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A influência europeia de Macron está enfraquecida?

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De  Gregoire Lory
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O presidente francês venceu as eleições legislativas, mas perdeu maioria absoluta na Assembleia Nacional
O presidente francês venceu as eleições legislativas, mas perdeu maioria absoluta na Assembleia Nacional   -   Direitos de autor  Michel Euler/Copyright 2022 The Associated Press. All rights reserved

Os resultados das eleições legislativas em França representam um revés para o presidente, Emmanuel Macron, reeleito há apenas dois meses.

Agora sem maioria absoluta no Parlamento, Macron terá de negociar o seu roteiro europeu. Mas será que a voz do presidente corre o risco de sair enfraquecida?

Em entrevista à Euronews, Eric Maurice, responsável, em Bruxelas, da Fundação Robert Schuman, sublinhou: "o que se desconhece é o papel do Parlamento francês, da Assembleia Nacional, na definição das políticas europeias ou na aceitação dessas políticas, uma vez que nunca tivemos este caso na 5ª República, uma falta de maioria na Assembleia. Por isso, não sabemos que influência é que isso pode ter nas posições do governo no Conselho de Ministros ou na implementação de acordos que podem ser alcançados a nível europeu."

Apesar do papel de Emmanuel Macron na União Europeia, esta eleição revela, uma vez mais, a desconfiança dos cidadãos em relação à trajetória do projeto europeu.

A extrema-direita reuniu 17% dos votos e a coligação de esquerda, que apela à desobediência às instituições, arrecadou cerca de 32% dos votos.

"Temos uma mensagem com os resultados das eleições legislativas francesas, que significa que a Europa atualmente deve ser repensada. Devemos discutir a Europa novamente. Mas não devemos interpretar o resultado das eleições francesas como um referendo", acrescentou Awenig Marié, investigador na Universidade Livre de Bruxelas.

A esquerda esperava impor uma coexistência entre o chefe de Estado e a Assembleia Nacional. A aposta falhou, mas esta correlação de forças de esquerda é agora inevitável no cenário político francês.

Se esta aproximação funcionou nas urnas em França, a aliança da esquerda tradicional e da esquerda radical não parece tão óbvia em outros Estados-Membros, como explicou Eric Maurice: "vemos que na Alemanha, por exemplo, dar o passo para uma coligação entre o SPD (Partido Social Democrata) e o Die Linke não se fez a nível federal. Vemos que em outros estados, em Espanha por exemplo, a coligação Podemos-PSOE, o partido socialista, não deu frutos. Na Bélgica vemos que os socialistas não se querem aliar ou é a extrema-esquerda que não se quer aliar aos socialistas. E nos países nórdicos, social-democratas por tradição, não há perspetivas deste tipo de alianças. Por isso, é muito difícil ver nesta situação francesa o prenúncio de algo que poderia ser feito em outros estados europeus."

Será o tempo e a experiência deste novo cenário político francês que determinarão se Emmanuel Macron será capaz de seguir o seu trajeto europeu ou se também terá de lidar com uma configuração sem precedentes.