Mulheres migrantes são cada vez mais e precisam de proteção

Mulheres migrantes são cada vez mais e precisam de proteção
De  Isabel Marques da Silva
Partilhe esta notíciaComentários
Partilhe esta notíciaClose Button

As mulheres, sobretudo as mais pobres, estão a migrar como nunca antes na história e representam já 48 por cento das pessoas que procuram melhor vida noutro país. As Jornadas Europeias do Desenvolvimento, esta semana, em Bruxelas debatarem o fenómeno.

PUBLICIDADE

As mulheres, sobretudo as mais pobres, estão a migrar como nunca antes na História e representam já 48 por cento das pessoas que procuram melhor vida noutro país.

As Jornadas Europeias do Desenvolvimento, esta semana, em Bruxelas debateram o fenómeno e as políticas para o enfrentar.

"No meu país, 70 por cento das pessoas têm menos de 30 anos, estão desempregadas, sem dinheiro, sem esperança. A esperança para alguns é pegar numa arma, vista como a única forma de ganhar um quinhão da riqueza do país. Aqueles que têm suficiente energia pegam numa arma, as mulheres e as crianças têm de se pôr ao caminho", explicou, à euronews, Esther Nakajjigo, estudante universitária e ativista pela juventude no Uganda.

A maior parte das mulheres vindas de países em vias de desenvolvimento acabam a fazer trabalho doméstico e de assistência, muitas delas sofrendo violações dos direitos humanos e laborais.

As mulheres com mais educação formal também enfrentam as barreiras do preconceito e racismo, segundo a fundadora da Rede Africana da Diáspora na Europa, Marie Chantal Uwitonze, que nasceu no Ruanda e vive em Bruxelas.

"Aqui em Bruxelas, classificamos os estrangeiros que não são africanos como expatriados, mas a nós apelidam-nos de migrantes. Eu revejo-me mais na categoria de uma intelectual que, depois de ter obtido o seu diploma, optou por vir trabalhar com a União Europeia porque é interessante em termos de minha área de estudos. Não sou uma migrante que quer viver à custa da segurança social".

O movimento transfronteiriço em busca de segurança e trabalho expõe muitas vezes as mulheres a várias formas de violência, incluindo exploração sexual e laboral: três em cada quatro vítimas de tráfico são mulheres. 

A vice-diretora da Organização Internacional para a Migração, Laura Thompson, alerta que o controle de fronteiras não é suficiente para lidar com as novas tendências deste fenómeno.

"Todos os migrantes que atravessam fronteiras de forma irregular têm vulnerabilidades mas, obviamente, que o abuso e exploração relacionados a género acontecem com mais frequência nas mulheres e certamente que há necessidades claras de maior proteção", explicou à euronews.

As pressões demográficas e o impacto das alterações climáticas nas sociedades mais vulneráveis vão fazer aumentar a migração nos próximos anos, de acordo com as Nações Unidas.

Em setembro, a ONU realizará uma conferência intergovernamental com o objetivo de adotar um pacto global para migração e asilo.

"Nos últimos anos, as mulheres começaram a migrar como chefes de família e essa é a grande mudança. Por isso, precisamos de ser capazes de regular o setor informal da economia que se dedica ao trabalho doméstico e à assistência", acrescentou Laura Thompson.

Nos próximos meses, a União Europeia deve encontrar uma política comum entre os 28 Estados-membros que lhe permita falar a uma só voz durante a conferência da ONU.

Partilhe esta notíciaComentários

Notícias relacionadas

Empoderamento feminino vai gerar riqueza mundial

Parlamento Europeu quer reformas no sistema de asilo da UE

Parlamento francês aprova polémico projeto de lei sobre asilo e imigração