICIDADE

Os cientistas da base de investigação de Askö, no sul da Suécia, investigam os mistérios em torno do metano.

O metano é um gás que não tem cor nem cheiro e que provoca o aquecimento da temperatura. É emitido por uma grande variedade de fontes naturais e artificiais, e os investigadores querem saber qual a quantidade que provém de zonas costeiras, como, por exemplo, a paisagem marítima do Báltico em torno de Askö. Um tipo de ambiente raramente monitorizado.

"Colocámos uma câmara na superfície da água para medir o metano, o dióxido de carbono e o vapor de água", explicou Thea Bisander, estudante de doutoramento na Universidade de Södertörn, em Huddinge, na Suécia.

Thea Bisander, estudante de doutoramento na Universidade de Södertörn, em Huddinge, na Suécia.
Thea Bisander, estudante de doutoramento na Universidade de Södertörn, em Huddinge, na Suécia.Euronews
David Bastviken, Professor de Alterações Ambientais, Universidade de Linköping, na Suécia
David Bastviken, Professor de Alterações Ambientais, Universidade de Linköping, na SuéciaEuronews

Metano provêm de três fontes diferentes

"Geralmente, o metano vem do fundo do mar, mas que tipo de habitats estão a emitir e que quantidade está a ser emitida? Essa é a parte complicada", frisou Thea Bisander.

Descobrir a quantidade de metano proveniente de zonas costeiras é um passo pequeno mas importante para responder à grande questão: porque é que os níveis de metano estão a aumentar tão acentuadamente?

"É uma fonte natural ou uma fonte humana e industrial? Penso que este é um dos grandes problemas que estamos a tentar resolver neste momento. Qual é o factor responsável por estas alterações no aumento do metano ao longo do tempo?", disse Volker Brüchert, Professor Associado de Geoquímica na Universidade de Estocolmo.

"Tradicionalmente, a nossa ideia tem sido que os trópicos e as baixas latitudes são as principais fontes de metano na atmosfera. Há, no entanto, uma série de ambientes que partilham muitas características e que se situam em latitudes muito mais elevadas, como é o caso da Suécia. E se olharmos para estes ambientes, vemos também cinturas de vegetação muito densas. Estas águas ficam relativamente quentes no verão. Têm, essencialmente, todas as características de um ambiente que também produz muito metano, mas que ainda não foi totalmente contabilizado", revelou o cientista.

Os níveis de metano aumentaram nos últimos 20 anos. Mas, ao contrário das emissões de CO2, o metano não está a acelerar como uma tendência plurianual.

"Na década de 2000, o crescimento do metano quase parou durante alguns anos e as razões dessa interrupção continuam a ser debatidas", disse Vincent-Henri Peuch, Diretor do Serviço de Monitorização da Atmosfera do Copernicus.

O gás provém de três fontes diferentes. Um terço provém de indústrias como a do petróleo e do gás. Um terço provém da agricultura e dos resíduos e um terço provém da natureza.

É preciso monitorizar mais áreas costeiras

Qual dessas fontes é responsável pelo recente aumento do metano? Os especialistas dizem que precisamos de mais informações sobre o que está a acontecer na natureza.

"Sabemos que os emissores agrícolas e as estações de tratamento de águas residuais são emissores mais fortes do que alguns destes sistemas costeiros. No entanto, há muita linhas costeiras na Terra que não foram suficientemente tidas em conta", explicou Volker Brüchert.

As outras áreas que são pouco monitorizadas são os lagos, rios, zonas húmidas, terras agrícolas e florestas. Mas compreender o funcionamento da natureza não é uma tarefa fácil.

O Professor David Bastviken, do departamento de Alterações Ambientais da Universidade de Linköping, mostra-nos um campo onde as terras agrícolas secas seriam normalmente consideradas um sumidouro de metano, uma vez que estão presentes no solo bactérias que comem metano.

No entanto, a poucos passos de distância, há um terreno pantanoso. O investigador explicou que em zonas pantanosas mais saturadas de água, "há condições anaeróbias no solo, pelo que os microrganismos produtores de metano produzem metano, e isto é uma fonte de metano".

"A floresta aqui atrás parece seca, por isso é provavelmente um sumidouro de metano. Uma floresta húmida também pode ser uma fonte de metano, mas, neste caso, penso que é um sumidouro", acrescentou.

A hipótese levantada pelos cientistas

As paisagens mudam e os investigadores suspeitam que, à medida que o planeta aquece, as bactérias produtoras de metano tornam-se mais ativas. acelerando o aquecimento, na medida em que o metano é um potente gás com efeito de estufa.

"É certo que as alterações climáticas irão deslocar os ecossistemas no sentido de poderem emitir mais metano. Se o fazem atualmente e se as alterações que observamos podem ser diretamente atribuídas às alterações climáticas, essa questão não pode ser respondida diretamente", afirmou Vincent-Henri Peuch.

PUBLICIDADE

De acordo com David Bastviken, a falta de recursos necessários para acompanhar as emissões de metano está a dificultar os esforços para compreender melhor esta tendência.

"Não temos muitas estações de monitorização e só temos estações nalguns ambientes particulares. Este é um grande problema que nos impede de compreender os processos naturais.

"A monitorização é maior no setor industrial porque, neste caso, o metano é um vetor energético com valor, mas ainda existem muitas fugas desconhecidas sobre as quais não temos um bom conhecimento.

"Na agricultura, temos uma mistura de problemas. Os humanos estão a causá-los, mas são processos naturais. Precisamos de melhores medições para identificar as fontes nesses três setores", disse o responsável.

"O melhor que podemos fazer é evitar as emissões causadas pelo homem, porque essa redução terá um efeito duplo: deverá diminuir parcialmente as emissões humanas, mas também diminuir as futuras emissões naturais", concluiu David Bastviken.

PUBLICIDADE

O mês de setembro mais quente de que há registo

Globalmente, setembro de 2023 foi o mês de setembro mais quente de que há registo, com temperaturas 0,9 graus acima da média de 1991-2020, de acordo com os dados mais recentes do Serviço de Monitorização das Alterações Climáticas do Copernicus.

Na Europa, setembro foi o mais quente de sempre, com uma enorme anomalia de temperatura de 2,5 graus Celsius acima da média.

A França, a Bélgica, a Alemanha, a Polónia e a Áustria foram alguns dos países que registaram o mês de setembro mais quente de que há registo.

Serviço de Alterações Climáticas do Copernicus
Serviço de Alterações Climáticas do CopernicusEuronews/Copernicus Climate Change Service

Nalgumas partes da Europa e do Norte de África, o clima foi invulgarmente chuvoso. O mapa de anomalias de precipitação mostra em azul escuro a chuva intensa associada à tempestade Daniel. A tempestade provocou inundações devastadoras e mortais na Líbia, Grécia, Turquia e Bulgária.

Serviço de Alterações Climáticas do Copernicus
Serviço de Alterações Climáticas do CopernicusEuronews/Copernicus Climate Change Service

Na Antártida, a extensão do gelo marinho foi 9% inferior à média de 1991-2020 em setembro. Este é o quinto mês consecutivo em que o gelo marinho da Antártida atinge um nível baixo recorde para esta época do ano.

PUBLICIDADE
Partilhe esta notícia

Notícias relacionadas

Metano pode ser fator decisivo para o limite do aquecimento global. Mas onde é que há mais fugas na Europa?

A invasão das formigas na Europa

Como é que os parques eólicos gerem a falta de vento?