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Covid-19: Situação agrava-se nas prisões na Bélgica

Covid-19: Situação agrava-se nas prisões na Bélgica
Direitos de autor Euronews
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De  Isabel Marques da SilvaAna Lázaro
Publicado a
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A euronews falou com presos de dois estabelecimentos, que pediram anonimato, e que denunciaram a falta de sabonete e de produtos de limpeza domésticos.

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Os presos estão entre os esquecidos da pandemia em vários países. Na Bélgica, as condições de higiene nas prisões já eram precárias e agora a situação tornou-se explosiva.

A euronews falou com presos de dois estabelecimentos, que pediram anonimato, e que denunciaram a falta de sabonete e de produtos de limpeza domésticos.

"Desde o dia 23 que me lavo apenas com água e tinha apenas água para lavar a sujidade deixada na minha cela pelo preso anterior. O que mais posso dizer? A situação aqui dentro é muito má", disse um deles.

"Entre os presos é impossível manter a distância social, estamos todos no pátio ao mesmo tempo, mandam-nos tomar o duche no balneário ao mesmo tempo. Durante dois meses nada foi feito, mas cancelaram visitas e atividades. Não faz sentido", disse outro.

Até ao momento, existem apenas 15 casos confirmados de Covid-19 entre os presos na Bélgica. Mas o sindicato dos funcionários prisionais queixa-se da falta de meios de teste.

"Muitos presos têm medo de se declarar doentes porque sabem que serão mudados para outra prisão e, provavelmente, colocados em maior isolamento", explicou Gregory Wallez, do sindicato CGSP.

Voluntários que realizam atividades nas prisões também temem que a situação seja mais grave do que parece.

"A sobrelotação é tal que o risco de infeção é muito alto na prisão. Os funcionários que entram e saem todos os dias podem infectar os presos, e os presos também podem infectar os funcionários", afirmou Céline Lefèvre, da associação Genepi.

Reforma do sistema prisional

Quando o confinamento começou, houve surtos de violência em várias prisões por terem sido canceladas as visitas as atividades que permitiam aos presos ganhar um pouco de dinheiro.

Para aliviar a pressão, o governo decidiu antecipar a libertação de mil presos, mas poderão ser necessárias medidas de longo prazo, diz o partido ecologista.

"Há muito tempo que pedíamos novas políticas. Já antes da pandemia defendíamos a redução do número de pessoas confinadas todo o dia na prisão, que deve ser um recurso para crimes graves, quando não há outra escolha", afirmou Gilles Vanden Burren, deputado federal ecologista belga.

Os detidos e suas famílias aguardam que, pelo menos, seja rapidamente implementada a promessa do governo de oferecer um sistema de videoconferência.

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