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Rússia: Roman Abramovich entra para nova lista de sanções europeias

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De  Pedro Sacadura
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Rússia: Roman Abramovich entra para nova lista de sanções europeias
Direitos de autor  Jean-Francois Badias/Copyright 2022 The Associated Press. All rights reserved.

Roman Abramovich, o magnata russo dono do clube de futebol londrino Chelsea, é uma das 15 personalidades visadas num novo pacote de sanções da União Europeia (UE) contra a Rússia hoje aprovado, em Bruxelas, durante uma reunião ao nível dos embaixadores do bloco.

De acordo com um documento a que a Euronews teve acesso, o oligarca, que beneficia de um "acesso privilegiado" ao presidente russo Vladimir Putin, com o qual mantém "muito boas relações", lidera a lista negra, aprovada por unanimidade, repleta de outros nomes de peso.

Do quarto pacote de sanções, que tem como pano de fundo a invasão russa da Ucrânia, também constam nove entidades, segundo fontes diplomáticas, a par de restrições económicas e financeiras adicionais.

As medidas devem entrar em vigor nas próximas horas, assim que forem publicadas no Jornal Oficial da União Europeia.

As exportações de bens de luxo da União Europeia (incluindo vestuário, acessórios, joalharia, alimentos ou veículos de mais de 50 mil euros, por exemplo) passam a estar impedidas, bem como a importação de bens-chave no setor do ferro e do aço da Rússia.

Serão igualmente proibidos novos investimentos europeus no setor energético russo. A interdição inclui investimentos, transferências tecnológicas ou serviços financeiros para exploração e produção energéticas.

O Estado e as elites russas também não poderão recorrer a cripto ativos para contornar as sanções da União Europeia.

De igual forma, a Rússia pode perder o estatuto de "nação mais favorecida" junto da Organização Mundial do Comércio (OMC). O bloco vai apresentar uma declaração na OMC para suspender o estatuto, o que significa, na prática, que as exportações russas com destino à UE podem ficar mais caras, o mesmo aplicando-se às empresas europeias.

Pressão adicional numa altura em que as tropas russas apertam o cerco à capital da Ucrânia, Kiev.

"Vemos que a agressão continua e as atrocidades russas contra civis persistem. Então precisamos de continuar a exercer pressão", sublinhou, esta segunda-feira, o vice-presidente executivo da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis, à chegada a uma reunião do Eurogrupo, destinada a avaliar o impacto da guerra e um possível efeito colateral das sanções.

Que impacto?

Mas até que ponto é que as medidas podem fazer alguma diferença, considerando que nada nem ninguém deteve, até agora, Vladimir Putin?

Para o diretor do think tank Bruegel, Guntram Wolff, o futuro passará, invariavelmente, por apontar baterias ao petróleo e ao gás russos.

"Sejamos claros. Vladimir Putin não vai ficar impressionado por a classe alta russa não poder comprar mais carteiras italianas. Isso não vai mudar o curso da guerra. O que vai impressioná-lo é se o Ocidente conseguir acabar efetivamente com as receitas do petróleo e do gás. (...) Penso que no conjunto, no final das contas, não poderemos evitar sancionar as exportações de combustíveis fósseis da Rússia. É daí que saem milhares de milhões, dependendo do preço, por dia, em receitas, para Putin ou para a Rússia", sublinhou, em entrevista à Euronews.

O chefe da diplomacia ucraniana, Dmytro Kuleba, voltou, esta segunda-feira, a pedir sanções para condenar Vladimir Putin ao fracasso.

Mas apesar da vontade do bloco em afetar gigantes russos, mantêm-se tabus.

As sanções diretas aos fluxos do gás e de petróleo da Rússia continuam a ser uma miragem. Um vício que continua a servir para alimentar as aspirações bélicas do presidente russo.

Vladimir Putin já classificou as sanções financeiras anteriormente impostas à Rússia pelo Ocidente como uma declaração de guerra.