Portugal, Espanha e França anunciam Corredor de Energia Verde

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De  Isabel Marques da Silva
Os líderes de Portugal e de Espanha há muito que apostam em aumentar as interconexões da Península Ibérica com o resto da Europa
Os líderes de Portugal e de Espanha há muito que apostam em aumentar as interconexões da Península Ibérica com o resto da Europa   -  Direitos de autor  Armando Franca/Copyright 2018 The AP. All rights reserved

Os líderes de Portugal, Espanha e França deram um passo para acelerar "o desenvolvimento das interconexões energéticas", numa reunião, esta quinta-feira, antes da cimeira da União Europeia, em Bruxelas, criando um novo Corredor de Energia Verde. A ideia será desenvolvida numa reunião a 9 de dezembro, em Alicante (Espanha).

Em comunicado conjunto, afirmaram que este corredor permitirá "completar o mercado energético da União Europeia e reforçar a transição energética no âmbito do Pacoto Ecológico Europeu, nomeadamente ao facilitar o acesso a fontes e rotas de energia alternativas para a Europa".

"Este acordo permitirá complementar a interconexão entre Portugal e Espanha, entre Celorico da Beira e Zamora, e também fazer uma ligação entre Espanha e o resto da Europa, ligando Barcelona a Marselha por via marítima. É um gasoduto vocacionado para o hidrogénio verde e outras gases renováveis e que, transitoriamente, poderá ser utilizado também para o transporte de gás natural até uma certa proporção", disse o primeiro-ministro português, aos jornalistas, à chegada para a cimeira.

António Costa acrescentou que o primeiro pilar é já decisivo para ampliar a capacidade portuguesa no mercado europeu porque Espanha representa 40 milhões de consumidores: "Só facto de chegarmos à fronteira com a Espanha já é para nós uma enorme mais-valia. Significa que aumentamos a nossa capacidade de conexão a um mercado que não tem apenas os nossos 10 milhões (de consumidores), mas um total de 60 milhões, no conjunto da Península Ibérica". 

O caminho pela frente

Nesse sentido, os três líderes chegaram a acordo sobre os passos necessários:

  • Abandonar o projeto Midcat e, em vez disso, criar, como prioridade, um Corredor de Energia Verde que liga Portugal, Espanha e França com a energia da UE em rede.
  • Concluir as futuras interconexões de gás renovável entre Portugal e Espanha, nomeadamente ligando Celourico da Beira e Zamora (CelZa), desenvolver um gasoduto marítimo que ligue Barcelona a Marselha (BarMar) como o opção mais directa e eficiente para ligar a Península Ibérica à Europa Central.
  • Estas infra-estruturas de hidrogénio devem ser tecnicamente adaptadas ao transporte de outros gases renováveis, bem como uma proporção limitada de gás natural como gás temporário e fonte transitória de energia.
  • Relativamente à eletricidade, expressaram o seu total apoio à aceleração dos esforços para finalizar a nova ligação eléctrica através do Golfo da Biscaia. Concordaram em identificar, avaliar e implementar novos projectos de interligação elétrica entre França e Espanha, em para alcançar uma Europa ligada eletricamente.

O chefe de governo português quis, ainda, realçar que a capacidade de armazenamento de energia é crucial para um futuro mais autónomo e falou do projeto ligado à exploração das minas de lítio.

"Há um projeto para desenvolver baterias de grande capacidade que no futuro tenham condições para armazenar a energia. Isso ajudava as valorizar, na própria Península Ibérica, um recurso natural que é o lítio. Essas baterias poderiam ajudar a armazenar em grande escala a energia para responder a situações de crise", explicou.

Longa maratona negocial

Os chefes de Estado e de governo dos 27 países da UE tentarão chegar a um consenso sobre a forma de reduzir os preços elevados da energia e assegurar que os europeus possam resistir à tempestade económica que se avizinha.

Os líderes irão debater o último pacote de medidas proposto pela Comissão Europeia, que inclui a compra conjunta de gás e um limite máximo dinâmico para as transações feita com base no índice TTF (Mecanismo de Transferência de Títulos), com sede nos Países Baixos, e que funciona como uma espécie de mercado bolsista para a energia.

O outro tópico principal será como proteger a economia do bloco, duramente atingida pelos elevados preços da energia, dando apoios às empresas e famílias.